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A peça é o Prelúdio em dó maior, BWV 846, de Johann Sebastian Bach. A sigla BWV (o catálogo oficial das obras de Bach, organizado por Wolfgang Schmieder em 1950) dá o número 846 justamente por ela abrir a coleção O Cravo Bem Temperado, que Bach terminou em 1722.
Bach escreveu o prelúdio como exercício. Uma versão mais curta aparece no caderno de estudos que ele montou para o filho mais velho, Wilhelm Friedemann Bach, por volta de 1720. Por ter nascido como peça de aula, o desenho repetido foi pensado para a mão aprender um gesto só.
O gesto é um arpejo (o acorde tocado nota por nota, de baixo para cima, em vez de todas juntas). No original, o primeiro compasso toca dó, mi, sol, dó e mi, do grave para o agudo.
Hoje a lição desce o trecho agudo uma oitava, para caber na região do meio do teclado. As cinco notas ficam: dó três, mi três, sol três, dó quatro (o dó central) e mi quatro.
A ordem dentro do compasso tem duas metades iguais. Cada metade começa pelo dó três, sobe para o mi três e depois toca sol três, dó quatro e mi quatro, repetindo esse trio. São oito notas por metade, dezesseis no compasso.
O compasso inteiro cabe numa frase: duas notas graves que ficam, um trio agudo que se repete, tudo duas vezes. Quem guarda essa frase guarda os 35 compassos. |
O detalhe que faz o som ficar cheio está nas duas primeiras notas. Na partitura de Bach, o dó e o mi graves não são soltos depois de tocados: eles continuam soando, segurados pelos dedos, enquanto o trio de cima corre.
Para fixar o desenho, faça o primeiro compasso em três tarefas.
Passo 1: toque só o trio de cima, sol, dó e mi, duas vezes seguidas, e repita até a mão fazer sem olhar.
Passo 2: acrescente o dó e o mi graves antes do trio e mantenha os dois afundados até o trio terminar.
Passo 3: toque a metade completa duas vezes, sem parar entre elas, e conte oito notas em cada uma.
Com o primeiro compasso na mão, o segundo já está aprendido pela metade. Nele, Bach troca o acorde para ré menor com dó no baixo, e as notas viram dó, ré, lá, ré e fá, na mesma ordem de sempre.
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