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ED 063
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1 nota grave por compasso, 4 acordes tocados

Leia a letra da cifra, ache a nota que dá nome ao acorde e segure ela embaixo por quatro tempos enquanto a direita toca o bloco.

Diagrama do teclado com o acorde de dó na direita e as três notas graves dó, fá e sol marcadas na esquerda

Uma tecla grave sob cada acorde

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O banco rangeu quando o corpo se inclinou para a esquerda, e a madeira da tampa ainda estava morna do sol da tarde. Na estante, a folha impressa trazia quatro letras grandes acima da pauta: C, F, G e C.

A mão direita já sabia o desenho dos três acordes. Dó, mi e sol juntos no primeiro compasso. Dó, fá e lá no segundo. Si, ré e sol no terceiro. E de volta ao dó, mi e sol no último.

A mão esquerda, porém, estava no colo, imóvel, com os dedos apoiados no tecido da calça. Ela não sabia o que fazer, e cada tentativa de colocar a esquerda no teclado terminava com a direita perdendo o acorde.

O problema parecia grande. Tocar com as duas mãos dá a impressão de exigir duas músicas ao mesmo tempo, uma em cima e outra embaixo, cada uma com o seu ritmo.

Só que a folha já trazia a resposta escrita, e ela estava naquelas quatro letras. A letra C nomeia o acorde de dó. A letra F nomeia o de fá. A letra G nomeia o de sol.

Esse sistema de letras tem nome no ofício: cifra (a letra impressa acima da pauta que diz qual acorde soa naquele trecho). Cada letra aponta para uma nota só, a que dá nome ao acorde inteiro.

Se a direita toca o bloco de três notas, a esquerda pode tocar apenas aquela letra, uma tecla grave, e ficar parada por todo o compasso. Uma nota, quatro tempos, e a troca só acontece quando a letra muda.

O acompanhamento mais simples do teclado cabe numa regra curta: leia a letra, ache a tecla grave com esse nome, aperte no tempo 1 e segure até a barra seguinte.

A lição de hoje ensina a ler as letras da cifra, a encontrar cada nota grave e a trocar a esquerda a cada compasso enquanto a direita toca os quatro acordes.

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I  A Lição de Hoje

A letra que dá nome ao acorde

Toda cifra começa por uma letra maiúscula, e as letras seguem o alfabeto da música em inglês. A é lá, B é si, C é dó, D é ré, E é mi, F é fá e G é sol.

A letra sozinha indica um acorde maior. Um C quer dizer dó maior. Quando vem um m minúsculo colado, como em Am, o acorde fica menor (o de som mais fechado), mas a letra que nomeia a nota grave continua a mesma: lá.

Essa letra aponta para a fundamental (a nota que dá nome ao acorde e serve de chão para as outras). No acorde de dó, a fundamental é o dó. No de fá, é o fá. No de sol, é o sol.

A mão direita toca a tríade (o acorde de três notas empilhadas). A esquerda toca só a fundamental, uma oitava ou mais abaixo, e o ouvido junta tudo num som só, cheio e firme.

Por que a fundamental, e não outra nota do acorde? Porque é a nota que o ouvido usa para reconhecer o acorde. Com ela no grave, o bloco de cima soa estável, sem a sensação de que algo ficou pendurado.

A cifra não pede que a esquerda aprenda um acorde novo: ela pede uma tecla só, a que tem o nome da letra. Quem sabe achar sete teclas brancas já sabe acompanhar.

Há ainda uma marca que confunde no começo: a barra. Às vezes a cifra aparece escrita como C/E. A letra depois da barra indica a nota grave pedida no lugar da fundamental. Na progressão de hoje não há barra nenhuma, então a regra vale inteira.

O compasso (a caixinha de tempos entre duas barras verticais da pauta) aqui tem quatro tempos. A letra fica escrita sobre o primeiro tempo, e é nesse instante que a esquerda desce.

A nota grave, então, dura uma semibreve (a figura que vale quatro tempos). Ela entra junto com o acorde da direita e só sai quando a próxima letra aparece.

Para preparar a leitura, faça três tarefas antes de tocar.

Passo 1: circule a lápis cada letra da cifra na folha e escreva embaixo o nome em português: dó, fá, sol, dó.

Passo 2: procure no teclado as três teclas graves com esses nomes, à esquerda do dó central, e toque cada uma devagar.

Passo 3: desenhe uma seta da letra até a barra seguinte, para lembrar que a nota grave atravessa o compasso inteiro.

Com as letras traduzidas na folha, o olho para de ver um código e começa a ver três teclas.

 
 

II  O Erro que Trava

A esquerda que corre atrás da direita

O erro que trava aparece no instante da troca de acorde. A direita muda de bloco no tempo 1, a esquerda ainda está procurando a tecla nova, e a nota grave chega atrasada meio tempo.

O resultado soa como um tropeço. O acorde de cima já é fá, mas embaixo ainda soa o dó do compasso anterior, ou soa nada. Por um instante, as duas mãos tocam músicas diferentes.

A origem do atraso é a ordem em que o olho lê. Quem está começando olha primeiro para a direita, porque o bloco de três notas parece mais difícil, e só depois lembra da esquerda.

Um segundo erro é o da esquerda inquieta. O aluno sente que uma nota parada por quatro tempos é pouco, e começa a bater a tecla grave em cada tempo, um, dois, três, quatro.

As batidas parecem dar mais vida, mas puxam a atenção. A direita perde a firmeza, a contagem acelera, e o acompanhamento fica pesado, com quatro ataques graves em cada compasso.

Existe ainda o erro da tecla errada. Na pressa, o mindinho cai no mi grave em vez do fá, porque as duas brancas ficam coladas, sem tecla preta entre elas.

A troca da esquerda se prepara um tempo antes: no tempo 4, o olho já está na próxima letra e a mão já flutua sobre a tecla nova. A nota grave desce no tempo 1 junto com o acorde, nunca depois dele.

O truque do olho adiantado é velho entre pianistas. Enquanto uma mão segura, o olhar caminha para o compasso seguinte e avisa o corpo do que vem.

Para o erro da tecla trocada, use as pretas como mapa. O fá fica logo à esquerda do grupo de três pretas. O dó fica logo à esquerda do grupo de duas. O sol fica entre a primeira e a segunda preta do grupo de três.

Com esses três endereços, a mão encontra a fundamental pelo tato, sem precisar olhar para baixo a cada troca.

Correção 1: no tempo 4 de cada compasso, leia a próxima letra e diga baixinho o nome da nota grave.

Correção 2: aperte a tecla grave uma única vez, no tempo 1, e mantenha o dedo afundado até a barra seguinte.

Correção 3: antes de apertar, encoste o dedo na preta vizinha para confirmar o endereço da tecla branca.

Com a leitura adiantada e um só ataque, a esquerda deixa de correr e passa a chegar junto.

 

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III  A Mão Esquerda

Dó, fá, sol e dó de volta

A mão esquerda fica hoje na região do dó três (o dó uma oitava abaixo do dó central). As três fundamentais da progressão, dó, fá e sol, estão todas dentro dessa oitava.

Pouse o mindinho esquerdo, dedo 5, no dó três. O indicador, dedo 2, fica sobre o fá, e o polegar, dedo 1, sobre o sol. A mão não precisa sair do lugar em nenhuma troca.

A direita fica no dó central. No primeiro compasso, ela toca dó, mi e sol com os dedos 1, 3 e 5. No segundo, dó, fá e lá com os dedos 1, 2 e 4. No terceiro, si, ré e sol com os dedos 1, 2 e 5.

O exercício tem quatro compassos de quatro tempos. Em cada um, a direita toca o acorde inteiro no tempo 1 e segura, e a esquerda faz a mesma ação com a fundamental da letra escrita.

Comece com a esquerda sozinha e o metrônomo a 60. Dó no compasso 1, fá no 2, sol no 3, dó no 4. Uma nota por compasso, quatro tempos cada, contados com a boca.

Depois junte as mãos. No tempo 1 de cada compasso, as duas descem no mesmo instante, acorde em cima e fundamental embaixo, e ficam paradas até a próxima letra.

Quando a esquerda troca só no tempo 1 e a direita troca junto, as duas mãos tocam a mesma música, com uma tecla grave e três agudas de cada vez.

No terceiro compasso, o sol da esquerda fica perto da mão direita. Se as mãos se apertarem, desça a esquerda uma oitava e use o sol dois, que soa mais grave e deixa espaço livre.

Quando os quatro compassos saírem sem atraso, repita a sequência em ciclo, sem parar entre as voltas. O último dó leva de novo ao primeiro, e a progressão gira sozinha.

Tempo 1: metrônomo a 60, só a esquerda, dó, fá, sol e dó, uma tecla por compasso.

Tempo 2: as duas mãos juntas, acorde e fundamental no tempo 1, quatro tempos parados.

Tempo 3: suba para 72 e toque a progressão quatro vezes seguidas, sem pausa entre as voltas.

“Em qual troca de letra a sua mão esquerda chegou atrasada?”

Teste hoje: toque os quatro compassos três vezes seguidas, com o celular gravando o som. Ouça a gravação e conte em quantas trocas a nota grave entrou depois do acorde. O esperado é zero em doze trocas; três ou mais indicam que o olho ainda não lê a letra no tempo 4.

 
 
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BSol três
CDó três
DMi três

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