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Tocar as notas de um acorde uma depois da outra se chama arpejo (do italiano arpeggio, tocar como uma harpa). Na harpa, o músico raramente belisca todas as cordas juntas; ele passa os dedos por elas em sequência, e o acorde aparece aos poucos.
No teclado, o arpejo na mão esquerda virou o acompanhamento mais comum da música para piano. O nome mais famoso ligado a ele é o de Domenico Alberti, cravista veneziano do começo do século 18. As sonatas dele, impressas em Londres pelo editor John Walsh em 1748, usam a mão esquerda em notas soltas de um acorde, sem parar, sob a melodia.
O desenho de Alberti tem quatro notas e vai e volta: dó, sol, mi, sol. Ele ficou tão associado ao compositor que ganhou o apelido de baixo de Alberti, usado até hoje nos livros de harmonia. Mozart e o jovem Beethoven escreveram páginas inteiras com ele.
O arpejo de hoje é a versão mais simples: três notas, sempre subindo, uma por tempo. Dó, mi e sol ficam na oitava abaixo do dó central, a região grave onde a mão esquerda mora.
Três notas pedem um compasso de três tempos, o compasso ternário (a divisão da música em grupos de três batidas, a mesma da valsa). O dó cai no primeiro tempo, o tempo forte. O mi cai no segundo. O sol cai no terceiro. Depois o dó volta e o ciclo recomeça.
Essa coincidência entre número de notas e número de tempos tem uma vantagem: o dó grave sempre coincide com o tempo forte. O ouvido sente o começo de cada compasso pela nota mais grave, e a mão esquerda passa a marcar o compasso sozinha.
Em cima, a direita segura o mi acima do dó central durante o compasso inteiro, três tempos sem soltar. A melodia parada serve de referência para o ouvido: uma nota longa e imóvel deixa qualquer pressa da esquerda à mostra.
A esquerda toca o acorde nota a nota, e o dó grave cai sempre no primeiro tempo do compasso. |
1. Ligar o metrônomo em 60 batidas por minuto, uma batida por segundo.
2. Mão direita: apoiar o dedo no mi acima do dó central e segurar a tecla no fundo.
3. Mão esquerda: tocar dó, mi e sol graves, uma nota a cada clique, contando um, dois, três.
4. Repetir oito compassos sem parar, com o dó sempre no clique do um.
5. No quinto compasso, conferir se o mi da direita ainda está soando e se a esquerda não ganhou velocidade.
O passo cinco é o termômetro do exercício. O mi longo some aos poucos no piano digital, como no acústico, e essa queda natural do som ajuda a ouvir o grave com mais clareza nos últimos tempos.
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