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A cifra (o papel com a letra da música e o nome dos acordes escritos em cima das sílabas) de Asa Branca usa letras para os acordes. G é sol, C é dó, D é ré. O D aparece várias vezes ao longo da letra, mas só um deles travou a mão na noite anterior.
Esse D específico recebe a anotação. Os outros ficam limpos. A marca funciona como placa de estrada: aparece só na curva perigosa, e assim o olho a enxerga sem procurar.
O ré maior na mão direita é uma tríade (acorde de três notas empilhadas): ré, fá sustenido e lá, logo acima do dó central. O dedilhado (a escolha de qual dedo toca cada tecla) que resolve a troca é 1, 3, 5: polegar no ré, médio no fá sustenido, mínimo no lá.
A escrita segue a ordem das teclas, de baixo para cima. Os três algarismos vão empilhados ou em fila, 1, 3, 5, bem pequenos, colados em cima da letra D, sem invadir a sílaba da letra da música logo abaixo.
O dedilhado que resolveu a troca vai escrito a lápis em cima do acorde que travou, no próprio papel da cifra, e em nenhum outro lugar. |
O lugar importa tanto quanto o número. Num caderno separado, a anotação obriga o olho a sair da cifra no instante da troca, e o tempo da música não espera. Em cima da letra D, a resposta chega ao olho junto com o acorde.
O lápis também tem motivo. O dedilhado anotado numa noite pode mudar na seguinte, quando a mão descobre um caminho mais curto, e o grafite sai com a borracha sem estragar o papel. Caneta congela a primeira tentativa, certa ou errada.
O momento da escrita fecha o método. A anotação nasce no fim da sessão, depois que a troca saiu limpa pelo menos três vezes seguidas, e nunca antes: número escrito no meio da dúvida grava a dúvida.
Passo 1: no fim do estudo, circule com o dedo o acorde onde a mão parou e confira qual era a troca, de onde a mão vinha e para onde ia.
Passo 2: toque só a troca, sol para ré, devagar, até achar o dedilhado que encaixa sem olhar para o teclado.
Passo 3: repita a troca com esse dedilhado três vezes seguidas sem erro.
Passo 4: escreva a lápis, em cima daquele D, os três algarismos, 1, 3, 5, e feche o caderno da cifra.
Na noite seguinte, o olho chega ao D marcado e lê a resposta e a mão nem chega a hesitar. Quando a troca passa a sair sem a leitura, a borracha apaga os três algarismos: a cifra limpa vira o registro de que a mão aprendeu.
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