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ED 072
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3 números a lápis no acorde de ré

Anote o dedilhado só no acorde que travou, no próprio papel da cifra, e o recomeço da noite seguinte parte dali.

Teclado com o acorde de ré maior na mão direita, ré, fá sustenido e lá, e o ré grave na mão esquerda

Ré maior na mão direita: dedilhado 1, 3, 5

▼
 

O grafite rangeu baixinho no papel da cifra, três algarismos curtos escritos em cima de uma letra D, e a borracha ficou parada na estante do teclado, esperando.

Na noite anterior, a mesma cifra de Asa Branca tinha parado ali. A mão direita vinha firme no acorde de sol, o verso seguia, e na troca para o ré os dedos chegaram tortos, um deles pousado na tecla vizinha. O som saiu azedo, a mão congelou no ar e o trecho voltou para o primeiro compasso.

Asa Branca, a toada de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira gravada por Gonzaga em 1947, cabe em três acordes na versão para iniciante: sol, dó e ré, revezando pela letra inteira. Com tão pouco material, a música parece fácil, e a armadilha mora justamente nessa aparência.

O tropeço de quem estuda sozinho raramente se espalha pela música. Ele mora num ponto só, quase sempre numa troca de acorde, e volta no mesmo lugar toda noite. A lembrança do erro fica; a solução encontrada some com o sono.

No dia seguinte, a mão chega ao mesmo ré sem saber com qual dedo começar. Hesita, testa um arranjo, erra de novo, e o leitor faz o gesto mais caro do estudo: volta ao começo da música para pegar embalo.

Esse recomeço cobra caro. Para alcançar o ponto que travou, a mão toca outra vez os compassos que já sabia, gasta atenção onde ela sobrava e chega cansada ao único lugar onde a atenção fazia falta.

A saída cabe num lápis. Três algarismos escritos sobre o acorde certo, no próprio papel da cifra, guardam de uma noite para a outra a resposta que a mão encontrou a duras penas.

A lição de hoje mostra onde escrever esses números e por que o lápis vence a caneta e a memória, depois o erro de anotar a cifra inteira, e por fim a marca que a mão esquerda ganha embaixo do ré grave.

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I  A Lição de Hoje

O 1, 3, 5 em cima do ré

A cifra (o papel com a letra da música e o nome dos acordes escritos em cima das sílabas) de Asa Branca usa letras para os acordes. G é sol, C é dó, D é ré. O D aparece várias vezes ao longo da letra, mas só um deles travou a mão na noite anterior.

Esse D específico recebe a anotação. Os outros ficam limpos. A marca funciona como placa de estrada: aparece só na curva perigosa, e assim o olho a enxerga sem procurar.

O ré maior na mão direita é uma tríade (acorde de três notas empilhadas): ré, fá sustenido e lá, logo acima do dó central. O dedilhado (a escolha de qual dedo toca cada tecla) que resolve a troca é 1, 3, 5: polegar no ré, médio no fá sustenido, mínimo no lá.

A escrita segue a ordem das teclas, de baixo para cima. Os três algarismos vão empilhados ou em fila, 1, 3, 5, bem pequenos, colados em cima da letra D, sem invadir a sílaba da letra da música logo abaixo.

O dedilhado que resolveu a troca vai escrito a lápis em cima do acorde que travou, no próprio papel da cifra, e em nenhum outro lugar.

O lugar importa tanto quanto o número. Num caderno separado, a anotação obriga o olho a sair da cifra no instante da troca, e o tempo da música não espera. Em cima da letra D, a resposta chega ao olho junto com o acorde.

O lápis também tem motivo. O dedilhado anotado numa noite pode mudar na seguinte, quando a mão descobre um caminho mais curto, e o grafite sai com a borracha sem estragar o papel. Caneta congela a primeira tentativa, certa ou errada.

O momento da escrita fecha o método. A anotação nasce no fim da sessão, depois que a troca saiu limpa pelo menos três vezes seguidas, e nunca antes: número escrito no meio da dúvida grava a dúvida.

Passo 1: no fim do estudo, circule com o dedo o acorde onde a mão parou e confira qual era a troca, de onde a mão vinha e para onde ia.

Passo 2: toque só a troca, sol para ré, devagar, até achar o dedilhado que encaixa sem olhar para o teclado.

Passo 3: repita a troca com esse dedilhado três vezes seguidas sem erro.

Passo 4: escreva a lápis, em cima daquele D, os três algarismos, 1, 3, 5, e feche o caderno da cifra.

Na noite seguinte, o olho chega ao D marcado e lê a resposta e a mão nem chega a hesitar. Quando a troca passa a sair sem a leitura, a borracha apaga os três algarismos: a cifra limpa vira o registro de que a mão aprendeu.

 
 

II  O Erro que Trava

Recomeçar do primeiro compasso

O erro mais comum depois de um tropeço é recomeçar a música inteira. A mão erra o ré no meio do segundo verso, o leitor volta à introdução e toca de novo os versos já firmes, só para chegar ao ponto fraco com embalo.

O embalo engana. A mão chega rápida ao D, no andamento da parte fácil, e encontra a troca difícil sem tempo de pensar. O erro se repete, e o leitor volta mais uma vez ao começo. Em vinte minutos de estudo, a troca recebe três ou quatro tentativas e a introdução recebe dez.

A segunda versão do erro é anotar demais. Com o lápis na mão, a tentação é escrever dedilhado em cima de cada acorde da cifra, inclusive nos que a mão já toca sem pensar.

O papel cheio de números deixa de servir. O olho passa a pular as marcas porque todas parecem iguais, e o algarismo do D difícil se perde entre vinte outros. A marca única perdeu a força de placa.

Uma terceira versão aparece em quem anota fora do lugar: na margem, no rodapé, num papel avulso preso com clipe. A anotação existe, mas mora longe do acorde, e na hora da troca ninguém desvia o olho para a margem.

A anotação a lápis serve para o recomeço partir do acorde marcado: quem volta à introdução depois de anotar desperdiça a marca.

A correção muda o ponto de partida do estudo. A noite seguinte começa dois compassos antes do D marcado, nunca na introdução. Dois compassos dão à mão o tempo de entrar no acorde de sol e preparar a troca, sem o andamento acelerado da parte fácil.

Correção 1: encontre na cifra o D anotado e conte dois compassos para trás; marque esse ponto com um tracinho vertical a lápis.

Correção 2: comece o estudo no tracinho e toque até o fim do verso, cinco vezes, com a mão lendo os algarismos sobre o D.

Correção 3: só depois das cinco passagens limpas, toque a música inteira desde a introdução, uma vez, para conferir a troca no andamento real.

Correção 4: se a cifra já tiver outras anotações antigas, apague as dos acordes que a mão domina e deixe só a do acorde que travou.

O resultado aparece na proporção do treino. Nos mesmos vinte minutos, a troca do sol para o ré recebe quase todas as tentativas, e a introdução, que nunca deu problema, fica com uma só.

 

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III  A Mão Esquerda

Um 5 embaixo do ré grave

A mão esquerda de Asa Branca, na versão para iniciante, toca uma nota só por acorde: a fundamental (a nota que dá nome ao acorde). No sol, ela toca o sol grave; no ré, ela toca o ré grave, uma oitava abaixo do ré da mão direita.

A troca da esquerda acontece junto com a da direita, e as duas brigam pela mesma atenção. Quando a direita ganha a marca a lápis e a esquerda não, o tropeço migra: a direita acerta o 1, 3, 5, e a esquerda erra a tecla do ré grave.

A posição da esquerda pede um arranjo simples. O polegar fica no sol grave e o mínimo no ré grave, quatro teclas brancas abaixo. Na troca, a mão não se move: só o dedo muda, do polegar para o mínimo.

A anotação da esquerda ganha um lugar próprio. Os números da direita vão em cima da letra D; o número da esquerda vai embaixo da linha da letra da música, sob a mesma sílaba. O olho aprende a regra num instante: em cima, mão direita; embaixo, mão esquerda.

No acorde que travou, o número da mão direita vai em cima da letra do acorde e o da mão esquerda vai embaixo da sílaba, os dois a lápis.

Embaixo daquele D, portanto, entra um 5 sozinho, o mínimo no ré grave. Um algarismo basta, porque a esquerda toca uma tecla só. Escrever a nota por extenso ocupa espaço e obriga a uma tradução na hora da troca.

O treino separa as mãos antes de juntá-las. A esquerda aprende a troca sozinha, do mesmo tracinho dois compassos antes, e só entra com a direita quando sai limpa.

Tempo 1: do tracinho até o fim do verso, só a mão esquerda, polegar no sol e mínimo no ré, cinco vezes, lendo o 5 embaixo do D.

Tempo 2: o mesmo trecho só com a mão direita, lendo o 1, 3, 5 em cima do D, cinco vezes.

Tempo 3: as duas mãos juntas, devagar, com o olho descendo do número de cima para o de baixo no instante da troca.

No Tempo 3, a leitura dos dois números leva menos de um segundo, e a mão esquerda passa a chegar ao ré grave junto com o acorde da direita. Quando as duas trocas saírem sem olhar o papel, os dois registros saem com a borracha, primeiro o de baixo, depois o de cima.

Teste hoje: comece Asa Branca dois compassos antes do D marcado e toque até o fim do verso cinco vezes seguidas, contando quantas vezes a mão hesitou na troca do sol para o ré. O esperado é a contagem cair de três ou quatro hesitações na primeira passagem para zero ou uma na quinta.

 
 
Quiz da edição

No acorde de ré maior da mão direita de Asa Branca, qual dedilhado a cifra recebe a lápis depois que a troca sai limpa três vezes seguidas?

A1, 2, 4
B2, 3, 5
C1, 3, 5
D1, 2, 5

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