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A contagem de entrada tem forma fixa. Para uma música em quatro tempos por compasso, como a Ode à Alegria da Nona Sinfonia de Ludwig van Beethoven, estreada em Viena em 7 de maio de 1824, a pessoa diz em voz alta “um, dois, três, quatro”, no ritmo exato em que a melodia vai andar. A primeira tecla cai no “um” seguinte, sem pausa e sem pressa.
O compasso (o grupo de tempos que se repete do começo ao fim da música) é a unidade da contagem. Contar só dois tempos não basta: a mão ouve o começo do pulso, mas ainda não sentiu o ciclo fechar. Com quatro, o corpo percorre o compasso inteiro uma vez e reconhece quando ele recomeça.
A velocidade da contagem é a da música, nunca a da vontade. Se a partitura traz uma marcação de metrônomo, como semínima igual a 80 (oitenta batidas da nota de um tempo por minuto), a contagem segue esse número. Se não traz, a pessoa cantarola a primeira frase na cabeça e conta no passo em que a frase soa bem.
A marcação em números tem história curta. Johann Nepomuk Maelzel patenteou o metrônomo mecânico em 1815, e Beethoven publicou em 1817 as marcações de andamento das suas oito primeiras sinfonias, uma das primeiras vezes em que um compositor fixou a velocidade da obra em batidas por minuto.
A voz alta pesa no método. Contar só de cabeça deixa a contagem acelerar junto com a ansiedade, sem testemunha. Dita em voz alta, ela vira som, e o ouvido pega a pressa na hora em que ela aparece: o “três” chega antes do esperado e a pessoa percebe.
1. Escolher o andamento: cantarolar a primeira frase em silêncio e marcar o passo com o pé.
2. Dizer “um, dois, três, quatro” em voz alta, um número por batida do pé.
3. Apertar a primeira tecla no “um” do compasso seguinte, sem respirar entre o quatro e a nota.
4. Repetir a contagem toda vez que a peça recomeçar, mesmo depois de um erro no meio.
Quatro tempos ditos em voz alta decidem a velocidade da peça antes da primeira tecla soar. |
O passo quatro forma o hábito. Depois de um tropeço, a tendência é voltar ao começo e atacar a primeira nota na pressa da frustração. A contagem nesse momento desfaz a pressa e devolve a peça ao andamento combinado.
Na Ode à Alegria, a mão direita começa com o dedo 3 no mi e toca mi, mi, fá, sol, sol, fá, mi, ré, uma nota por tempo. Cada grupo de quatro notas preenche um compasso inteiro. A contagem de entrada tem exatamente o tamanho de cada grupo, então a mão já entra sabendo quanto dura cada nota.
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