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5 teclas brancas tocam Amazing Grace

O hino usa só cinco notas. Pouse a mão direita uma vez e a primeira frase inteira sai sem deslocar um dedo.

Diagrama do teclado com a primeira frase de Amazing Grace: sol, lá, dó, ré e mi marcados na mão direita e dó grave na esquerda

Cinco teclas, a frase inteira

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O metal frio da estante de partitura encostou no pulso quando a folha foi ajeitada, e o teclado ligado soltava aquele zumbido baixo de caixa de som esperando a primeira nota. Na folha, uma melodia de domingo, das que tocam em casamento, em culto e em despedida.

Era a Música do Domingo, a peça mais pedida por quem começa: Amazing Grace. Quase todo mundo já ouviu a melodia cantada devagar, com aquele ar de canção antiga que parece ter existido sempre.

O aluno olhou a partitura esperando dificuldade. Hinos costumam vir com quatro vozes, acidentes e sustenidos espalhados. Esta folha tinha uma linha só de notas, e uma linha estranhamente econômica.

Ao contar as notas diferentes da primeira frase, a conta parou em cinco. Sol, lá, dó, ré e mi. Nenhum fá. Nenhum si. Duas teclas brancas inteiras ficavam de fora, como se a melodia desviasse delas de propósito.

O desvio tem nome na teoria: escala pentatônica (a escala de cinco notas, sem os degraus que formam meio tom). Essa família de sons aparece em cantigas folclóricas da Escócia, do Japão e da África Ocidental, porque cinco notas sem meio tom quase nunca soam ásperas juntas.

Para quem está começando, a consequência é prática e imediata. Cinco notas cabem em cinco dedos. A mão direita pousa uma vez e não precisa se mover até a frase acabar.

Nada de passar o polegar por baixo, nada de abrir a mão em salto, nada de tecla preta. O trabalho fica todo na ordem dos dedos e na duração de cada sílaba cantada.

A lição de hoje monta a posição das cinco teclas e toca a primeira frase inteira, mostra o erro que faz o dedo cair no si sem querer e coloca a mão esquerda segurando um dó grave por baixo.

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I  A Lição de Hoje

Sol, lá, dó, ré e mi

Amazing Grace é um hino com letra do pastor inglês John Newton, publicado em 1779 na coletânea Olney Hymns (Hinos de Olney, o vilarejo onde ele pregava). Newton escreveu o texto, mas não a música: a melodia que todo mundo conhece só se juntou à letra décadas mais tarde.

A união aconteceu nos Estados Unidos. Em 1835, o compilador William Walker publicou a letra de Newton com uma melodia chamada New Britain (Nova Bretanha) no hinário The Southern Harmony (A Harmonia do Sul).

Ninguém sabe quem compôs New Britain. A primeira impressão conhecida, de 1829, já sai sem compositor, e a melodia circulava como canção popular do sul americano, passada de ouvido antes de ir para o papel.

A melodia é pentatônica do começo ao fim. Em dó maior, ela usa dó, ré, mi, sol e lá, e pula o fá e o si em todas as frases.

Para a lição, a frase fica na região do meio do teclado. A nota mais grave é o sol três, logo abaixo do dó central, e a mais aguda é o mi quatro.

Pouse a mão direita assim: polegar (dedo 1) no sol três, indicador (dedo 2) no lá três, médio (dedo 3) no dó quatro, anelar (dedo 4) no ré quatro e mínimo (dedo 5) no mi quatro.

Repare no vão entre o indicador e o médio. Ali mora o si três, a tecla que a melodia nunca pede. A mão fica levemente aberta nesse ponto, e os outros dedos encostam em teclas vizinhas.

Uma posição, nove notas, zero deslocamento: a mão direita pousa no sol três e toca a frase inteira sem levantar do lugar.

O verso que abre o hino é o que a primeira frase canta: “Amazing grace! (how sweet the sound)”, ou “Graça maravilhosa, como é doce o som”, escreveu John Newton em Olney Hymns, 1779.

A música corre em compasso ternário (três tempos por compasso, o balanço da valsa). Cada sílaba ganha uma nota, e algumas ganham duas.

Passo 1: “A” no sol três, dedo 1, curto, como anacruse (a nota de entrada que vem antes do primeiro tempo forte).

Passo 2: “ma” no dó quatro, dedo 3, longo, valendo dois tempos.

Passo 3: “zing” em duas notas rápidas, mi e dó, dedos 5 e 3.

Passo 4: “grace” no mi quatro, dedo 5, longo, e “how” no ré quatro, dedo 4, curto.

Passo 5: “sweet” no dó quatro, dedo 3, longo, “the” no lá três, dedo 2, e “sound” no sol três, dedo 1, segurado até o compasso acabar.

Contando, são nove notas em ordem: sol, dó, mi, dó, mi, ré, dó, lá, sol. A frase sai do polegar e volta para ele, e a mão desenha um arco que sobe até o mínimo e desce até o ponto em que começou.

 
 

II  O Erro que Trava

O dedo que cai no si

O erro que trava aparece na sílaba “zing”. As duas notas rápidas, mi e dó, pedem que o mínimo e o médio se alternem depressa, e a mão do iniciante costuma tentar o movimento com um dedo só.

Quando um dedo só tenta tocar mi e dó, ele precisa pular por cima do ré. No salto, a mão sai da posição. Na volta, o médio, que deveria cair no dó quatro, aterrissa uma tecla abaixo, no si três.

O si soa estranho na hora. Ele forma meio tom com o dó (a menor distância entre duas teclas do piano), e a melodia, que vinha toda em passos largos e macios, ganha uma nota áspera no meio da palavra.

Um segundo erro vem da pressa na nota longa. O “ma” vale dois tempos, e o “grace” também. O iniciante solta o dedo na metade, e a frase vira uma fileira de notas iguais, sem o balanço de valsa que o hino pede.

Há ainda o erro de olhar para as teclas a cada nota. Com cinco teclas fixas, o olho não tem o que procurar. Quando ele desce, a cabeça abaixa, o ombro trava e a nota seguinte chega atrasada.

A posição só funciona se cada dedo tiver a sua tecla: o 3 é do dó, o 5 é do mi, e nenhum dos dois vai buscar a nota do vizinho.

Existe um jeito físico de achar a posição sem olhar. O ré quatro fica entre as duas teclas pretas do grupo de duas, o dó sustenido e o ré sustenido. Encostar a lateral do anelar nessas pretas devolve a mão inteira ao lugar.

O polegar confirma pelo outro extremo. O sol três fica entre a primeira e a segunda tecla preta do grupo de três logo abaixo do dó central, e o dedo sente as duas bordas sem precisar da vista.

Correção 1: antes de tocar, apoie os cinco dedos nas cinco teclas e aperte todas juntas, de leve, para a mão sentir o formato.

Correção 2: treine só o “zing” dez vezes seguidas, mínimo no mi e médio no dó, alternando sem levantar o pulso.

Correção 3: conte baixinho “um, dois” em cada nota longa e só solte o dedo quando chegar o três.

Com cada dedo dono da sua tecla, o si deixa de aparecer, e a frase corre do sol ao sol sem nota áspera no caminho.

 

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III  A Mão Esquerda

O dó que sustenta a frase

Amazing Grace soa completa com a melodia sozinha, mas um grave por baixo muda o peso da frase. Na versão desta lição, a mão esquerda toca uma tecla por compasso, e a primeira é o dó três, uma oitava abaixo do dó central.

Pouse o mínimo esquerdo (dedo 5) no dó três, e o sol três continua com o polegar da direita. Entre as duas mãos sobram três teclas brancas, ré, mi e fá, e a esquerda alcança todas sem esticar.

O tempo da esquerda é simples: ela entra no primeiro tempo forte de cada compasso, nunca na anacruse. O “A” de abertura sai só na direita, e a esquerda toca o dó junto com o “ma” e segura.

O dedo fica afundado pelos três tempos. No compasso do “grace”, o dó volta. No compasso do “sweet”, a harmonia pede fá, e o polegar esquerdo toca o fá três, quatro teclas acima do dó, sem a mão sair da posição.

A esquerda toca quatro notas na frase, dó, dó, fá e dó, e cada uma cai junto com uma nota longa da direita.

O fá da esquerda é uma das duas teclas que a melodia evita. A pentatônica pula o fá na voz de cima; por baixo, ele entra como alicerce e não briga com a direita, porque nesse compasso a direita toca dó e lá, notas do próprio acorde de fá.

No “sound”, a esquerda volta ao dó três junto com o sol da direita. As duas mãos terminam a frase em notas do acorde de dó, e o ouvido sente a frase pousar.

A gravação da cantora americana Judy Collins, de 1970, feita só com voz e coro, entrou entre as mais tocadas no Reino Unido e devolveu o hino ao rádio. O arranjo dela também deixa a melodia quase nua, apoiada em poucos graves.

Tempo 1: metrônomo a 72, e só a esquerda: dó, dó, fá, dó, uma nota por compasso, cada uma segurada pelos três tempos.

Tempo 2: as duas mãos juntas, devagar, com a esquerda entrando só no “ma”, nunca no “A”.

Tempo 3: toque a frase três vezes seguidas e suba para 84 quando nenhuma nota grave chegar antes ou depois da direita.

“Na sua mão, qual sílaba da frase ainda chama o dedo para o si?”

Teste hoje: toque a primeira frase cinco vezes seguidas sem olhar para o teclado, com os olhos na partitura ou fechados. Conte quantas vezes um dedo caiu no si ou em outra tecla fora das cinco. O esperado é zero em 45 notas; duas ou mais pedem três minutos da Correção 1 antes de seguir.

 
 
Quiz da edição

Em que ano o compilador William Walker uniu a letra de John Newton à melodia New Britain, publicando as duas juntas no hinário The Southern Harmony?

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Dez minutos hoje. Domingo a casa reconhece.

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