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O tropeço mais comum no teste nem é a nota errada. Acontece um instante antes dela: a mão chega ao dó agudo, a quinta nota, duvida da tecla, para meio segundo, confere com o olho e só então toca.
Na banqueta, essa parada parece cuidado. Na cozinha, ela apaga a música. O ouvinte reconhece uma melodia pelo ritmo (a duração de cada nota e o espaço entre elas) tanto quanto pela altura das notas, e a pausa no lugar errado troca o desenho rítmico que a memória dele guardou.
A psicóloga americana Diana Deutsch, professora em San Diego, na Califórnia, descreveu em The Psychology of Music, de 1982, como o ouvido agrupa as notas pelo tempo entre elas. Uma pausa longa no meio da frase corta a melodia em dois pedaços, e cada pedaço sozinho deixa de lembrar a música inteira.
Por esse motivo o resultado engana quem toca. A nota saiu certa, a mão confirmou a tecla, e mesmo assim a pessoa da pia responde “não sei” ou pede para ouvir outra vez. Do outro lado do corredor, chegaram cinco notas, um silêncio e mais uma, sem melodia nenhuma.
A segunda forma do mesmo erro é recomeçar a frase depois da nota trocada. O leitor erra o si, volta ao primeiro sol e toca tudo de novo. Para quem ouve de longe, a música gagueja, e a gagueira pesa mais que a nota errada.
Para quem ouve de outro cômodo, uma nota errada no tempo certo atrapalha menos que a nota certa depois de uma parada. |
A correção treina o pulso (a batida regular que sustenta a música) antes da precisão. O leitor aceita errar a tecla desde que chegue na hora, e a mão aprende que o compromisso dela é com o tempo.
1. Ligue o metrônomo (o aparelho que marca a batida) em 60 batidas por minuto, uma por segundo.
2. Toque as seis notas com o metrônomo, uma nota por batida, sem olhar o teclado.
3. Quando errar uma tecla, siga para a próxima na batida seguinte, sem voltar.
4. Repita até passar cinco vezes sem nenhuma parada, mesmo com nota errada no caminho.
5. Só então corrija as teclas trocadas, mantendo o metrônomo ligado.
Depois desse treino, o teste volta a ser feito. Com o pulso firme, a pessoa da cozinha costuma reconhecer a música mesmo quando uma nota sai torta, porque o desenho rítmico chega inteiro pelo corredor.
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