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A fita no terceiro dó
No teclado de 61 teclas, o dó central é a 15ª branca da esquerda, e dois centímetros de fita fixam onde a mão direita começa.
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A fita no dó central, o terceiro da esquerda
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A fita crepe sai do rolo com um estalo seco e deixa no dedo um cheiro leve de cola. Um pedaço de dois centímetros, rasgado com a unha, vai parar no painel logo acima de uma tecla branca, e daí em diante aquela tecla deixa de ser uma entre sessenta e uma.
O teclado digital mais comum entre quem começa tem 61 teclas, cinco oitavas completas e mais uma nota. Nele existem seis dós, e só um é o dó central, a nota que os métodos usam como casa da mão direita. Ele é o terceiro dó contando da ponta esquerda.
Quem liga o instrumento pela primeira vez costuma procurar o dó central no centro físico do teclado, embaixo da marca do fabricante. Parece lógico, e quase sempre erra por algumas teclas. A contagem pela esquerda não depende de logotipo, de modelo nem da largura do painel.
O apelido vem da partitura de piano, que usa duas pautas empilhadas (os conjuntos de cinco linhas onde as notas são escritas): a de cima serve à mão direita, a de baixo à esquerda. O dó central fica numa linhazinha extra desenhada só para ele, no vão entre as duas pautas, e pertence às duas mãos.
A fita resolve um problema prático. Sem marca, a mão direita pousa cada dia numa tecla um pouco diferente, e a mesma sequência de dedos produz outra melodia, deslocada uma ou duas teclas, sem que o ouvido de iniciante perceba logo. Numa frase curta, uma única tecla de desvio já troca a música, e o aluno passa a semana decorando a versão errada.
A lição de hoje conta os dós até o terceiro, cola a fita e treina a mão direita a sair sempre dali e voltar para lá. A primeira seção mostra a contagem tecla por tecla e onde a fita deve ficar.
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I A Lição de Hoje
O terceiro dó da esquerda
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No teclado de 61 teclas, a primeira tecla da esquerda já é um dó. Os fabricantes desenham o instrumento assim: começa num dó e termina num dó, cinco oitavas acima. Oitava é a distância entre uma nota e a próxima de mesmo nome, e cada oitava tem 12 teclas, sete brancas e cinco pretas.
Conte os dós a partir da ponta esquerda: o primeiro é a própria tecla da ponta, o segundo é a 8ª branca e o terceiro, a 15ª branca, é o dó central. Cole a fita ali, e a mão direita passa a ter endereço fixo. |
A contagem pelas brancas funciona sem olhar para as pretas. Com o indicador da mão direita, toque a primeira branca da esquerda e vá andando para a direita, uma branca por vez, contando baixinho. No oito, você está no segundo dó; no quinze, no dó central.
Nos teclados de 61 teclas ele não fica no centro exato. O instrumento tem 36 brancas, e o meio cai entre a 18ª e a 19ª, o fá e o sol logo acima do dó central. Por isso a mão que mira o centro do painel pousa três ou quatro brancas à direita do lugar certo.
A fita vai no painel logo acima da tecla, e não em cima dela. Na superfície onde o dedo toca, a cola esquenta com o atrito, descasca e deixa resíduo grudento. Fita crepe comum, de pintor, costuma sair limpa quando chega a hora de tirar, e um pedaço de dois centímetros basta.
Escreva na fita a letra C, que é como a notação em inglês chama o dó, ou o número 4. O 4 vem da notação científica (o sistema que numera as oitavas do piano de 88 teclas): no piano completo, o dó central é o quarto dó a partir da esquerda, e por isso se chama C4.
No teclado de 61 teclas, o dó central é a 15ª branca da esquerda, o terceiro dó, e não a tecla sob a marca do fabricante. |
“Esforça-te por tocar bem e com beleza as peças fáceis; é melhor do que tocar medianamente as difíceis.” Robert Schumann, Regras de vida e de música para jovens músicos, 1850 |
Schumann escreveu essas regras para acompanhar o Álbum para a Juventude, sua coleção de peças curtas para iniciantes, e várias delas começam perto do dó central. O conselho serve à fita: a frase de hoje tem só cinco notas, e o ganho está em tocá-las sempre do mesmo lugar.
Passo 1: polegar direito na fita, toque dó, ré, dó, mi, dó com os dedos 1, 2, 1, 3, 1, metrônomo a 60, seis vezes.
Passo 2: tire a mão do teclado, apoie no colo e volte pousando o polegar direto na tecla da fita, sem procurar as pretas. Dez pousos.
Passo 3: combine os dois: pouso, frase de cinco notas, mão no colo, novo pouso. Oito rodadas.
O passo 2 é o que cria o endereço. A mão aprende a distância entre o colo e a fita como aprende onde fica o interruptor do quarto no escuro, pela repetição do caminho.
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II O Erro que Trava
O botão que muda a oitava
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O erro que trava é colar a fita no lugar certo e ouvir a nota errada: o teclado está com a oitava deslocada, e o terceiro dó da esquerda soa uma oitava acima ou abaixo do dó central. A mão está certa; o som, não. |
Muitos teclados digitais de 61 teclas têm dois botões marcados Octave (oitava, em inglês), às vezes só com os sinais + e -. Eles sobem ou descem a altura de todas as teclas juntas. Um toque acidental ao ligar o instrumento basta, e o teclado passa a soar doze teclas acima.
O visor costuma avisar com um número ao lado da palavra Octave, ou com uma luz acesa num dos botões. Na posição neutra, o número é zero e nenhuma luz fica acesa. Qualquer outro valor leva o som da tecla marcada para outro dó.
O Transpose (transposição, o ajuste que sobe ou desce o som em meios tons) causa um desvio parecido e mais traiçoeiro. Com transposição em +2, o polegar aperta o dó e o alto-falante devolve um ré. A frase mantém o desenho, só começa em outra nota, e quem acompanha um vídeo percebe que as duas versões não combinam.
A conferência usa um aplicativo afinador gratuito no celular. Toque a tecla da fita e leia a tela: tem que aparecer C4, perto de 262 Hz (hertz, vibrações por segundo). A norma ISO 16, publicada pela Organização Internacional de Normalização em 1975, fixa o lá de referência em 440 Hz, e com esse lá o dó central fica em 261,6 Hz.
Se a tela mostrar C5 ou C3, o problema é a oitava; se mostrar D4 ou outra letra, é a transposição. Os dois ajustes voltam ao zero pelos mesmos botões que os deslocaram. Em muitos modelos de entrada, desligar e ligar o teclado também devolve tudo à posição neutra.
O segundo erro nasce da própria fita. Com o tempo ela escorrega meia tecla, e o polegar passa a pousar na fenda entre o dó e o ré. Confira o alinhamento: a borda esquerda da fita deve coincidir com a fenda entre o si e o dó.
A fita garante onde a mão pousa; o botão de oitava em zero garante que o dó central soa como dó central. |
Faça a conferência completa no começo de cada sessão, antes da primeira nota: visor em zero, afinador marcando C4, fita alinhada. Leva menos de um minuto e evita uma semana inteira de treino na altura errada.
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