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ED 051
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A letra A mora no lá

Na cifra, A é lá, B é si e C é dó, e sete etiquetas nas teclas brancas deixam o primeiro acorde em letra pronto para tocar.

Diagrama do teclado com as sete letras da cifra nas teclas brancas: a mão direita cobre A, B, C, D e E a partir do lá, polegar no lá, e a mão esquerda cobre F e G logo abaixo

As sete letras da cifra, do lá ao sol

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A folha de cifra impressa ainda está morna da impressora quando pousa na estante do teclado, e o papel faz um estalo leve ao dobrar na borda. Em cima da letra da música, em vez de bolinhas na pauta, aparecem letras soltas: C, G, Am, F.

Quem aprendeu as notas pelo dó, ré, mi da escola olha para aquelas letras e faz a conta mais natural do mundo. A é a primeira letra do alfabeto, dó é a primeira nota da escala, então A deve ser dó. A conta parece segura e está errada.

Na cifra, a letra A é o lá. B é o si, C é o dó, D é o ré, E é o mi, F é o fá e G é o sol. O alfabeto musical tem só sete letras e começa duas teclas brancas abaixo do dó, no lá.

A diferença parece detalhe de nomenclatura, mas muda o som inteiro. Quem lê A como dó toca todas as notas duas teclas brancas acima. O acorde sai com outro formato, a mão fica tensa numa posição estranha e a música do vídeo não combina com a que sai do alto-falante.

O desencontro também não se corrige com o ouvido no começo. Para quem ainda não reconhece um acorde pelo som, a versão errada soa apenas diferente, e o aluno conclui que o problema é a própria mão.

As cifras aparecem em quase todo site de letras com acordes, em revistinhas de banca e nos arranjos de igreja. Quem domina as sete letras passa a ler milhares de músicas sem abrir uma partitura. Quem troca uma letra só erra todas elas pela mesma distância.

A solução cabe em sete pedaços de fita crepe, um para cada letra, colados no painel acima das teclas brancas. Depois de uma semana, as etiquetas saem e as letras ficam na mão.

A primeira seção mostra por que a contagem começa no lá e em que tecla cada letra fica.

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I  A Lição de Hoje

Sete letras para sete teclas brancas

O teclado repete um desenho fixo de sete teclas brancas do grave ao agudo, e cada branca desse desenho recebe uma letra de A a G. Depois do G, a sequência recomeça no A, uma oitava (a distância entre uma nota e a próxima de mesmo nome) acima.

Ache o dó, a branca à esquerda do par de pretas, e desça duas brancas: ali está o A, o lá. A partir dele, as letras sobem em ordem alfabética, uma por branca, até o G, o sol.

A contagem pelo lá tem origem medieval. O tratado Dialogus de musica (Diálogo sobre a música), escrito na Itália por volta do ano 1000, nomeou com as letras de A a G as notas da escala usada no canto das igrejas, e a mais grave dessa escala recebeu o A.

As sílabas dó, ré, mi vieram depois. Guido d'Arezzo, monge italiano, tirou as sílabas ut, ré, mi, fá, sol, lá do começo dos versos de um hino a São João, por volta de 1030, e o ut virou dó no século XVII, porque abre a boca melhor para cantar.

Os dois sistemas conviveram e cada um seguiu sua regra de partida. As sílabas ficaram presas à escala de dó, e as letras mantiveram o lá como primeira. Hoje a cifra usa as letras, o método de escola usa as sílabas, e o aluno precisa ligar as duas.

A letra que mais confunde é o C. Ela é a terceira do alfabeto e cai no dó, a nota que a maioria dos métodos usa como casa da mão direita. Guarde a âncora: C é dó, e o A mora duas brancas abaixo.

A cifra começa no lá: A é lá, B é si, C é dó, e o alfabeto musical acaba no G, o sol.

“Deves chegar ao ponto de compreender uma música só de vê-la no papel.”

Robert Schumann, Regras de vida e de música para jovens músicos, 1850

A cifra costuma ser o primeiro papel que o tecladista iniciante aprende a ler. Cada letra aponta uma tecla sem ambiguidade, desde que a letra certa esteja colada na branca certa.

Passo 1: escreva as sete letras em sete pedaços de fita crepe e cole cada um no painel, acima da branca correspondente, começando pelo A, o lá logo abaixo do dó central.

Passo 2: polegar direito no A e os outros dedos nas brancas seguintes: A, B, C, D, E, com os dedos 1, 2, 3, 4, 5. Suba e desça dizendo cada letra, metrônomo a 60, seis vezes.

Passo 3: feche os olhos, diga uma letra e pouse o dedo que corresponde a ela. Abra os olhos e confira na fita. Doze letras sorteadas.

 
 

II  O Erro que Trava

O C que vira ré

O erro que trava é ler a cifra pelo alfabeto da escola: A vira dó, B vira ré, C vira mi. Toda a música sobe duas teclas brancas, e os acordes deixam de ter o formato que o vídeo ou o professor mostra.

Se a letra A estiver no dó, todas as outras estão erradas pela mesma distância. Confira o lá antes de tocar a primeira cifra, e o resto se alinha sozinho.

O sintoma aparece no primeiro acorde. A cifra pede C, dó maior, três teclas brancas alternadas: dó, mi, sol. Quem lê C como mi toca mi, sol, si, um acorde menor, de som mais escuro, e sente que a música ficou triste sem motivo.

A segunda armadilha vem da Alemanha. Na notação alemã, a letra B indica o si bemol, a preta logo abaixo do si, e o si natural recebe a letra H. Métodos traduzidos do alemão e partituras de editoras alemãs usam H, e o aluno que vê um H numa folha pensa que é erro de impressão.

Johann Sebastian Bach usou a regra alemã para assinar música. As letras do sobrenome, B, A, C, H, formam em notação alemã a sequência si bemol, lá, dó, si, e ele colocou esse motivo na última fuga de A Arte da Fuga, deixada incompleta em 1750.

Na cifra brasileira de sites e revistas, a regra é a inglesa: B é si, sem bemol. O si bemol aparece escrito Bb, com a letrinha b (bemol, meio tom abaixo) logo depois. O sustenido, meio tom acima, vem com o sinal #, como em F#.

A terceira armadilha é a letra minúscula. Em Am, o m indica acorde menor, e a letra principal continua mandando: Am é lá menor, com as teclas lá, dó, mi. O m muda uma nota do acorde, nunca a tecla onde ele começa.

Na cifra, a letra maiúscula diz onde o acorde começa; o que vem depois dela só muda o som em volta.

A conferência leva menos de um minuto. Antes de tocar, aponte na fita a primeira letra de cada acorde da música e diga em voz baixa a sílaba correspondente: C, dó; G, sol; Am, lá.

 

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III  A Mão Esquerda

O fá e o sol logo abaixo

A mão direita cobre cinco letras, de A a E, e sobram duas: F e G. Elas ficam logo abaixo do A, no fá e no sol, e é ali que a mão esquerda pousa. As sete letras cabem nas duas mãos, cada uma debaixo de um dedo.

Na mão esquerda, o polegar fica no G, o sol, e o indicador no F, o fá. Os dois polegares ficam em teclas vizinhas, o sol e o lá, e as duas mãos ficam juntas no meio do teclado, sem se encostar.

A posição serve para tocar a primeira sequência de cifra desta lição: F, G, Am. Na primeira, a esquerda aperta o fá; na segunda, o sol; na terceira, a direita toca o lá menor com os dedos 1, 3, 5 sobre lá, dó, mi.

As três letras formam uma subida de baixo muito comum em música popular: fá, sol, lá. A esquerda anda uma tecla por vez, e a direita espera a vez dela no Am, sem mudar de lugar.

Tempo 1: esquerda sozinha, indicador no F e polegar no G, alternando fá e sol a cada clique do metrônomo a 60, dizendo a letra de cada tecla. Vinte cliques.

Tempo 2: a sequência completa, F, G, Am, quatro cliques para cada letra, a esquerda segurando as duas primeiras e a direita tocando o acorde na terceira. Seis rodadas.

Tempo 3: a mesma sequência lida no papel, sem olhar para as fitas: olho na cifra, dedo na tecla. Seis rodadas.

O tempo 3 revela se a letra já está na mão. Quando o olho foge da folha para o painel, a leitura ainda depende da etiqueta, e vale repetir o tempo 2 antes de tirar as fitas.

As etiquetas são provisórias. Quando a cifra F, G, Am sai sem olhar para o painel em quase todas as rodadas, tire as fitas uma por uma, começando pelas da mão esquerda. As letras continuam no mesmo lugar em qualquer teclado.

"Quantas letras da cifra a sua mão acha sem olhar para as fitas?"

Teste hoje: peça para alguém ditar dez letras de A a G, em ordem aleatória, e pouse o dedo na tecla de cada uma sem olhar para o painel. Conte os acertos. Com oito ou mais, as fitas podem sair; com menos, repita o passo 3 na próxima sessão e conte de novo.

 
 
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Quiz da edição

Na notação alemã, as letras do sobrenome de Bach, B, A, C, H, formam qual sequência de notas, usada por ele na última fuga de A Arte da Fuga?

Afá, lá, dó, mi
Bsi bemol, lá, dó, si
Csi, ré, dó, si bemol
Ddó, si, lá, fá

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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Amanhã nesta news

ED 052 · amanhã às 19:19

Olho na cifra, mão no tato

O relevo das teclas pretas leva a mão ao dó, ao sol, ao lá e ao fá, e o olho fica na folha por quatro…

 
 
 

Dez minutos hoje. Domingo a casa reconhece.

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