|
|
| {{subiu_orn | }} |
{{subiu_num | }} |
{{subiu_orn | }} |
{{subiu_caps | }}
{{subiu_linha | }}
|
|
A letra A mora no lá
Na cifra, A é lá, B é si e C é dó, e sete etiquetas nas teclas brancas deixam o primeiro acorde em letra pronto para tocar.
|
As sete letras da cifra, do lá ao sol
|
| ▼ |
| |
|
A folha de cifra impressa ainda está morna da impressora quando pousa na estante do teclado, e o papel faz um estalo leve ao dobrar na borda. Em cima da letra da música, em vez de bolinhas na pauta, aparecem letras soltas: C, G, Am, F.
Quem aprendeu as notas pelo dó, ré, mi da escola olha para aquelas letras e faz a conta mais natural do mundo. A é a primeira letra do alfabeto, dó é a primeira nota da escala, então A deve ser dó. A conta parece segura e está errada.
Na cifra, a letra A é o lá. B é o si, C é o dó, D é o ré, E é o mi, F é o fá e G é o sol. O alfabeto musical tem só sete letras e começa duas teclas brancas abaixo do dó, no lá.
A diferença parece detalhe de nomenclatura, mas muda o som inteiro. Quem lê A como dó toca todas as notas duas teclas brancas acima. O acorde sai com outro formato, a mão fica tensa numa posição estranha e a música do vídeo não combina com a que sai do alto-falante.
O desencontro também não se corrige com o ouvido no começo. Para quem ainda não reconhece um acorde pelo som, a versão errada soa apenas diferente, e o aluno conclui que o problema é a própria mão.
As cifras aparecem em quase todo site de letras com acordes, em revistinhas de banca e nos arranjos de igreja. Quem domina as sete letras passa a ler milhares de músicas sem abrir uma partitura. Quem troca uma letra só erra todas elas pela mesma distância.
A solução cabe em sete pedaços de fita crepe, um para cada letra, colados no painel acima das teclas brancas. Depois de uma semana, as etiquetas saem e as letras ficam na mão.
A primeira seção mostra por que a contagem começa no lá e em que tecla cada letra fica.
Continue lendo ↓
|
|
|
|
I A Lição de Hoje
Sete letras para sete teclas brancas
|
|
O teclado repete um desenho fixo de sete teclas brancas do grave ao agudo, e cada branca desse desenho recebe uma letra de A a G. Depois do G, a sequência recomeça no A, uma oitava (a distância entre uma nota e a próxima de mesmo nome) acima.
Ache o dó, a branca à esquerda do par de pretas, e desça duas brancas: ali está o A, o lá. A partir dele, as letras sobem em ordem alfabética, uma por branca, até o G, o sol. |
A contagem pelo lá tem origem medieval. O tratado Dialogus de musica (Diálogo sobre a música), escrito na Itália por volta do ano 1000, nomeou com as letras de A a G as notas da escala usada no canto das igrejas, e a mais grave dessa escala recebeu o A.
As sílabas dó, ré, mi vieram depois. Guido d'Arezzo, monge italiano, tirou as sílabas ut, ré, mi, fá, sol, lá do começo dos versos de um hino a São João, por volta de 1030, e o ut virou dó no século XVII, porque abre a boca melhor para cantar.
Os dois sistemas conviveram e cada um seguiu sua regra de partida. As sílabas ficaram presas à escala de dó, e as letras mantiveram o lá como primeira. Hoje a cifra usa as letras, o método de escola usa as sílabas, e o aluno precisa ligar as duas.
A letra que mais confunde é o C. Ela é a terceira do alfabeto e cai no dó, a nota que a maioria dos métodos usa como casa da mão direita. Guarde a âncora: C é dó, e o A mora duas brancas abaixo.
A cifra começa no lá: A é lá, B é si, C é dó, e o alfabeto musical acaba no G, o sol. |
“Deves chegar ao ponto de compreender uma música só de vê-la no papel.” Robert Schumann, Regras de vida e de música para jovens músicos, 1850 |
A cifra costuma ser o primeiro papel que o tecladista iniciante aprende a ler. Cada letra aponta uma tecla sem ambiguidade, desde que a letra certa esteja colada na branca certa.
Passo 1: escreva as sete letras em sete pedaços de fita crepe e cole cada um no painel, acima da branca correspondente, começando pelo A, o lá logo abaixo do dó central.
Passo 2: polegar direito no A e os outros dedos nas brancas seguintes: A, B, C, D, E, com os dedos 1, 2, 3, 4, 5. Suba e desça dizendo cada letra, metrônomo a 60, seis vezes.
Passo 3: feche os olhos, diga uma letra e pouse o dedo que corresponde a ela. Abra os olhos e confira na fita. Doze letras sorteadas.
|
|
|
|
|
II O Erro que Trava
O C que vira ré
|
|
O erro que trava é ler a cifra pelo alfabeto da escola: A vira dó, B vira ré, C vira mi. Toda a música sobe duas teclas brancas, e os acordes deixam de ter o formato que o vídeo ou o professor mostra.
Se a letra A estiver no dó, todas as outras estão erradas pela mesma distância. Confira o lá antes de tocar a primeira cifra, e o resto se alinha sozinho. |
O sintoma aparece no primeiro acorde. A cifra pede C, dó maior, três teclas brancas alternadas: dó, mi, sol. Quem lê C como mi toca mi, sol, si, um acorde menor, de som mais escuro, e sente que a música ficou triste sem motivo.
A segunda armadilha vem da Alemanha. Na notação alemã, a letra B indica o si bemol, a preta logo abaixo do si, e o si natural recebe a letra H. Métodos traduzidos do alemão e partituras de editoras alemãs usam H, e o aluno que vê um H numa folha pensa que é erro de impressão.
Johann Sebastian Bach usou a regra alemã para assinar música. As letras do sobrenome, B, A, C, H, formam em notação alemã a sequência si bemol, lá, dó, si, e ele colocou esse motivo na última fuga de A Arte da Fuga, deixada incompleta em 1750.
Na cifra brasileira de sites e revistas, a regra é a inglesa: B é si, sem bemol. O si bemol aparece escrito Bb, com a letrinha b (bemol, meio tom abaixo) logo depois. O sustenido, meio tom acima, vem com o sinal #, como em F#.
A terceira armadilha é a letra minúscula. Em Am, o m indica acorde menor, e a letra principal continua mandando: Am é lá menor, com as teclas lá, dó, mi. O m muda uma nota do acorde, nunca a tecla onde ele começa.
Na cifra, a letra maiúscula diz onde o acorde começa; o que vem depois dela só muda o som em volta. |
A conferência leva menos de um minuto. Antes de tocar, aponte na fita a primeira letra de cada acorde da música e diga em voz baixa a sílaba correspondente: C, dó; G, sol; Am, lá.
|
| |
|