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A mão parada em cinco teclas toca o Hino à Alegria
O polegar fica no dó, o mínimo no sol, e a melodia inteira sai sem a mão andar uma casa, com o número do dedo no lugar da partitura.
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Posição de cinco dedos: dó, ré, mi, fá e sol
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O tema que fecha a Nona Sinfonia de Beethoven, estreada em Viena em 7 de maio de 1824, tem uma característica que passa despercebida em quase toda execução: ele quase não anda. A melodia sobe uma tecla, desce uma tecla, e o maior salto do canto principal vai de mi até dó, com uma única tecla branca pulada no meio.
Do primeiro compasso ao último, o tema mora dentro de cinco notas vizinhas: dó, ré, mi, fá e sol. Cinco teclas brancas seguidas, sem nenhuma preta no caminho, num pedaço de teclado que mede pouco mais de um palmo.
A conta que sai daí é a parte prática da noite. Uma mão pousada cobre exatamente cinco teclas, um dedo em cada uma, e a melodia inteira já está debaixo dela antes de a primeira nota soar.
Cinco teclas parecem pouco, e a lista do que cabe nelas é longa. Muita melodia popular e muito tema clássico nasceram dentro de um intervalo de cinco notas, porque a voz humana canta confortável nessa faixa.
O que atrapalha não é a melodia, é o hábito de tratar cada nota como um endereço a procurar. O olho desce para conferir a tecla, a mão levanta, e o compasso segue sem esperar. Com os cinco dedos pousados, a tecla está debaixo do dedo antes de a nota chegar.
A troca é boa. O que era memória de lugar vira memória de ordem, e ordem cabe numa linha escrita num pedaço de papel apoiado na estante.
Nessa posição a partitura encolhe até virar uma fila de algarismos. Cada número é um dedo da mão direita, cada dedo já tem a sua tecla, e ler a música vira ler a ordem em que os dedos afundam.
A lição de hoje leva dez minutos e não pede nenhuma tecla nova. Começa pela fila de números do primeiro trecho, passa pelo miolo em que a melodia acelera, e termina com a mão esquerda pousada em duas teclas graves.
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I A Lição de Hoje
A melodia começa em 3 3 4 5
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A mão fica pousada em cinco teclas e a melodia inteira sai dali. Veja a fila de números que substitui a partitura.
Pouse a mão direita com o polegar no dó do meio e o mínimo no sol, um dedo por tecla branca, sem sobrar dedo no ar. Essa é a posição da noite inteira, e nenhum dedo sai dela até a lição acabar.
A partir daqui a melodia é uma fila de números, lida da esquerda para a direita. Cada número é um dedo da mão direita, e cada dedo já está apoiado na tecla que responde por ele.
O primeiro trecho inteiro cabe em quinze notas: 3 3 4 5, 5 4 3 2, 1 1 2 3, 3 2 2. Nenhuma tecla dessa fila fica fora do alcance da mão pousada, e nenhum dedo precisa se mexer para alcançar a nota seguinte.
O ritmo é quase todo em notas iguais, e a única variação mora no compasso final. O primeiro 3 dura um tempo e meio, o 2 seguinte é curto, e o último 2 segura dois tempos inteiros.
O segundo trecho repete os três primeiros compassos sem mudar uma nota. O que muda é o fecho: em vez de 3 2 2, ele sai 2 1 1, com o mesmo desenho de tempo, e a melodia pousa no dó em vez de ficar suspensa no ré.
O terceiro trecho é o miolo, e é onde a melodia parece acelerar. As notas ficam mais juntas, e a fila fica assim: 2 2 3 1, depois 2 3 4 3 1, depois 2 3 4 3 2, e o fecho 1 2 5.
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Repare no que acontece com a mão nesse trecho: nada. Os números continuam entre 1 e 5, o polegar continua no dó, o mínimo continua no sol, e a única coisa que muda é a ordem em que os dedos caem.
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O último número desse trecho merece uma nota de rodapé. Na escrita original de Beethoven a melodia desce para o sol abaixo do dó, fora do alcance da mão pousada. Aqui o sol sai do mínimo, uma oitava acima, e a frase fecha na mesma nota sem que a mão mude de lugar.
O quarto trecho é o segundo de novo, nota por nota. Somados, os quatro trechos dão dezesseis compassos, e nenhum deles pede uma sexta tecla.
Comece pelo primeiro trecho sozinho, em andamento de caminhada e com o som baixo. Quatro repetições seguidas, dizendo o número em voz alta enquanto a tecla afunda, e pare antes de emendar o trecho seguinte.
Uma frase por vez é a unidade de estudo, e não a melodia inteira. O trecho de quatro compassos sai igual duas vezes seguidas, e a repetição idêntica é o que a mão guarda.
Só depois junte dois trechos. Primeiro e segundo, quatro vezes; depois terceiro e quarto, quatro vezes; e a volta inteira só quando os pares saírem sem parada no meio.
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II O Erro que Trava
O fá sai com o 3 e a mão anda
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O fá sai tocado com o dedo do meio em vez do anelar. A mão desliza uma tecla para a direita para alcançar, o polegar perde o dó, e o compasso seguinte já começa no lugar errado.
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A causa é anatômica. O anelar divide tendão com os vizinhos e é o dedo menos independente da mão, então ele chega atrasado e a mão contrata o vizinho para cobrir a vaga.
O estrago não fica no fá. Com o 3 ocupado no fá, o sol sobra para o 4, o mínimo fica sem função, e a mão inteira anda uma tecla para a direita para manter os dedos alinhados.
A partir daí a fila de números mente. O 1 que devia cair no dó cai no ré, o trecho sai mais agudo que o resto, e a impressão é de erro de leitura quando o erro foi de posição.
O teste dispensa gravador e professor. O polegar é o vigia: se ele sair do dó em algum momento dos dezesseis compassos, mesmo sem afundar a tecla, a mão andou.
O anelar também chega mais fraco que os outros, e o fá sai com metade do volume das notas em volta. A diferença de volume avisa que o dedo está sendo empurrado pela mão em vez de cair pelo próprio peso.
O segundo desvio é o olho. Quem confere a tecla antes de cada nota gasta o tempo do compasso na conferência e chega tarde na nota seguinte, e com a mão pousada nenhuma tecla mudou de lugar desde a nota anterior.
O terceiro desvio é atacar os dezesseis compassos de uma vez na primeira noite. O miolo precisa de mais repetição que os outros três trechos, e ele não recebe nenhuma quando vem sempre no fim de uma volta.
O quarto desvio é a velocidade. O miolo tem duas notas por tempo em dois compassos, e é exatamente ali que o anelar atrasa; subir o andamento antes de o 4 estar firme grava o desvio junto com a melodia.
A correção é um exercício de três dedos, e ele vem antes da melodia. Toque 3 4 5 4 3 devagar, dez vezes, com o polegar apoiado no dó sem afundar, até o anelar chegar no mesmo volume dos vizinhos.
Depois volte para o compasso 3 3 4 5 sozinho, quatro vezes, sem emendar nada na frente. O fá com o 4 é a única coisa que interessa nessas quatro repetições.
O ganho aparece em duas ou três noites e dá para medir sem ajuda. A melodia sai na mesma altura da primeira à última volta, e o fá chega com o mesmo peso das notas em volta dele.
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