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ED 013

A mesma forma 1-3-5 percorre quatro acordes

Polegar, dedo do meio e mínimo ficam na mesma abertura e só trocam de casa: dó, sol, lá menor e fá, quatro batidas em cada acorde.

Diagrama das teclas com lá, dó e mi pressionadas pelos dedos 1, 3 e 5, e sol, si e ré marcados em sombra.

Lá menor: a mesma forma 1-3-5, uma casa acima

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Quatro acordes tocados um atrás do outro sustentam uma quantidade absurda de música gravada. A mesma volta aparece em balada de rádio, em hino de igreja, em trilha de novela e em música de festa junina, e ela cabe inteira numa mão só.

Essa volta tem nome de ciclo porque ela não termina em lugar nenhum. Chega no quarto acorde, retorna ao primeiro e continua girando enquanto a letra durar, sem que nada novo apareça no caminho.

O que segura o ciclo em pé não é memória de acorde, é contagem. Cada acorde ocupa quatro batidas, a troca acontece na batida seguinte à quarta, e o relógio da música é quem manda na mão.

Quem conta em voz alta uma vez descobre a parte estranha da conta. A mão trabalha numa fração pequena do tempo e fica parada no resto, porque três das quatro batidas são só o acorde soando sozinho.

A forma da mão direita não muda em nenhuma das quatro paradas do ciclo. São três dedos afundando juntos, com uma tecla branca vaga entre cada dupla de dedos, e essa abertura fica igual do primeiro acorde ao último.

O que muda é o endereço da mão no teclado. Ela desliza para uma região vizinha, monta a mesma forma lá, e o ouvido escuta um acorde novo saindo de um gesto que já era conhecido.

Existe um detalhe que separa o ciclo tocado do ciclo estudado. Estudado, cada acorde é um exercício com começo e fim; tocado, os quatro viram uma frase única que gira sem pausa entre uma parada e a outra.

O leitor que já monta as formas soltas está a um passo do repertório. Falta pôr as quatro em fila, na mesma contagem, e deixar a volta rodar quatro vezes seguidas sem parar no meio.

A lição de hoje leva dez minutos e mora nessa fila. Começa pela ordem das quatro casas com a contagem ligada, passa pelo hábito que quebra a volta bem no fim do quarto tempo, e termina com a mão esquerda dando um baixo por acorde sem sair da posição.

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I  A Lição de Hoje

Quatro casas, a mesma forma na direita

Veja a ordem exata da troca e o dedo que fica quieto do começo ao fim.

A mão direita monta uma tríade só e repete essa mesma tríade quatro vezes. Polegar, dedo do meio e mínimo, com uma tecla branca vaga entre cada dupla de dedos, e a abertura fica igual nas quatro paradas.

Comece contando antes de tocar. Quatro batidas em voz alta, no passo de quem caminha sem pressa, e o primeiro acorde entra no um da contagem seguinte.

A primeira casa é o dó do meio. Polegar no dó, dedo do meio no mi, mínimo no sol, os três afundando no mesmo instante e ficando no fundo até a quarta batida acabar.

A segunda casa fica quatro teclas brancas à direita. Polegar no sol, dedo do meio no si, mínimo no ré, com a mesma abertura de antes e a mesma queda simultânea dos três dedos.

A terceira casa está uma tecla branca acima da segunda. Polegar no lá, dedo do meio no dó, mínimo no mi, e o acorde que sai daí é lá menor, com um som mais fechado que os dois anteriores.

A quarta casa desce três teclas brancas. Polegar no fá, dedo do meio no lá, mínimo no dó, e a volta se fecha com o mesmo gesto que abriu o ciclo.

Repare no desenho que a mão faz no ar durante a volta inteira. Ela sobe do dó para o sol, sobe um degrau curto até o lá, desce até o fá, e o punho fica na mesma altura o tempo todo.

Nenhum dedo troca de função no meio do caminho. O polegar carrega a nota que dá nome ao acorde nas quatro paradas, o dedo do meio fica na nota do meio, o mínimo fecha por cima.

O ciclo não pede quatro acordes decorados, ele pede uma forma decorada e quatro endereços. Aprender o gesto uma vez e mudar a mão de lugar é o que transforma quatro exercícios soltos em música contínua.

Agora ligue a contagem e não solte mais. Dó em um, dois, três, quatro; sol em um, dois, três, quatro; lá menor na mesma conta; fá fechando, e o dó voltando sem nenhum vazio entre o fá e ele.

O movimento da mão acontece dentro da quarta batida, não depois dela. Enquanto o acorde velho ainda soa, os dedos já saíram das teclas e estão no ar em cima das próximas.

Toque a volta quatro vezes seguidas, bem devagar. Se a contagem correr igual do começo ao fim, o ciclo está pronto, mesmo que o passo esteja lento como o de um relógio de parede.

Depois faça as quatro voltas sem tocar nota nenhuma. Os dedos passeiam por cima das teclas na mesma contagem, encostando sem afundar, e a mão aprende a distância entre as casas sem o som atrapalhar.

O alvo da lição é uma volta que ninguém consegue interromper. Dezesseis batidas do começo ao fim, quatro acordes iguais em duração, e o ouvido sem nenhuma pista de onde a mão trabalhou mais.

 
 

II  O Erro que Trava

A contagem para e espera a mão

A quarta batida termina, a mão ainda está no ar, e a contagem para até os três dedos encostarem nas teclas novas. Cada acorde sai certo, e mesmo assim a volta muda de tamanho a cada giro.

A causa desse hábito é honesta e vem do estudo isolado. Cada acorde foi aprendido sozinho, com todo o tempo do mundo para montar, e o hábito de esperar a mão vem junto quando eles entram em fila.

O custo aparece no compasso, não na nota. Um ciclo em que a primeira volta dura dezesseis batidas e a segunda dura dezoito não acompanha música nenhuma, porque a letra continua andando no tempo original.

O sintoma é fácil de ouvir com o pé no chão. Marque a batida com o pé enquanto toca: se o pé travar no instante da troca, a espera está lá, mesmo que o ouvido não tenha percebido.

Existe uma variação disfarçada do mesmo problema. A mão troca na hora certa, mas solta o acorde velho logo na segunda batida e fica no ar esperando, e o silêncio no meio do compasso denuncia a pressa.

Um terceiro desvio nasce da vontade de conferir. O olhar desce para o teclado a cada mudança de casa, a cabeça acompanha, e o meio segundo gasto na conferência é exatamente o que atrasa a chegada.

A correção começa cortando a velocidade pela metade. Uma volta bem lenta com a contagem intacta vale mais que quatro voltas rápidas com buraco, porque o corpo grava o ritmo antes de gravar a nota.

Depois separe o movimento do som. Toque o acorde na batida um, mantenha os dedos afundados até a batida três, levante na quatro e leve a mão até a casa nova ainda dentro dessa quarta batida.

A prova está na repetição sem parada. Oito voltas seguidas, sem correção no meio, sem recomeçar quando um dedo errar a tecla: acorde errado com contagem certa vale mais do que o contrário nesse estágio.

Uma ajuda mecânica resolve boa parte do trabalho. Ponha um metrônomo em sessenta batidas por minuto, deixe ele mandar, e a mão deixa de negociar o tempo com você a cada troca de casa.

O ganho aparece rápido e é audível. Depois de três ou quatro noites, a volta passa a ter sempre o mesmo tamanho, e o ciclo começa a soar como acompanhamento em vez de exercício.

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III  A Mão Esquerda

Um baixo por acorde, sem repetir dedo

A mão esquerda entra hoje com uma nota por acorde, e ela não anda do lugar durante a volta inteira. Uma posição de cinco dedos cobre as quatro notas de que o ciclo precisa.

Monte a posição antes de tocar. Mínimo no fá grave, anular no sol, dedo do meio no lá, indicador no si e polegar no dó, uma tecla branca para cada dedo.

Olhe para o que essa posição entrega de graça. As quatro notas do ciclo, dó, sol, lá e fá, estão todas embaixo de dedos que já estão pousados, sem nenhum deslocamento necessário.

A ordem dos dedos sai direto da ordem dos acordes. Dó com o polegar, sol com o anular, lá com o dedo do meio, fá com o mínimo, e nenhum dedo é usado duas vezes na mesma volta.

Toque só a mão esquerda primeiro, uma nota na batida um de cada acorde. Quatro notas por volta, três batidas de silêncio entre uma e outra, e a mão parada no mesmo lugar do começo ao fim.

Repare no caminho que os dedos fazem sozinhos. Polegar, anular, dedo do meio, mínimo: a sequência anda quase toda para o mesmo lado, e é essa regularidade que faz a ordem grudar na memória.

A nota grave dá chão ao acorde que a direita segura em cima. Enquanto a esquerda sustenta o dó, os três dedos da direita soam por cima dele, e o conjunto soa cheio com quatro notas só.

Minuto 1 a 3: só a mão direita, e só a fila das quatro casas. Dó, sol, lá menor e fá em quatro batidas cada, quatro voltas seguidas, com a contagem em voz alta do começo ao fim.

Minuto 4 a 7: só a mão esquerda, com a posição montada e o metrônomo em sessenta. Dó, sol, lá e fá na batida um de cada compasso, oito voltas, com os dedos que não tocam pousados nas teclas.

Minuto 8 a 10: as duas mãos juntas, sempre em quatro batidas. Baixo e acorde caindo no mesmo instante, quatro voltas sem parar entre elas, mesmo que o passo fique bem mais lento que o das mãos separadas.

Uma observação sobre o anular esquerdo. Ele é o dedo mais fraco da mão e costuma afundar o sol grave sem força, então vale tocar essa nota sozinha dez vezes antes de entrar na volta.

Termine a noite com uma última volta bem devagar, contando em voz alta. No fá final, deixe as duas mãos afundadas até a quarta batida acabar, e escute o ciclo pedindo o dó de novo.

"Sua volta durou o mesmo tanto nas quatro vezes seguidas?"

 
 
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A Mão Esquerda Acorda

O Trilho de Baixo que tira a mão parada do lugar e junta as duas mãos na mesma música.

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Segundo a edição, em que momento a mão direita deve sair das teclas para chegar na casa seguinte do ciclo?

AAinda dentro da quarta batida do acorde que está soando
BLogo depois da quarta batida, com a contagem parada
CNa segunda batida, deixando o compasso sem som
DSó quando o metrônomo for desligado
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Dez minutos hoje. Domingo a casa reconhece.

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