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A mesma mão, 4 teclas para a direita
A forma da posição de dó desliza até o sol, o polegar muda de casa e a lição sobe e desce as 5 notas sem tocar nenhuma preta.
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A mão direita na posição de sol
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O plástico da tecla do sol estava frio sob o polegar, mais frio que o do dó, onde a mão tinha passado os últimos dez minutos. A mão inteira deslizou para a direita sem mudar de forma: cinco dedos curvos, pontas pousadas, punho na mesma altura.
Do dó grave até aquele sol, foram quatro teclas brancas de viagem: ré, mi, fá e, na quarta, o sol. Nenhum dedo se abriu, nenhum se fechou. A mão chegou inteira, como uma caixa empurrada sobre a mesa.
Embaixo dos dedos apareceram cinco teclas brancas seguidas: sol, lá, si, dó e ré. As pretas continuam no teclado, entre as brancas, mas nenhuma delas cai debaixo de uma ponta de dedo.
O ouvido percebe a mudança antes dos olhos. Quando o polegar toca o sol e os dedos sobem até o ré, a escada de cinco degraus soa com o mesmo desenho da escada que começava no dó, só que mais aguda. A melodia guarda a forma; a altura mudou.
A explicação está na distância entre as teclas. No teclado, a distância mais curta entre duas notas se chama semitom (meio passo, de uma tecla para a vizinha imediata, preta ou branca). Duas brancas separadas por uma preta ficam a um tom de distância, ou seja, dois semitons.
Na posição de dó, o único semitom cai entre o mi e o fá, debaixo dos dedos 3 e 4. Na posição de sol, o único semitom cai entre o si e o dó, de novo debaixo dos dedos 3 e 4. O degrau curto mora no mesmo ponto da mão.
Por esse motivo a forma viaja sem ajuste. A mão que aprendeu a posição de dó já conhece a de sol por dentro: precisa só saber onde pousar o polegar, e a distância entre os dedos cuida do resto.
A lição abaixo mostra como achar o sol certo sem contar teclas a cada tentativa, e como subir e descer as cinco notas com o polegar preso nele do começo ao fim.
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I A Lição de Hoje
Cinco brancas a partir do sol
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O sol da lição fica logo abaixo do dó central. Para achar o dó central, procure o par de pretas mais perto do meio do teclado: o dó é a branca logo à esquerda delas. Desça três brancas para a esquerda, si, lá e sol, e o polegar chega à casa nova.
Existe um atalho que dispensa a contagem. Olhe o grupo de três pretas logo abaixo do dó central: o sol é a branca encaixada entre a primeira e a segunda preta desse grupo. Em qualquer altura do teclado, o sol mora nesse mesmo encaixe.
A numeração dos dedos vale para as duas mãos: o polegar é o 1, o indicador é o 2, o médio é o 3, o anelar é o 4 e o mindinho é o 5.
Pouse a mão direita com o 1 no sol, o 2 no lá, o 3 no si, o 4 no dó central e o 5 no ré logo acima dele. Cada dedo fica sobre uma tecla própria, e nenhum pula casa.
O polegar fica no sol a lição inteira. A mão sobe e desce as cinco notas, mas o ponto de apoio não muda de tecla. |
O polegar preso funciona como o pé de um compasso de desenho, aquele que traça círculos no papel: enquanto ele segura o centro, a outra ponta gira livre. Os dedos 2 a 5 trabalham sabendo que o sol continua ali, e a mão não precisa procurar o caminho de volta.
Ligue o metrônomo a 60, uma batida por segundo. Na subida, toque sol, lá, si, dó e ré, um dedo por batida. Na descida, faça o caminho inverso, ré, dó, si, lá e sol, e termine com o polegar segurando o sol por mais uma batida.
Preste atenção na passagem do dedo 3 para o dedo 4, do si para o dó. Ela soa mais curta que as outras, porque é o semitom da posição. Se esse degrau curto aparecer entre outros dedos, a mão saiu do lugar.
“Ouça com atenção todas as canções populares; elas são uma mina das mais belas melodias.” Robert Schumann, Regras de vida e de música para jovens músicos, 1850 |
O compositor alemão Robert Schumann deixou essa regra para alunos de piano porque o ouvido treinado acha a melodia antes da partitura. Na posição de sol, o ouvido faz o mesmo papel: reconhece o degrau curto no lugar certo e confirma a mão.
Passo 1: metrônomo a 60, mão direita sozinha. Suba as cinco notas e desça, dizendo em voz alta o nome de cada uma.
Passo 2: repita subida e descida seis vezes seguidas, sem tirar o polegar do sol entre uma volta e outra.
Passo 3: suba o metrônomo para 72 e faça mais quatro voltas olhando para a partitura imaginária à frente, nunca para as teclas.
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II O Erro que Trava
O polegar que pousa no lá
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O erro que trava é a mão uma casa fora. Depois de deslizar do dó, o iniciante conta as teclas com pressa e pousa o polegar no lá ou no fá. A forma da mão continua certa, e por esse motivo o erro passa despercebido aos olhos.
O ouvido denuncia na hora. Com o polegar no lá, as cinco teclas brancas viram lá, si, dó, ré e mi, e o degrau curto pula para entre os dedos 2 e 3. A escada soa triste e fora do desenho que a mão esperava.
Com o polegar no fá, as teclas viram fá, sol, lá, si e dó. O degrau curto vai parar entre os dedos 4 e 5, e a distância do fá ao si soa áspera, quase como um alarme. Nas duas versões, a mão toca só brancas e mesmo assim a melodia sai torta.
A causa mais comum é a pressa da viagem. A mão sai do dó e chega ao destino guiada pelo olho, que mira a região do teclado e não a tecla exata. O dedo pousa onde o olho calculou, uma branca antes ou depois.
A segunda causa é a falta de referência preta. Num trecho só de brancas, todas as teclas parecem iguais, e o olho perde a conta. As pretas servem de guia visual natural: quem olha para elas acerta o sol de primeira.
Antes de tocar a primeira nota, olhe para as pretas, nunca para as brancas. O grupo de três diz onde mora o sol; o par de duas diz onde mora o dó. |
Correção 1: a prova das pretas. Antes de cada volta, encoste a ponta do polegar na primeira preta do grupo de três e escorregue para a branca da direita. O polegar cai no sol sem contar nada.
Correção 2: a prova do degrau curto. Toque só o 3 e o 4, si e dó, e depois o 1 e o 2, sol e lá. O primeiro par precisa soar mais curto que o segundo; se os dois soarem iguais, a mão está fora.
Correção 3: a prova do olho fechado. Pouse a mão no sol, feche os olhos e faça uma subida e uma descida. Abra os olhos com o polegar ainda pousado e confira se ele continua no sol.
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