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ED 056
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A nota repetida que chega atrasada

Um dedo só na mesma tecla perde o tempo na terceira batida, e a lição troca de dedo a cada toque: 3, 2 e 1, contando em voz alta.

Diagrama do teclado com o mi acima do dó central tocado três vezes pela mão direita, dedos 3, 2 e 1 em sequência, e o dó grave na mão esquerda

O mi repetido com os dedos 3, 2 e 1

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Tum, tum, e um silêncio curto demais antes do terceiro tum. O metrônomo seguiu batendo no mesmo passo, seco como madeira contra madeira, mas a terceira nota do mi chegou atrasada, um fio de segundo depois do clique.

O dedo era o mesmo nas três vezes. O médio direito afundou a tecla, subiu, afundou de novo e, na terceira descida, ainda estava subindo quando o clique veio. A nota saiu, mas saiu fora do lugar.

Quem ouve de fora percebe na hora. A melodia tropeça, como alguém que desce uma escada e encontra um degrau mais baixo que os outros. Quem toca sente só um leve aperto no punho e costuma culpar a própria lentidão.

A lentidão não mora no dedo. A tecla precisa voltar ao topo, ou quase, antes de soar de novo, e esse caminho de volta toma tempo. Com um dedo só, a mão espera a tecla subir, espera o dedo subir junto e só então desce outra vez.

Na segunda nota, a espera ainda cabe dentro da batida. Na terceira, o atraso da primeira volta somado ao da segunda empurra o toque para depois do clique. O ouvido registra a falha como nota torta, embora a tecla seja a certa.

Os pianistas resolvem o problema há séculos com um gesto simples: trocar de dedo em cada repetição. Enquanto o dedo 3 sobe, o dedo 2 já está pronto em cima da mesma tecla, e depois o polegar, o dedo 1, fecha a série.

A numeração dos dedos vale para as duas mãos: o polegar é o 1, o indicador é o 2, o médio é o 3, o anelar é o 4 e o mindinho é o 5.

A lição abaixo leva essa troca para o mi logo acima do dó central, com a contagem de quatro batidas dita em voz alta. A voz marca o tempo e revela na hora qual das três notas escapou do clique.

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I  A Lição de Hoje

Três dedos para uma tecla só

A tecla da lição é o mi logo acima do dó central. Para achar o dó central, procure o par de pretas mais perto do meio do teclado: o dó é a branca logo à esquerda delas, e o mi é a branca logo à direita.

Pouse a mão direita com o dedo 3, o médio, em cima do mi. O indicador e o polegar ficam encostados nele, prontos, quase tocando a mesma tecla. A mão fica um pouco virada para dentro, com o polegar mais perto do meio da tecla que os outros dois.

Cada dedo toca uma vez e sai da frente para o próximo. A tecla continua a mesma; quem muda é o dedo que desce.

O movimento lembra o de um gato arranhando uma superfície: os dedos descem em fila, do médio para o polegar, e cada um puxa a ponta levemente para dentro da palma ao tocar. Esse pequeno recuo abre espaço para o dedo seguinte chegar sem esbarrar.

Ligue o metrônomo a 60, uma batida por segundo, e conte em voz alta: um, dois, três, quatro. No um, o dedo 3 toca o mi. No dois, o dedo 2. No três, o polegar. No quatro, a mão descansa e a voz continua.

A pausa do quatro serve para a mão voltar à posição inicial, com o médio outra vez em cima do mi. Sem ela, a série seguinte começa com o polegar ainda na tecla e o desenho se desmancha.

“Toca sempre no compasso! O tocar de muitos virtuoses é como o andar de um bêbado.”

Robert Schumann, Regras de vida e de música para jovens músicos, 1850

O compositor alemão Robert Schumann escreveu essa regra para alunos de piano. O andar do bêbado, na imagem dele, é o passo que chega fora de hora, e a nota repetida com um dedo só tropeça exatamente assim.

Passo 1: metrônomo a 60, mão direita sozinha. Conte em voz alta e toque o mi com os dedos 3, 2 e 1, um por batida, descansando no quatro.

Passo 2: repita a série oito vezes seguidas, sem parar o metrônomo. A voz não pula nenhum número, mesmo quando a mão hesita.

Passo 3: suba o metrônomo para 72 e faça mais quatro séries. Se alguma nota escapar do clique, volte para 60 e repita as oito.

 
 

II  O Erro que Trava

O dedo que chega tarde

O erro que trava é o dedo fiel: o iniciante toca as três notas iguais com o mesmo médio, porque parece mais seguro. A primeira sai no tempo, a segunda também e a terceira chega depois do clique.

O motivo está no caminho da tecla. Depois de afundada, ela precisa subir de volta para disparar a nota seguinte. No teclado digital, o sensor só registra um toque novo quando a tecla sobe o bastante; no piano acústico, o martelo precisa voltar ao ponto de partida antes de bater na corda outra vez.

Com um dedo só, o dedo sobe junto com a tecla. Ele espera, desce, espera de novo. Cada espera é pequena, mas as esperas se somam, e na terceira nota a soma passa do limite da batida.

O corpo responde com tensão. O punho enrijece para acelerar o dedo, o antebraço trava e o som sai mais duro. A terceira nota chega atrasada e mais forte que as outras duas, com um acento que ninguém pediu.

O erro aparece em muitas músicas que o iniciante toca cedo. Melodias simples de festa e de ninar repetem a mesma nota duas, três ou quatro vezes seguidas, e o tropeço sempre cai na última repetição, a que precede a mudança de tecla.

Muita gente tenta resolver acelerando o dedo, com mais força e mais pressa. O atraso diminui um pouco, e o cansaço aparece em poucos minutos. A troca de dedo corta o problema na raiz, porque o dedo seguinte já está no alto, sem precisar esperar a volta do anterior.

Correção 1: a prova da voz. Conte em voz alta enquanto toca com um dedo só, e depois com a troca 3, 2, 1. Com um dedo só, a voz costuma esperar a mão no três; com a troca, voz e nota caem juntas.

Correção 2: a prova do silêncio. Toque a série com a troca e segure o polegar na tecla durante a batida do quatro. Se o mi repetido soar três vezes com o mesmo volume, a mão está solta.

Correção 3: a prova da gravação. Grave no celular duas séries com um dedo só e duas com a troca. Ouça de olhos fechados e marque em qual das duas versões a terceira nota caiu junto com o clique.

 

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III  A Mão Esquerda

O dó que bate embaixo

A mão esquerda entra com o dó grave, uma oitava abaixo do dó central. Conte sete brancas para a esquerda a partir do dó central e a oitava fecha no dó de baixo.

O dedo da esquerda é o mindinho, o dedo 5, e ele toca uma vez só por série: no um, junto com o primeiro mi da direita. Depois fica afundado na tecla até o fim da batida do quatro, segurando o grave enquanto a direita repete a nota em cima.

Esse desenho treina uma habilidade que o iniciante ainda não tem: uma mão parada enquanto a outra se mexe. A tendência é a esquerda acompanhar a direita e soltar o dó no dois, quando o dedo 2 desce.

O grave precisa durar a série inteira. Ele é o chão sobre o qual as três notas repetidas caminham, e sem ele o mi soa solto no ar, como um passo sem piso.

A contagem em voz alta ajuda também a esquerda. No um, as duas mãos descem juntas. No dois e no três, só a direita trabalha. No quatro, a esquerda sobe e as duas mãos voltam à posição inicial.

Se a esquerda insistir em soltar cedo, apoie o polegar esquerdo no sol grave, cinco brancas acima do dó. Com o polegar pousado, a mão ganha um eixo e o mindinho fica afundado sem esforço.

Com as duas mãos, o erro do dedo fiel fica ainda mais fácil de ouvir. O dó grave marca o início de cada série, e qualquer atraso da terceira nota da direita encurta a pausa do quatro, empurrando a série seguinte para fora do clique.

Tempo 1: mão esquerda sozinha, metrônomo a 60. Toque o dó grave no um, segure até o fim do quatro, solte e repita quatro vezes contando em voz alta.

Tempo 2: mãos juntas, a troca 3, 2, 1 no mi da direita e o dó grave da esquerda segurado. Quatro séries, com a voz dizendo cada número.

Tempo 3: mãos juntas, metrônomo a 72, quatro séries. A esquerda só solta o dó quando a voz diz quatro.

O tempo 3 é a prova final: se o dó grave some antes do quatro ou se a terceira nota da direita escapa do clique, a volta é ao tempo 2, com o metrônomo de novo em 60.

"Das três notas do mi repetido, qual chegou mais perto do clique do metrônomo?"

Teste hoje: grave no celular quatro séries do mi com um dedo só e quatro com a troca 3, 2, 1, no metrônomo a 72, contando em voz alta. Ouça e conte quantas terceiras notas caíram depois do clique em cada versão; com a troca, o alvo é zero em quatro.

 
 
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