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A Ode à Alegria com 1 dedo, nota por nota

Antes dos cinco dedos, o indicador sozinho percorre a melodia e mostra que ela cabe em cinco teclas brancas vizinhas.

Diagrama do teclado com as notas da Ode à Alegria tocadas pelo indicador e o dó e o sol graves na esquerda

A melodia inteira, uma tecla por vez

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A tecla de plástico subiu com um clique seco, e o mi continuou soando no alto-falante do teclado enquanto o indicador já descia para a tecla seguinte. Mi, mi, fá, sol. Quatro toques do mesmo dedo, e o resto da mão parado no ar, sem lugar definido para pousar.

A melodia era a Ode à Alegria, o tema que o compositor alemão Ludwig van Beethoven pôs no último movimento da Nona Sinfonia, estreada em Viena em 1824. O trecho mais conhecido tem quinze notas e cabe numa frase cantarolada no chuveiro.

Quem senta no teclado pela primeira vez costuma fazer o caminho contrário: abre os cinco dedos sobre as teclas, olha a partitura e tenta encaixar cada nota num dedo sem saber ainda quais teclas a música usa. Os dedos chegam antes do mapa, e cada nota vira uma consulta à página.

O indicador sozinho inverte a ordem. Ele toca a melodia nota por nota, sem acorde (três teclas apertadas juntas) e sem pressa, e a mão aprende pelo ouvido onde a música mora. Nenhum dedo precisa ser escolhido, porque só um trabalha.

O exercício tem cara de brincadeira no piano da avó, e é assim mesmo que muita gente toca a primeira música da vida: com um dedo esticado, catando tecla. A diferença está na intenção. Aqui o dedo único serve de instrumento de medição.

A cada nota, o ouvido confere se o som bateu com a melodia guardada na cabeça. A cada tecla repetida, a mão registra a distância até a vizinha. Depois de duas ou três passadas, o desenho das teclas usadas aparece sem ninguém contar linhas na pauta (as cinco linhas onde as notas são escritas).

Com esse desenho pronto, distribuir os dedos vira uma decisão simples, tomada uma única vez no começo da peça.

A lição de hoje toca a Ode à Alegria com o indicador, mostra o tropeço de quem distribui os dedos cedo demais e coloca a mão esquerda marcando o grave, também com um dedo só.

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I  A Lição de Hoje

Quinze notas e um indicador

O dedo de hoje é o indicador da mão direita. Na numeração usada nas partituras de teclado, o polegar é o dedo 1, o indicador é o dedo 2, o médio é o 3, o anelar é o 4 e o mínimo é o 5.

O indicador ganhou o trabalho por um motivo prático: ele é o dedo que a mão já usa para apontar, apertar botão e tocar a tela do celular. Ele cai na tecla com firmeza e sem esforço, e deixa toda a atenção livre para o ouvido.

A frase da Ode à Alegria, escrita pelo nome das notas, fica assim: mi, mi, fá, sol, sol, fá, mi, ré, dó, dó, ré, mi, mi, ré, ré. São quinze toques, e o dedo nunca anda mais que uma tecla branca de cada vez.

O ponto de partida é o mi logo acima do dó central (o dó que fica no meio do teclado, mais ou menos na frente do nome da marca). O indicador pousa nele e, dali, sobe ou desce conforme a melodia pede.

Com um dedo só, a mão não decide nada: ela escuta e anda uma tecla para cima ou para baixo.

O violinista japonês Shinichi Suzuki defendeu em Nurtured by Love (Educação é amor, 1969) que a criança aprende música do jeito que aprende a língua materna: ouvindo muitas vezes antes de ler. Tocar a melodia com um dedo segue a mesma ordem, primeiro o som, depois a técnica.

Passo 1: cante a frase baixinho uma vez, sem tocar, para ter o desenho da melodia na cabeça.

Passo 2: pouse o indicador no mi e toque a primeira metade: mi, mi, fá, sol, sol, fá, mi, ré. Uma nota por tempo, sem segurar nenhuma.

Passo 3: continue na segunda metade: dó, dó, ré, mi, mi, ré, ré. Os dois ré do fim valem mais tempo, o último segura dois tempos inteiros.

Passo 4: toque a frase inteira três vezes seguidas e, na terceira, repare quais teclas o dedo visitou.

O resultado do mapa aparece logo: a melodia usa cinco teclas, dó, ré, mi, fá e sol, todas brancas e encostadas umas nas outras. Nenhuma tecla preta, nenhum salto. A frase inteira cabe no espaço de uma mão aberta.

O número cinco não é acaso. São cinco teclas e cinco dedos, e é essa coincidência que vai decidir a posição da mão quando o indicador sair de cena.

 
 

II  O Erro que Trava

Os dedos antes do mapa

O tropeço mais comum desta melodia acontece no primeiro segundo. O aluno vê que a música começa no mi e coloca ali o polegar, porque o polegar parece o dedo natural para abrir qualquer melodia.

As quatro primeiras notas correm bem. Mi com o polegar, fá com o indicador, sol com o médio. Na oitava nota, porém, a melodia desce até o ré, e na nona chega ao dó. Abaixo do polegar não sobra dedo nenhum.

A mão então pula. Ela sai do lugar no meio da frase, desce duas teclas às pressas e procura o dó olhando para o teclado. A nota sai atrasada, às vezes errada, e o ritmo da cantiga se quebra justamente na parte mais reconhecível.

Quem começa a Ode à Alegria com o polegar no mi fica sem dedo quando a melodia desce até o dó.

O erro nasce da ordem das decisões. A mão escolheu o dedo olhando só para a primeira nota, sem saber que a música ia descer duas teclas abaixo dela. Com o mapa feito pelo indicador, o problema nem chega a aparecer.

A regra prática sai do mapa: o polegar vai na tecla mais baixa que a melodia usa e o mínimo cobre a mais alta. Na Ode, o polegar fica no dó central, o indicador no ré, o médio no mi, o anelar no fá e o mínimo no sol.

Com a mão assim, a frase começa pelo médio no mi, e não pelo polegar. Parece estranho abrir uma música com o dedo do meio, mas a partir dali nenhuma nota exige pulo.

O próprio tema passou por muitas versões antes de soar simples. Os cadernos de rascunho de Beethoven, guardados hoje em bibliotecas de Berlim e Bonn, mostram a melodia reescrita várias vezes até ficar nos degraus vizinhos que a tornaram fácil de cantar.

Correção 1: com a mão já nas cinco teclas, toque a frase só com o indicador outra vez, sem mexer os outros dedos. Eles ficam parados em cima das teclas deles, como espectadores.

Correção 2: agora toque com os dedos certos, devagar, falando o número do dedo em voz alta: 3, 3, 4, 5, 5, 4, 3, 2, 1, 1, 2, 3, 3, 2, 2.

Correção 3: metrônomo a 60, uma nota por batida. Se a mão sair do lugar em algum momento, volte à Correção 1 por mais duas passadas.

Quando o número falado bate com o dedo que aperta, a mão para de pular. O olho pode ficar na partitura, porque os dedos já sabem onde estão.

 

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III  A Mão Esquerda

Dó e sol no grave

A mão esquerda também começa com um dedo só, o indicador esquerdo. Ela toca duas notas graves: o dó três e o sol três, as duas uma oitava (a distância de um dó ao próximo, oito teclas brancas) abaixo da região da melodia.

A frase da Ode se divide em quatro compassos (os blocos de tempo que se repetem, aqui de quatro batidas cada). O primeiro compasso é mi, mi, fá, sol. O segundo, sol, fá, mi, ré. O terceiro, dó, dó, ré, mi. O quarto, mi, ré, ré.

O grave entra uma vez por compasso, na primeira batida, e segura até o compasso seguinte. A ordem é dó, sol, dó, sol. Cada nota grave combina com as notas da direita naquele trecho, e o ouvido percebe a frase ganhar chão.

A esquerda toca quatro notas na frase inteira, dó, sol, dó e sol, sempre na primeira batida do compasso.

Com um dedo só, a esquerda também faz o mapa dela. O indicador anda do dó ao sol, cinco teclas brancas acima, e volta. Depois de algumas passadas, a mão percebe que pode deixar o mínimo no dó e o polegar no sol, sem mais nenhuma viagem.

A melodia tem uma vida longa fora da sala de concerto. Beethoven musicou versos do poema An die Freude (À Alegria), do alemão Friedrich Schiller, publicado em 1785. O Conselho da Europa adotou o tema como hino em 1972, e a União Europeia passou a usá-lo como símbolo em 1985, sem letra.

Essa trajetória ajuda no estudo. Quem toca a Ode reconhece cada nota errada na hora, porque a melodia já está gravada no ouvido de quase todo mundo, e o erro denuncia a si mesmo.

Tempo 1: só a esquerda, metrônomo a 60: dó, sol, dó, sol, cada nota segurando quatro batidas.

Tempo 2: as duas mãos com o indicador, devagar, o grave caindo junto com a primeira nota de cada compasso da direita.

Tempo 3: troque o indicador direito pelos cinco dedos da Correção 2 e mantenha a esquerda no indicador. Suba para 72 quando as duas mãos chegarem juntas nas quatro primeiras batidas.

“Na sua mão, em qual nota da melodia o indicador hesitou mais?”

Teste hoje: toque as quinze notas da frase com o indicador direito três vezes seguidas, metrônomo a 60, sem olhar para o teclado. Anote quantas notas erradas saíram em cada passada. O esperado é chegar à terceira com no máximo uma; se o número não cair, cante a frase em voz alta antes da passada seguinte.

 
 
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Onde e em que ano a Nona Sinfonia de Beethoven, com a Ode à Alegria no último movimento, foi estreada?

AParis, 1824
BViena, 1824
CBonn, 1808
DBerlim, 1824

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