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O dedo de hoje é o indicador da mão direita. Na numeração usada nas partituras de teclado, o polegar é o dedo 1, o indicador é o dedo 2, o médio é o 3, o anelar é o 4 e o mínimo é o 5.
O indicador ganhou o trabalho por um motivo prático: ele é o dedo que a mão já usa para apontar, apertar botão e tocar a tela do celular. Ele cai na tecla com firmeza e sem esforço, e deixa toda a atenção livre para o ouvido.
A frase da Ode à Alegria, escrita pelo nome das notas, fica assim: mi, mi, fá, sol, sol, fá, mi, ré, dó, dó, ré, mi, mi, ré, ré. São quinze toques, e o dedo nunca anda mais que uma tecla branca de cada vez.
O ponto de partida é o mi logo acima do dó central (o dó que fica no meio do teclado, mais ou menos na frente do nome da marca). O indicador pousa nele e, dali, sobe ou desce conforme a melodia pede.
Com um dedo só, a mão não decide nada: ela escuta e anda uma tecla para cima ou para baixo. |
O violinista japonês Shinichi Suzuki defendeu em Nurtured by Love (Educação é amor, 1969) que a criança aprende música do jeito que aprende a língua materna: ouvindo muitas vezes antes de ler. Tocar a melodia com um dedo segue a mesma ordem, primeiro o som, depois a técnica.
Passo 1: cante a frase baixinho uma vez, sem tocar, para ter o desenho da melodia na cabeça.
Passo 2: pouse o indicador no mi e toque a primeira metade: mi, mi, fá, sol, sol, fá, mi, ré. Uma nota por tempo, sem segurar nenhuma.
Passo 3: continue na segunda metade: dó, dó, ré, mi, mi, ré, ré. Os dois ré do fim valem mais tempo, o último segura dois tempos inteiros.
Passo 4: toque a frase inteira três vezes seguidas e, na terceira, repare quais teclas o dedo visitou.
O resultado do mapa aparece logo: a melodia usa cinco teclas, dó, ré, mi, fá e sol, todas brancas e encostadas umas nas outras. Nenhuma tecla preta, nenhum salto. A frase inteira cabe no espaço de uma mão aberta.
O número cinco não é acaso. São cinco teclas e cinco dedos, e é essa coincidência que vai decidir a posição da mão quando o indicador sair de cena.
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