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ED 033
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A sétima que devolve Asa Branca ao dó

Três acordes sustentam Asa Branca, e a sétima acrescentada ao sol cria a tensão que só descansa quando a troca cai na primeira batida.

Diagrama das teclas com o acorde de dó em dó, mi e sol, o acorde de fá em fá, lá e dó, e o sol sete em fá, sol e si, com os dedos numerados sobre cada tecla e a marca da primeira batida do compasso embaixo

Dó, fá e sol sete na mão direita

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O fole da sanfona abre com um chiado de ar passando pelas palhetas, e o pé bate no assoalho de madeira meio segundo antes da primeira nota. O acorde chega junto com a segunda batida do pé, seco, e a voz entra por cima já com a frase inteira montada.

Asa Branca foi gravada por Luiz Gonzaga em 1947, com letra de Humberto Teixeira, e virou a canção mais tocada do repertório nordestino brasileiro. A harmonia dela cabe numa mão só: dó, fá e sol sete, três formas de acorde que o iniciante monta na primeira semana de teclado.

O terceiro acorde é o que muda o desenho. Sol maior tem três notas, sol, si e ré, e o sol sete acrescenta uma quarta nota, o fá, a uma distância de sétima acima da fundamental. Essa nota extra soa desconfortável sozinha, e o desconforto tem endereço: o fá quer descer meio tom até o mi, que é justamente a nota do meio do acorde de dó.

A sétima funciona como um dedo apontando o caminho de volta. Enquanto sol maior poderia ficar parado sem incomodar ninguém, o sol sete carrega dentro dele uma pergunta que só o dó responde, e o ouvido do leigo percebe a resposta mesmo sem saber nomear nenhuma das notas envolvidas.

Existe um segundo detalhe que sustenta a canção de pé, e ele não está nas notas, está no relógio. Toda troca de acorde de Asa Branca acontece na primeira batida do compasso, nunca no meio, nunca antecipada por meio tempo. A mão troca de forma exatamente quando a contagem volta ao um, e a melodia cantada foi escrita em cima dessa marcação.

Um iniciante que domina as três formas e ainda assim toca a música torta quase sempre está errando o momento da troca, não a forma do acorde. A mão espera a voz chegar na palavra certa, atrasa meio compasso, e a canção inteira fica escorregando por cima do próprio pulso.

A lição de hoje monta as três formas na mão direita, com a digitação exata de cada uma, e prende a troca de acorde na primeira batida com o metrônomo ligado, para que a mão troque pela contagem e não pela lembrança da letra.

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I  A Lição de Hoje

Três formas e um relógio de quatro tempos

As teclas de hoje: dó, mi e sol no acorde de dó, fá, lá e dó no acorde de fá, e fá, sol e si no sol sete.

Monte o dó primeiro e deixe a mão parada nele por quatro compassos inteiros, com o metrônomo em 60 batidas por minuto, contando um, dois, três, quatro em voz alta. A forma é dó com o polegar, mi com o dedo 3 e sol com o dedo 5, as três teclas brancas soando juntas, sem nenhuma delas atrasada.

O acorde de fá usa a mesma disposição de dedos, um degrau adiante. Fá com o polegar, lá com o dedo 3 e dó com o dedo 5, a mão inteira deslocada para a direita sem mudar de formato. Como o desenho da mão se repete, a troca entre dó e fá é um movimento de braço, não de dedo.

O sol sete pede uma forma diferente, e é aqui que a maioria trava. Toque fá com o polegar, sol com o dedo 2 e si com o dedo 5, as três teclas dentro da mesma região onde a mão já estava. Você está deixando o ré de fora de propósito: a quinta do acorde é a nota mais dispensável dele, e sem ela a mão alcança tudo sem esticar.

Confira o que sobrou nessa forma. Sol é a fundamental, si dá o caráter maior, e o fá é a sétima, a nota nova, aquela que puxa. Três notas bastam para o ouvido reconhecer o acorde inteiro.

Toque sol sete e depois dó, alternando dez vezes devagar, e observe só o polegar: ele sai do fá e desce meio tom até o mi. Esse meio tom é a resolução da canção inteira.

Agora prenda as trocas no compasso. Asa Branca anda em quatro tempos, e a estrutura de estudo desta lição dá dois compassos para cada acorde: dois de dó, dois de fá, dois de dó, dois de sol sete, e o ciclo recomeça no dó. Toda troca acontece na batida um.

Passo 1: toque só o dó por oito compassos, atacando o acorde na batida um de cada compasso e deixando as teclas afundadas até o quatro.

Passo 2: acrescente o fá, dois compassos de cada, com o braço fazendo o deslocamento durante a batida quatro do compasso anterior.

Passo 3: entre com o sol sete no lugar do fá, mantendo dois compassos de dó antes e dois depois, para o ouvido gravar a diferença entre os dois acordes de tensão.

Passo 4: rode o ciclo completo de oito compassos quatro vezes seguidas, sem parar o metrônomo entre as repetições.

Ataque cada acorde com o peso do antebraço, não com o dedo isolado. As três notas precisam soar no mesmo instante, e um acorde com uma nota chegando depois das outras denuncia dedo empurrando tecla em vez de braço descendo inteiro.

 
 

II  O Erro que Trava

A troca que chega no meio do compasso

A mão troca de acorde quando a frase cantada pede, e não quando a contagem volta ao um. O iniciante canta a letra por dentro, sente que a palavra mudou de clima e troca a forma no meio do compasso, meio tempo antes ou meio tempo depois da batida certa.

O sintoma é fácil de reconhecer de ouvido. A música parece que está tropeçando em degraus irregulares, com um compasso curto seguido de um comprido, e quem escuta não consegue bater o pé junto porque o chão do compasso muda de tamanho a cada troca.

Existe uma checagem que expõe a falha em quinze segundos. Bata o pé nas quatro batidas e toque o ciclo inteiro olhando só para o pé: toda vez que a forma da mão mudar, o pé precisa estar descendo. Mão mudando com o pé no ar significa troca solta no meio do tempo.

A sétima piora o efeito quando ela chega fora de hora. O fá do sol sete é uma nota instável de propósito, e uma nota instável colocada no meio do compasso soa como erro de execução, porque o ouvido não encontra a batida forte que justificaria aquele desconforto.

“A dissonância é apenas uma consonância mais distante.”

> > Arnold Schoenberg, Tratado de Harmonia, 1911

A frase de Schoenberg explica por que a sétima não é defeito, é combustível. A nota que soa áspera está apenas mais longe do repouso, e o trabalho da mão é entregar essa distância no lugar certo do compasso para que o ouvinte perceba a viagem de volta.

A correção mais rápida separa a decisão do movimento. Decida a troca um compasso inteiro antes: enquanto a mão ainda segura o dó, a cabeça já sabe que o próximo acorde é sol sete e o braço começa a se posicionar na batida três, para chegar formado na batida um seguinte.

Um segundo caminho é estudar a troca sem som nenhum. Toque o dó, conte os quatro tempos, e no um seguinte apenas encoste a mão na forma do sol sete sem afundar as teclas. Vinte repetições ensinam ao braço a distância exata, e quando o som voltar a mão já vai chegar formada.

Cuidado também com o retorno do sol sete para o dó. A tendência é acelerar exatamente ali, porque o ouvido quer a resolução e o corpo obedece à vontade do ouvido, encurtando o último compasso de tensão. Conte esse compasso em voz alta e mais alto que os outros, com o quatro bem marcado antes do dó chegar.

Guarde o efeito no repertório inteiro. Uma canção com trocas fora da batida forte fica impossível de acompanhar com voz ou com outro instrumento, porque quem canta se apoia no primeiro tempo para respirar, e o cantor perde o ponto de apoio a cada compasso torto.

 

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III  A Mão Esquerda

A fundamental que carimba o primeiro tempo

A mão esquerda entra hoje com uma nota por compasso, e ela existe para marcar exatamente o instante da troca. Toque a fundamental de cada acorde uma oitava abaixo do dó central, com o dedo 5 no dó, o dedo 2 no fá e o dedo 1 no sol, e segure a tecla afundada até o quatro.

Escolha a digitação pensando na distância entre as notas. Dó, fá e sol grave cabem sob a mão aberta sem deslocamento de braço, com o mínimo no dó, o indicador no fá e o polegar no sol, e nenhuma dessas trocas exige tirar a mão do lugar.

A nota grave é a testemunha da lição. Se a fundamental da esquerda soar no um e o acorde da direita chegar meio tempo depois, você escuta as duas mãos em desencontro na hora, sem precisar gravar nada nem consultar ninguém.

Faça a conferência com o olho, uma vez por ciclo. Toque os oito compassos e olhe para a mão esquerda no momento de cada troca: as duas mãos precisam descer juntas, como se fossem um movimento só do corpo, e não duas decisões separadas.

Tempo 1: a direita sozinha, o ciclo de oito compassos, dó, dó, fá, fá, dó, dó, sol sete, sol sete, quatro repetições com contagem em voz alta.

Tempo 2: a esquerda sozinha, uma fundamental por compasso, dó, dó, fá, fá, dó, dó, sol, sol, quatro repetições olhando para a tecla afundada.

Tempo 3: as duas mãos juntas em andamento lento, 60 batidas por minuto, com a atenção inteira na batida um de cada compasso.

Tempo 4: as duas mãos com a esquerda tocando a fundamental duas vezes por compasso, no um e no três, mantendo a direita segurando o acorde inteiro.

O último formato é o desenho de acompanhamento mais comum do forró no teclado: o baixo pulsa em dois pontos fixos do compasso enquanto a harmonia se sustenta por cima, e a canção ganha o balanço que o pé reconhece antes da cabeça.

Quando o ciclo estiver limpo, suba o metrônomo de cinco em cinco batidas por minuto, nunca mais que isso na mesma sessão. Sessenta, sessenta e cinco, setenta, e só avance depois de duas voltas completas com todas as trocas caindo na batida um.

Teste hoje: grave os oito compassos do ciclo com o metrônomo audível no fundo, ouça de olhos fechados e conte quantas das quatro trocas de acorde caíram em cima do estalo, sem adiantar nem atrasar. Três das quatro na primeira tentativa, quatro de quatro no fim da semana, e a harmonia já sustenta a melodia cantada por cima.

"Sua mão troca de acorde pela contagem ou pela letra?"

 
 

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Quiz da edição

Segundo o texto, em que momento do compasso a troca de acorde acontece em Asa Branca?

ANa última batida do compasso
BSempre na primeira batida
CAntecipada meio tempo antes
DNo meio do compasso, junto com a palavra cantada

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