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A única tecla preta da escala de fá maior

Toque fá, sol, lá, si bemol com os dedos 1, 2, 3 e 4, passe o polegar para o dó e ouça onde o si branco desafina.

Teclado com a escala de fá maior marcada e o si bemol na tecla preta

Escala de fá: o si bemol no quarto degrau

▼
 

O metrônomo estalava baixo, num tique de madeira, e a tecla branca do si devolveu ao dedo um frio liso de plástico logo antes de soar errada.

A mão direita vinha subindo pela escala de fá maior, tecla branca atrás de tecla branca, do jeito aprendido na escala de dó. Fá, sol, lá. Até ali, nenhum susto. No quarto passo, o dedo achou o si natural, o vizinho branco de sempre, e o som saiu torto.

Não era defeito do teclado. O si estava afinado, limpo, igual ao de qualquer outra música. O problema era o lugar: dentro da escala de fá, aquele som fica alto demais, como um degrau de escada um centímetro acima dos outros.

Quem toca a escala de fá pela primeira vez costuma tropeçar ali sem saber dar nome ao tropeço. A mão repete o desenho da escala de dó, só deslocado, e o ouvido estranha a quarta nota sem saber dizer por quê. Muita gente volta, toca de novo, e o tropeço volta junto.

O conserto mora a um centímetro dali, à esquerda: a tecla preta encaixada entre o lá e o si. Ela se chama si bemol (o si abaixado meio tom, a menor distância entre duas teclas vizinhas). Com ela no lugar do si branco, a escala sobe sem degrau torto e soa como as escalas maiores que o ouvido já guarda de cor.

Essa tecla preta é a primeira que entra numa armadura (o grupo de sustenidos ou bemóis escrito no começo da pauta, valendo para a música inteira). A escala de dó não leva nenhum; a de fá leva um só. Quem domina a de fá aprende, com a mão, a ler o sinal que governa todas as tonalidades com bemol.

Há um segundo ganho, menos visível. A escala de fá pede ao polegar uma passagem nova, por baixo da mão, saindo de perto da tecla preta. Esse cruzamento sustenta toda escala longa no teclado, de duas, três ou quatro oitavas.

A primeira seção monta a escala de fá tecla por tecla, com a digitação certa, e põe o si bemol no lugar onde o ouvido pediu.

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I  A Lição de Hoje

Oito teclas com um bemol no meio

A escala de fá maior começa no fá, a tecla branca logo à esquerda do grupo de três teclas pretas. Escolha o fá mais perto do meio do teclado, abaixo do dó central, e apoie a mão direita ali com o polegar na tecla.

Toda escala maior segue o mesmo desenho de distâncias: tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom. Um tom são duas teclas vizinhas puladas de uma vez (contando as pretas); um semitom é a tecla imediatamente ao lado. Na escala de dó, o desenho cai inteiro nas brancas. Na de fá, não cabe.

Conte a partir do fá. Fá para sol, um tom. Sol para lá, outro tom. Agora o desenho pede um semitom: a tecla colada no lá. Essa tecla é preta, o si bemol. O si branco fica um tom inteiro acima do lá, longe demais para o terceiro degrau do desenho.

Depois do si bemol, o desenho volta a pedir tom: do si bemol ao dó, um tom. Dó para ré, ré para mi, dois tons. E do mi ao fá, o último semitom, as duas brancas sem preta no meio. A escala fecha com uma tecla preta só, no quarto degrau.

A digitação da mão direita resolve a tecla preta sem esforço. Os dedos 1, 2, 3 e 4 (polegar, indicador, médio e anelar) tocam fá, sol, lá e si bemol. O anelar pousa na tecla preta, mais alta e mais estreita, perto da borda dela.

Com o anelar segurando o si bemol, o polegar passa por baixo da mão e cai no dó. Daí em diante, os dedos 2, 3 e 4 tocam ré, mi e fá. A sequência inteira fica 1, 2, 3, 4, 1, 2, 3, 4.

Na escala de fá, o polegar nunca pisa na tecla preta: ele cruza por baixo do anelar, que está no si bemol, e cai na tecla branca do dó.

A escolha tem razão física. O polegar é o dedo mais curto, e a tecla preta fica recuada e elevada. Polegar em tecla preta empurra a mão inteira para dentro do teclado e deixa os outros dedos tortos. Com o anelar na preta, a mão fica naturalmente avançada, e o polegar encontra o dó sem esticar o pulso.

1. Apoie o polegar direito no fá abaixo do dó central.

2. Toque fá, sol e lá com os dedos 1, 2 e 3, devagar.

3. Ponha o anelar no si bemol, a tecla preta à esquerda do si.

4. Passe o polegar por baixo da mão até o dó, sem levantar o pulso.

5. Termine com os dedos 2, 3 e 4 em ré, mi e fá.

Toque a escala subindo quatro vezes, sempre no mesmo andamento lento, e repare no momento da passagem do polegar. Se a mão dá um pulo nesse ponto, o polegar começou a viagem tarde: ele já pode deslizar para baixo da mão enquanto o anelar desce no si bemol.

 
 

II  O Erro que Trava

O si branco puxando a mão

O erro mais frequente na escala de fá tem pouco a ver com dedo. Ele nasce da memória da mão, treinada em semanas de escala de dó: depois do lá vem o si branco, e o anelar desce nele sem pedir licença.

O ouvido percebe antes do olho. Fá até si natural dá três tons inteiros, um intervalo chamado trítono (a distância de três tons, áspera e instável). Fá até si bemol dá dois tons e meio, a quarta justa (o intervalo firme de quatro notas, contando as duas pontas). A escala de dó tem a mesma quarta justa no lugar equivalente, do dó ao fá.

Daí o si branco soar como degrau torto: a escala maior inteira foi montada sobre quartas firmes, e o trítono aparece onde o ouvido esperava apoio. Os teóricos da Idade Média já evitavam o trítono nos cantos da igreja e trocavam o si por um si mais baixo justamente nessa vizinhança.

A troca deixou marca na escrita. O monge italiano Guido d'Arezzo, no tratado Micrologus, escrito por volta de 1026, trabalhava com dois sis: um mais baixo, o b molle (b mole, escrito com a barriga redonda), e um mais alto, o b durum (b duro, escrito quadrado). O b redondo virou o símbolo do bemol; o quadrado, o do bequadro (o sinal que devolve a nota ao natural).

O si natural não desafina por estar fora do tom do teclado: ele desafina por cair no trítono, onde a escala de fá pede a quarta justa.

A correção passa pelo ouvido antes de passar pelos dedos. Tocar a escala errada de propósito, com o si branco, e logo depois a certa, deixa a diferença gravada como som, e não como regra escrita.

1. Toque fá, sol, lá e si natural, devagar, e segure o si por dois segundos.

2. Toque fá, sol, lá e si bemol, no mesmo andamento, e segure o si bemol.

3. Compare as duas versões cantando a quarta nota junto com a tecla.

4. Toque só fá e si natural juntos, depois fá e si bemol juntos, e ouça o atrito da primeira dupla.

5. Repita a escala certa inteira três vezes sem olhar para as teclas.

Na quarta etapa, o par fá e si natural produz um som áspero, quase metálico, como se as duas teclas brigassem. O par fá e si bemol soa aberto e assentado. Quem guarda essa diferença no ouvido corrige o anelar sozinho na próxima vez que ele descer no branco.

Se o erro insistir, cole um pedacinho de fita crepe no si bemol durante a primeira semana. A fita não ensina nada sozinha, mas lembra ao olho onde o anelar deve pousar enquanto o ouvido ainda está aprendendo.

 

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III  A Mão Esquerda

Cinco dedos descendo até o polegar

A mão esquerda toca a mesma escala de fá maior, com a mesma tecla preta, mas a digitação muda inteira. A esquerda é o espelho da direita: o dedo 5, o mínimo, fica do lado grave, e o polegar fica do lado agudo.

Apoie o mínimo esquerdo no fá abaixo do dó central, a mesma tecla onde o polegar direito começou. A sequência subindo fica 5, 4, 3, 2, 1, 3, 2, 1. Mínimo no fá, anelar no sol, médio no lá, indicador no si bemol e polegar no dó.

Na esquerda, a tecla preta cai no indicador, um dedo comprido e firme. O polegar vem logo depois, no dó, e aí acontece o cruzamento: o dedo médio passa por cima do polegar e cai no ré. Indicador no mi e polegar no fá fecham a escala.

O movimento da esquerda é o inverso do da direita. Na direita, o polegar passa por baixo da mão; na esquerda, subindo, um dedo longo passa por cima do polegar. Descendo, a lógica troca de mão: na esquerda, o polegar passa por baixo, saindo do fá agudo até o dó.

Subindo com a esquerda, o médio cruza por cima do polegar no dó; o si bemol fica com o indicador, nunca com o polegar.

O si bemol na esquerda costuma escorregar para o si branco pelo mesmo vício da direita. Aqui o aviso vem do próprio indicador: se ele se estica para a frente e sente a tecla alta e estreita, está no lugar certo; se pousa no plano liso das brancas, desceu no si natural.

1. Ponha o mínimo esquerdo no fá abaixo do dó central.

2. Suba fá, sol, lá e si bemol com os dedos 5, 4, 3 e 2.

3. Toque o dó com o polegar e cruze o médio por cima dele até o ré.

4. Termine com indicador no mi e polegar no fá.

5. Desça pelo mesmo caminho, passando o polegar por baixo do médio.

Quando as duas mãos já tocam a escala em separado sem tropeço, junte as duas no mesmo fá, no andamento mais lento possível. As passagens de polegar caem em lugares diferentes em cada mão, e a cabeça precisa acompanhar dois cruzamentos ao mesmo tempo, um no dó da direita e outro no ré da esquerda.

Teste hoje: ligue o metrônomo em 60 batidas por minuto e toque a escala de fá subindo e descendo com a mão direita, uma nota por batida, dez vezes seguidas. Marque um risco no papel a cada vez que o anelar descer no si branco. O esperado é sair de três ou quatro riscos nas primeiras rodadas para zero nas três últimas.

 
 
Quiz da edição

Na digitação da mão direita da escala de fá maior, qual dedo pousa na tecla preta do si bemol?

APolegar (dedo 1)
BAnelar (dedo 4)
CIndicador (dedo 2)
DMédio (dedo 3)

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