A resposta de ontem Quem escreveu o poema da Nona Sinfonia de Beethoven? Foi o poeta e dramaturgo alemão Friedrich Schiller, autor de An die Freude (Ode à Alegria), publicado em 1786 na revista Thalia. Beethoven conheceu o poema ainda jovem, em Bonn, e décadas depois musicou uma seleção das estrofes, na versão revisada de 1803, no coral da Nona Sinfonia. |
O Canon em ré maior de Johann Pachelbel, organista alemão de Nuremberg (1653 a 1706), foi escrito para três violinos e baixo contínuo (a linha grave tocada por cravo, órgão ou violoncelo). Ninguém sabe quando a peça foi composta: o manuscrito mais antigo conhecido é uma cópia feita no século XIX, guardada em Berlim, e o original de Pachelbel se perdeu.
A peça passou quase dois séculos esquecida. A gravação da orquestra de câmara do maestro francês Jean-François Paillard, lançada em 1968, levou o Canon às rádios, e dali ele chegou às cerimônias de casamento.
O baixo da peça é um ostinato (um padrão curto repetido sem parar). Na partitura original, as oito notas voltam 28 vezes enquanto os violinos se revezam por cima, um imitando o outro com dois compassos de atraso. Essa imitação dá à obra o nome de cânone.
No teclado, o baixo original desce mais grave do que um iniciante precisa. A versão de hoje sobe tudo para a região do dó central: começa no ré logo acima dele e desce dali, ré, lá, si, fá sustenido, sol, ré, sol, lá.
O fá sustenido é a única tecla preta do ciclo. Sustenido (o sinal # que sobe a nota meio tom) aponta a tecla preta logo à direita do fá.
As oito notas cabem em dois desenhos de mão. O desenho A cobre as quatro primeiras: ré, lá, si, fá sustenido. O desenho B cobre as quatro finais: sol, ré, sol, lá. Entre os dois, a mão inteira desliza um pouco para a esquerda.
O baixo do Canon se decora em dois blocos de quatro notas, um por posição da mão, e nunca nota a nota. |
No desenho A, o polegar esquerdo pousa no ré, o anelar no lá, o médio no si e o mínimo no fá sustenido. O dedilhado (a sequência de números de dedo, de 1 no polegar a 5 no mínimo) fica 1, 4, 3, 5.
No desenho B, o mínimo cai no ré grave, o indicador no sol e o polegar no lá. O sol de abertura também vai no indicador, e a sequência fica 2, 5, 2, 1.
Passo 1: toque só o desenho A, 1, 4, 3, 5, quatro vezes seguidas com o metrônomo a 60, uma nota por clique.
Passo 2: toque só o desenho B, 2, 5, 2, 1, mais quatro vezes, no mesmo andamento.
Passo 3: diga em voz alta o nome de cada nota enquanto toca, para o ouvido grudar o nome no som.
Passo 4: junte os dois desenhos num ciclo inteiro e repita o ciclo oito vezes sem parar o metrônomo.
No Passo 4, o ciclo termina no lá e recomeça no ré. Essa volta também se treina: o polegar sobe do lá para o ré, e a mão salta do desenho B de volta para o A sem perder o clique.
A ligação do lá com o ré transforma oito notas soltas num laço sem costura. Quando ela sai limpa, o ouvido deixa de perceber onde o ciclo começa.
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