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Cinco oitavas e um botão desligado
Sessenta e uma teclas cobrem o ciclo inteiro com folga, e o que muda o som da prática de hoje é a sensibilidade ao toque, não a contagem.
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Tríade de dó, dedos 1, 3 e 5
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Um teclado de sessenta e uma teclas começa no dó e termina no dó, e entre os dois cabem exatamente cinco oitavas. Cada oitava tem doze teclas, sete brancas e cinco pretas, e cinco vezes doze dá sessenta, mais o dó final que fecha a contagem em sessenta e uma.
A pergunta que costuma aparecer na primeira semana é se esse tamanho basta. A conta responde sozinha: as doze notas do ciclo se repetem cinco vezes em toda a extensão, e nenhuma delas fica de fora. Um piano de oitenta e oito teclas tem mais grave e mais agudo nas pontas, e não uma nota diferente no meio.
A maioria esmagadora do repertório de estudo dos primeiros anos vive na região central, entre duas e três oitavas em volta do dó do meio. Sobra teclado nas duas pontas mesmo tocando peças bem acima do nível de quem começou este mês.
O que separa dois teclados de sessenta e uma teclas na loja não é a contagem, então. É uma linha na caixa que quase ninguém lê, escrita como sensibilidade ao toque, dinâmica ou toque responsivo, e ela decide se a tecla obedece à força do seu dedo ou ignora ela.
Num teclado sem essa resposta, apertar de leve e apertar com vontade produz exatamente o mesmo volume. A eletrônica só registra que a tecla desceu, e devolve sempre a mesma nota, no mesmo tamanho, com a mesma dureza.
Num teclado com essa resposta, a velocidade com que a tecla desce vira volume. Dedo lento produz som pequeno, dedo rápido produz som grande, e todos os degraus entre os dois existem e estão disponíveis desde a primeira aula.
A diferença some numa escala tocada devagar e aparece inteira numa música de verdade. Melodia que precisa cantar por cima do acompanhamento, final de frase que precisa diminuir, acorde que precisa entrar sem assustar: tudo depende de o instrumento ouvir a mão.
A lição de hoje usa três notas apoiadas ao mesmo tempo para descobrir qual dos dois teclados está na sua mesa, e para começar a controlar a mão nos dois casos.
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I A Lição de Hoje
Três volumes na mesma tríade
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As teclas do exercício de hoje: dó, mi e sol, os dedos 1, 3 e 5 juntos.
Monte a tríade de dó maior com a mão direita. Polegar no dó central, dedo médio no mi e dedo mínimo no sol, os dedos 1, 3 e 5, com o indicador e o anular apoiados sem peso sobre o ré e o fá.
Deixe a mão curva e os três dedos tocando as teclas sem afundar nada. Toque as três notas juntas uma vez, de leve, só para ouvir o acorde inteiro soando.
Agora vem o teste que revela o instrumento. Toque a mesma tríade três vezes seguidas, com uma pausa de dois segundos entre elas, e mude só a velocidade com que os dedos descem.
Na primeira, deixe os dedos caírem devagar, quase sem intenção, como se a mão estivesse cansada. Na segunda, use a velocidade normal de quem toca uma nota sem pensar. Na terceira, deixe o peso do antebraço descer junto e afunde as três teclas rápido.
Se as três repetições saírem com volumes claramente diferentes, o seu teclado tem sensibilidade ao toque. Se as três saírem idênticas, ele não tem, e a lição muda de rota daqui pra frente. |
Confira o menu antes de concluir qualquer coisa. Muitos teclados vêm com a sensibilidade desligada de fábrica ou ajustada no modo fixo, e o ajuste aparece com nomes como touch, touch response, sensitivity ou dinâmica, com opções entre suave, normal, forte e fixo.
Procure o botão de função ou o menu de configurações e mude para normal, que é a resposta mais próxima de um piano acústico. Depois refaça o teste das três velocidades e ouça de novo, porque um bom número de teclados que parecem surdos estavam só desligados.
Com a sensibilidade ligada, o exercício de hoje tem três degraus e um nome para cada um. Suave é a tríade que mal se ouve do outro lado da sala, médio é a que você usaria numa música normal, e forte é a que enche o cômodo sem bater.
Toque a sequência suave, médio, forte, com dois segundos entre cada acorde, e repita oito vezes. O alvo não é acertar um volume específico, é ouvir três tamanhos distintos e reconhecer qual movimento de braço produziu cada um.
Se o seu teclado não tem sensibilidade, faça a mesma sequência mesmo assim, e conte com os olhos em vez do ouvido. A velocidade de descida do dedo continua sendo a coisa que você está treinando, e a mão leva o hábito inteiro para o instrumento seguinte.
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II O Erro que Trava
A mão que aperta em vez de pesar
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O erro que trava o som não é falta de força, é excesso de aperto. Quem aprendeu num teclado sem sensibilidade descobre que o volume não muda e passa a apertar a tecla mais fundo, com o dedo tenso, esperando um resultado que o instrumento nunca vai dar. |
A tecla desce até o fundo e para. Depois desse ponto, toda pressão a mais vai para o tendão e não para o som, e o dedo trabalha contra madeira ou plástico parado sem nenhum retorno.
O hábito nasce silencioso e sobrevive à troca de instrumento. A pessoa compra um teclado com sensibilidade meses depois, senta, e continua apertando, o que produz uma sequência de acordes todos no mesmo volume alto num aparelho perfeitamente capaz de sussurrar.
O som denuncia antes da mão. As três notas da tríade saem duras, com um estalo de plástico junto do ataque, e cada acorde chega no mesmo tamanho do anterior, sem nenhuma respiração entre eles.
Existe um teste de aperto que não precisa de ouvido nenhum. Toque a tríade e mantenha as três teclas afundadas por cinco segundos, depois repare se o antebraço está duro ao toque da outra mão: peso de braço apoiado deixa o músculo mole, aperto de dedo deixa ele rígido.
Um segundo teste usa o silêncio. Apoie os três dedos nas teclas e empurre bem devagar, tentando afundar sem produzir som nenhum, o que é possível se a descida for lenta o bastante. Quem só consegue tocar apertando quase sempre falha nesse teste na primeira tentativa.
Carl Philipp Emanuel Bach descreveu o problema num tratado de 1753, e a frase continua servindo de critério.
“Aqueles que tocam com dedos rígidos e nervos tensos jamais alcançam o que buscam, a saber, a clareza.” Carl Philipp Emanuel Bach, Ensaio sobre a Verdadeira Arte de Tocar Instrumentos de Teclado, 1753 |
A correção é uma troca de fonte de energia. Em vez de empurrar a tecla com o músculo do dedo, deixe o antebraço descer solto do cotovelo e use o dedo apenas como ponto de apoio firme, sem que ele empurre nada por conta própria.
O sinal de que a troca funcionou aparece no relaxamento depois do ataque. A tecla desce, o som sai, e a mão volta ao repouso em cima das teclas em vez de continuar segurando pressão sobre um fundo que já foi alcançado.
Repare também no ombro, que é o outro lugar em que o aperto se esconde. Ombro subindo em direção à orelha corta o caminho do peso do braço, e o dedo fica sozinho de novo, apertando o que deveria só apoiar.
Guarde a consequência prática que vale para os dois tipos de teclado. Controlar volume é controlar velocidade de descida, e velocidade de descida vem do braço solto: quem treina o gesto certo num aparelho surdo já chega pronto no dia em que trocar de instrumento.
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