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A estrofe de Let It Be se organiza em blocos de quatro compassos. No primeiro bloco, os acordes aparecem assim: dó e sol no primeiro compasso, lá menor e fá no segundo, dó e sol no terceiro, fá e dó no quarto.
São oito acordes em quatro compassos. Cada um dura exatamente dois tempos, e a mão troca de posição oito vezes nesse trecho. Parece muita troca, mas todas caem em dois lugares fixos: no 1 e no 3.
O dó de hoje é o acorde mais conhecido do teclado: dó, mi e sol, tocados pelo polegar, pelo médio e pelo mínimo da mão direita, a partir do dó central (o dó que fica no meio do teclado).
O sol pede uma posição vizinha. Em vez de levar a mão inteira para cima, o mínimo fica parado no sol, o médio desce do mi para o ré e o polegar desce do dó para o si. É o acorde de sol com as notas reorganizadas, e a mão quase não sai do lugar.
Com dois acordes no compasso, o primeiro fica com os tempos 1 e 2 e o segundo entra no 3. |
O pedagogo suíço Émile Jaques-Dalcroze defendeu em Rhythm, Music and Education (1921) que o ritmo se aprende primeiro no corpo, no passo e na voz, e só depois na leitura. Contar alto enquanto a mão toca segue a mesma ordem: a voz marca o tempo e a mão obedece.
Passo 1: ligue o metrônomo a 70 e conte 1, 2, 3, 4 em voz alta por quatro compassos, sem tocar nada.
Passo 2: toque o dó no 1, segure no 2, e solte no fim do 2. Repita por quatro compassos, só com o dó.
Passo 3: agora toque o dó no 1 e o sol no 3, contando alto. A palavra três sai junto com as três teclas novas.
Passo 4: faça oito compassos seguidos de dó e sol sem parar o metrônomo, e repare em qual número a mão começa a se mexer.
O ponto fino está no Passo 4. A mão não começa a mudar no três: ela sai do dó no fim do dois, nos últimos instantes antes do estalo. Quando o três soa, os dedos já estão pousados no sol.
Essa antecipação pequena é o que separa uma troca limpa de uma troca atrasada. O som do dó corta um pouquinho antes, e ninguém percebe, porque o ouvido está atento ao acorde novo que chega no tempo certo.
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