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ED 026

Duas brancas sem vizinha preta

Mi e si são as únicas teclas brancas sem preta à direita, e a tríade menor de hoje apoia o polegar e o mínimo justamente nelas.

Diagrama das teclas com a tríade de mi menor, dedos 1, 3 e 5 sobre mi, sol e si, e os grupos de duas e de três teclas pretas marcados acima da régua

Tríade de mi menor, dedos 1, 3 e 5

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Olhe para o teclado por dez segundos sem tocar nada e repare só nas teclas pretas. Elas nunca aparecem sozinhas nem em fila contínua: vêm sempre em grupos de duas e de três, alternando, do grave ao agudo, sem uma única exceção em toda a extensão do instrumento.

Esse desenho é a régua do teclado. Cada grupo de duas pretas e cada grupo de três pretas se repete a cada doze teclas, e é por eles que a mão sabe onde está sem precisar contar nada a partir da ponta do móvel.

Agora repare no que acontece com as teclas brancas em volta desses grupos. A maioria delas tem uma preta encostada em cima, à direita, ocupando o canto de trás da tecla e estreitando a parte de cima dela. Sete brancas por oitava, cinco pretas, o que deixa duas brancas sem essa vizinha.

Essas duas são o mi e o si. O mi fecha o grupo de duas pretas, o si fecha o grupo de três, e nos dois casos a parte de trás da tecla continua branca até encostar direto na próxima branca. São as únicas duas teclas do teclado inteiro com o canto direito livre.

A consequência prática aparece no tato antes de aparecer na teoria. Um dedo que desliza por cima das brancas sente uma parede preta a cada passo e, exatamente em dois pontos por oitava, não sente parede nenhuma. O mi e o si são reconhecíveis de olhos fechados, coisa que o ré e o lá, cercados de preto dos dois lados, nunca serão.

A tríade de hoje foi escolhida por causa dessa dupla. Mi menor apoia o polegar no mi, o mínimo no si e deixa o sol no meio, o que significa que os dois dedos das pontas do acorde caem justamente nas duas teclas que a mão consegue encontrar sem olhar.

A lição de hoje monta esse acorde na mão direita e usa a borda livre das duas teclas como ponto de referência para o polegar sair do dó pela primeira vez.

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I  A Lição de Hoje

O polegar troca de casa

As teclas do exercício de hoje: mi, sol e si, os dedos 1, 3 e 5 juntos.

Monte a tríade de mi menor com a mão direita. Polegar no mi, dedo médio no sol e dedo mínimo no si, os dedos 1, 3 e 5, com o indicador solto sobre o fá e o anular sobre o lá.

Repare no que mudou de posição antes de tocar. O polegar deixou o dó e foi para o mi, duas teclas brancas acima, e a mão inteira andou junto com ele, o que faz o mínimo cair no si em vez de cair no sol.

Encontre as duas teclas pelo canto de trás, não pela contagem. Deslize a ponta do polegar pela parte de cima das brancas até ela passar sem esbarrar em nada logo depois de um grupo de duas pretas: aquele é o mi. O mínimo faz o mesmo movimento mais acima e para no primeiro canto livre depois de um grupo de três pretas, que é o si.

Toque as três notas juntas uma vez, com o antebraço descendo solto do cotovelo e os dedos apenas apoiando. O acorde inteiro deve soar como um bloco só, sem nenhuma das três notas chegando adiantada.

A distância entre o mi e o si é a mesma distância entre o dó e o sol: cinco teclas brancas de ponta a ponta. A mão não abre nem fecha, ela só anda dois degraus para a direita.

Confira a mão pelo formato, que é mais confiável do que a memória. Polegar e mínimo tocam nas duas teclas com canto livre, o médio ocupa a branca do meio, e sobram exatamente uma branca vazia de cada lado do médio, sob o indicador e sob o anular.

Agora venha o exercício de deslocamento, que é o coração da lição. Toque a tríade de dó com os dedos 1, 3 e 5, tire a mão do teclado, respire uma vez, e volte direto na tríade de mi menor sem olhar para os dedos durante o movimento.

Repita esse vai e vem doze vezes, alternando dó e mi menor, com uma pausa de dois segundos entre cada acorde. O alvo não é velocidade, é chegar com os três dedos já no lugar certo no instante em que a mão pousa.

Ouça a diferença de cor entre os dois acordes enquanto alterna. A tríade de dó soa aberta e resolvida, e a de mi menor soa fechada e um pouco mais escura, porque a distância entre a nota de baixo e a do meio encolheu meio tom.

Termine a faixa com seis repetições só de mi menor, contando quatro tempos com o acorde soando e quatro tempos de silêncio com os dedos apoiados nas teclas sem afundar. Esse silêncio com a mão parada em cima é onde o formato do acorde fica gravado.

 
 

II  O Erro que Trava

O dedo que conta em vez de olhar

O erro que trava a mudança de posição é contar teclas a partir do dó. Quem aprendeu a achar cada nota subindo dó, ré, mi na cabeça continua fazendo essa contagem para sempre, e cada acorde novo custa dois segundos de aritmética antes de sair.

A conta funciona enquanto a mão fica parada e desmorona no primeiro deslocamento. Tirar a mão do teclado apaga o ponto de partida, e o olho volta procurando o dó para recomeçar a contagem em vez de procurar o desenho das pretas, que está visível o tempo inteiro.

O sintoma é fácil de reconhecer numa gravação de vídeo do celular apoiado na estante. Entre um acorde e outro aparece uma parada com o olhar varrendo o teclado da esquerda para a direita, e os dedos ficam suspensos no ar esperando o resultado da busca.

Existe um segundo sintoma, mais discreto, na ponta do polegar. Ele pousa primeiro no ré ou no fá, escorrega meia tecla para o lado e só depois assenta no mi, o que produz um começo de som abafado ou uma nota errada rapidamente abandonada.

Carl Philipp Emanuel Bach já tratava a escolha e a colocação dos dedos como assunto de primeira ordem, e não de acabamento.

“Perde-se mais por uma digitação ruim do que se pode repor com toda a arte e todo o bom gosto concebíveis.”

Carl Philipp Emanuel Bach, Ensaio sobre a Verdadeira Arte de Tocar Instrumentos de Teclado, 1753

A correção troca a contagem por reconhecimento de forma. Em vez de perguntar quantas teclas depois do dó fica o mi, olhe para o grupo de duas pretas e pegue a branca imediatamente à direita dele: a resposta chega inteira, sem passo intermediário.

Treine o reconhecimento fora do acorde, com um exercício de dez toques. Feche os olhos, toque qualquer tecla branca ao acaso, e diga em voz alta se ela é mi, si ou nenhuma das duas, checando pelo canto de trás com a ponta do dedo antes de abrir os olhos.

O canto de trás responde sozinho. Se o dedo escorrega para cima e encontra preto, a tecla não é mi nem si; se ele sobe e continua no branco até o fundo do teclado, é uma das duas, e a altura do som diz qual.

Repare que esse teste é tátil e independe de enxergar bem o instrumento. Praticar com pouca luz, ou com uma partitura ocupando o olho, deixa de ser um problema quando a mão passa a se localizar pelo relevo em vez de se localizar pela contagem.

Guarde a consequência que vale para todo o repertório que vem depois. Cada posição nova que você aprender vai ser descrita por um ponto de apoio no desenho das pretas, e quem já não conta a partir do dó aprende cada uma delas em minutos em vez de dias.

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III  A Mão Esquerda

Achar o mi grave sem olhar

A mão esquerda tem um problema a mais que a direita na hora de trocar de posição. Ela fica na região grave, longe do centro do campo de visão de quem lê uma partitura, e quase sempre é a mão que chega atrasada no acorde.

Monte o mi menor da esquerda uma oitava abaixo. Mínimo esquerdo, o dedo 5, no mi grave, dedo médio no sol acima dele e polegar no si, os dedos 5, 3 e 1 de baixo para cima, com a palma curva e o pulso na altura das teclas.

Ache o mi grave pelo mesmo relevo que a direita usa. Deslize o dedo mínimo por cima das brancas da região grave até o canto de trás ficar livre logo depois de um grupo de duas pretas, sem contar oitava nenhuma e sem procurar o dó como ponto de partida.

Toque a tríade da esquerda oito vezes, com quatro tempos de som e quatro de silêncio, e ouça se o mi de baixo está saindo maior que o sol e o si. A região grave soa mais cheia por natureza, e o dedo mínimo é o que mais tende a bater sozinho.

Agora venha o exercício de localização cega, que é o que a esquerda mais precisa. Toque a tríade, tire a mão inteira do teclado e apoie ela no colo por dois segundos, depois volte direto ao mi grave sem olhar, conferindo o acerto só depois que as três teclas já estiverem afundadas.

Erre à vontade nas primeiras tentativas. O ganho está em corrigir pelo tato, deslizando meia tecla para o lado até o canto livre aparecer sob o mínimo, em vez de levantar a mão e recomeçar procurando com o olho.

Minuto 1 a 2: o vai e vem da direita entre a tríade de dó e a de mi menor, doze vezes, com pausa de dois segundos entre os acordes.

Minuto 3 a 5: o teste tátil de dez toques de olhos fechados, dizendo em voz alta se a tecla é mi, si ou nenhuma das duas.

Minuto 6 a 8: a esquerda sozinha no mi menor grave, oito repetições de quatro tempos, cuidando para o mi de baixo não engolir o sol e o si.

Minuto 9 a 10: a localização cega da esquerda, mão no colo entre uma tentativa e outra, seis vezes, sem pressa e sem cobrar acerto de primeira.

Feche a sessão com uma repetição só, tocada devagar e com o braço solto do ombro. A tríade de mi menor vai voltar em centenas de músicas daqui pra frente, e a mão que chega nela pelo canto livre da tecla chega sempre, com luz ou sem luz, com partitura ou de memória.

"Você acha o mi pelo desenho das pretas ou contando a partir do dó?"

 
 
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