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ED 003

O acorde de dó cabe em três dedos

Polegar, médio e mínimo caem em dó, mi e sol com uma tecla branca de fora entre cada par, e as três passam a soar de uma vez.

Close das teclas brancas de dó, mi e sol iluminadas por uma luz quente, com o ré e o fá em sombra, sem pessoas.

Dó, mi e sol, com uma branca de fora entre elas

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Um acorde não é uma fila de notas, é um bloco. Três teclas afundam no mesmo instante, o som chega inteiro no ouvido e o que se escuta não é dó, depois mi, depois sol. É uma coisa só, com nome próprio, e o nome dela é dó maior.

O primeiro acorde de todo método impresso é justamente ele, e a escolha não tem nada de sentimental. Dó maior mora em três teclas brancas, não pede nenhuma preta e deixa a mão parada no mesmo lugar do começo ao fim da lição. É o acorde que cabe na mão de quem sentou no teclado esta semana.

Maior e menor não são adjetivos de humor, são medidas. O que define o nome é a distância entre a primeira e a segunda nota do bloco, contada em teclas, pretas incluídas. No dó maior essa distância é a mais larga das duas possíveis, e o ouvido traduz a largura como som aberto, firme, sem pergunta no fim.

Três notas ao mesmo tempo formam a unidade mínima da harmonia, e o nome técnico dela é tríade. Duas ou três tríades na mão esquerda sustentam a maior parte do repertório que um adulto quer tocar em casa, com a direita livre pra melodia por cima.

Existe um pedágio no caminho, e ele é audível. Muita gente monta a forma certa e mesmo assim afunda as três teclas em sequência, uma logo depois da outra, num intervalo curto o bastante pra passar despercebido pelos dedos e longo o bastante pro ouvido contar três eventos no lugar de um.

A lição de hoje leva dez minutos e começa pelo endereço de cada dedo. Qual deles cai em qual tecla na mão direita, quais teclas ficam de fora do bloco e por que os três escolhidos são justamente esses, e não os três primeiros da fila.

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I  A Lição de Hoje

O ré e o fá ficam de fora

Três teclas apertadas, duas livres no meio. Veja qual dedo cai em cada uma, o que fazem os dois que sobram e como fixar a forma em dez minutos.

O polegar cai no dó, o dedo do meio no mi e o dedo mínimo no sol. São os dedos 1, 3 e 5 da mão direita, e a numeração vale em qualquer método impresso, porque o 1 é sempre o polegar e a contagem segue até o mínimo.

Entre um dedo e o seguinte fica uma tecla branca sem ninguém em cima. O ré, vizinho do dó, fica de fora. O fá, vizinho do mi, também fica. A forma do acorde é essa alternância, uma tecla apertada e uma tecla livre, repetida duas vezes.

O motivo de a escolha cair em 1, 3 e 5 é o tamanho da mão aberta. Com os cinco dedos pousados em cinco brancas vizinhas, os três das pontas e do meio já estão exatamente sobre as teclas certas, sem esticar nada e sem torcer o pulso.

Os dois dedos que sobram não saem do teclado. O indicador fica pousado sobre o ré e o anelar sobre o fá, tocando a superfície sem afundar. Dedo levantado no ar cria tensão no antebraço e atrasa o vizinho quando chega a hora dele.

A altura do pulso decide o resto. Ele fica na linha do dorso da mão, nem caído abaixo do teclado nem estufado pra cima, e os dedos ficam curvos, com a ponta apoiada e a unha curta o bastante pra não bater na tecla antes da polpa.

Os três primeiros minutos são de forma sem som. Monte o acorde sobre as teclas, deixe os cinco dedos em contato, tire a mão pro colo e monte de novo, dez vezes, sem afundar nenhuma tecla.

Acorde não se toca com três dedos, se toca com uma mão inteira que desce de uma vez.

Nos quatro minutos seguintes vem o som, e ele vem longo. Afunde as três teclas e segure por quatro segundos, ouvindo até o fim. Repita oito vezes, e em cada uma procure escutar se alguma das três notas está mais fraca que as outras duas.

A nota fraca quase sempre é a do mínimo. Ele é o dedo mais curto e o que menos recebe peso do braço, então o sol sai apagado e o acorde soa incompleto sem que a causa apareça sozinha.

Os três minutos finais trocam o som longo pelo som curto. Afunde e solte o acorde dez vezes, com a mão saindo e voltando à mesma posição, sem correr. O alvo não é velocidade, é a forma voltar igual todas as vezes.

A medida de que a lição pegou cabe em um gesto. A mão sobe do colo, pousa nas três teclas certas sem tatear, e o dó maior sai completo na primeira tentativa, sem conferência visual.

 
 

II  O Erro que Trava

As três notas em fila indiana

Três teclas afundadas em sequência produzem três eventos, e o ouvido conta três. Acorde é um evento só, e a distância entre uma coisa e a outra cabe em poucos centésimos de segundo.

O comando sai do cérebro em ordem, um dedo de cada vez, e a ordem é quase sempre a mesma. O polegar afunda primeiro porque é o mais forte, o dedo do meio vem em seguida e o mínimo chega por último, arrastado.

O nome do vício é fila indiana, e ele fica fácil de reconhecer depois de nomeado. O acorde sai com um leve rolar, como se a mão despencasse do polegar na direção do mínimo, e o efeito é de um arpejo curto que ninguém pediu.

Em andamento lento o ouvido perdoa e o defeito passa. A percepção de simultaneidade fica em torno de três centésimos de segundo, e uma fila de trinta milissegundos por nota já rompe o limite sem que a mão sinta diferença nenhuma.

A conta vira problema quando entra o tempo da música. Numa canção a oitenta batidas por minuto, cada tempo dura setenta e cinco centésimos de segundo, e um acorde derramado ocupa a primeira metade dele, empurrando a melodia pra trás.

O sintoma é visível sem professor por perto. O pulso balança pro lado durante o acorde, o polegar afunda mais fundo que os outros dois e o dorso da mão inclina em direção ao mínimo em vez de descer paralelo ao teclado.

O teste que não mente custa dez segundos de gravação. Grave o acorde no celular, ouça com fone e conte os ataques. Se aparecem dois ou três começos distintos no lugar de um bloco, a fila está lá, e o gravador é mais honesto que o ouvido de quem toca.

A correção troca o sujeito da frase. Não são três dedos que apertam, é a mão que desce. Os três dedos ficam pousados sobre as teclas antes de qualquer movimento, e o que se move é o braço, que solta o peso de uma vez.

O exercício da noite tem duas etapas. Primeiro o contato mudo: pouse os três dedos sobre dó, mi e sol sem produzir som e confira que os três estão encostados. Depois solte o peso do braço num movimento só, sem empurrar dedo nenhum.

O parente próximo do defeito está na saída. As três teclas sobem em fila, uma solta antes das outras, e o final do acorde fica esfarrapado. Soltar também é um gesto só, e a mão sobe inteira, do mesmo jeito que desceu.

O ganho aparece em duas ou três noites e é audível. O acorde passa a ter um começo único, o volume das três notas se equilibra e a mão fica livre pra pensar no que vem depois, que é a troca de acorde.

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III  A Mão Esquerda

O mínimo carrega o dó grave

A mão esquerda toca o mesmo acorde e inverte a numeração. O mínimo cai no dó, o dedo do meio no mi e o polegar no sol, porque as duas mãos são espelhos e o dedo 5 da esquerda é o que aponta pra região grave do teclado.

A forma no papel continua idêntica, com o ré e o fá de fora, mas o dedo que carrega a nota mais grave troca de posto. Na direita o dó fica com o polegar, o dedo mais forte da mão; na esquerda ele fica com o mínimo, o mais fraco dos cinco.

A troca explica um som comum de quem estuda sozinho. O acorde da esquerda soa fino, sem fundo, porque a nota que deveria sustentar tudo é a que sai mais fraca, e o ouvido registra a falta sem saber apontar de onde ela vem.

Minuto 1 a 3: deixe a direita fora do teclado. Pouse os cinco dedos da esquerda em cinco brancas vizinhas na região grave, com o mínimo no dó. Monte e desmonte o acorde dez vezes sem som, conferindo que o ré e o fá continuam livres.

Minuto 4 a 7: som longo, com atenção na nota de baixo. Afunde os três e segure quatro segundos. Se o dó grave sumir no meio do caminho, incline o peso do braço na direção do mínimo e mantenha a curva do dedo, sem apertar mais forte.

Minuto 8 a 10: as duas mãos no mesmo acorde, distantes uma da outra no teclado. A esquerda toca o dó grave e a direita toca o dó do meio, as seis teclas afundam no mesmo instante e o som que sai é um só, mais largo.

Uma observação sobre o pulso da esquerda. Ele tende a ceder pra dentro quando o mínimo trabalha, e o dedo cede junto, virando uma coluna torta. Mantenha o dorso da mão paralelo ao teclado e o antebraço alinhado com a mão.

Vale terminar a noite com o teste do dó sozinho. Toque só a nota mais grave, guarde o volume dela na memória, e depois toque o acorde inteiro. A nota de baixo tem que continuar audível dentro do bloco, no mesmo volume de quando estava só.

Com o bloco firme nas duas mãos, o passo seguinte do repertório fica curto. Quase toda canção simples pede duas ou três formas parecidas com essa, e a mão que já sabe descer inteira sobre três teclas monta a forma nova com o mesmo gesto.

"Quando você aperta o dó maior, o ouvido escuta um som ou três?"

 
 
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A Mão Esquerda Acorda

O Trilho de Baixo que tira a mão parada do lugar e junta as duas mãos na mesma música.

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Segundo a edição, quais dedos da mão direita tocam o acorde de dó maior?

AOs dedos 1, 2 e 3, os três primeiros da fila
BOs dedos 1, 3 e 5, com uma tecla branca livre entre eles
COs dedos 2, 3 e 4, que ficam no meio da mão
DOs dedos 3, 4 e 5, deixando o polegar livre
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Dez minutos hoje. Domingo a casa reconhece.

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