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O acorde de dó cabe em três dedos
Polegar, médio e mínimo caem em dó, mi e sol com uma tecla branca de fora entre cada par, e as três passam a soar de uma vez.
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Dó, mi e sol, com uma branca de fora entre elas
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Um acorde não é uma fila de notas, é um bloco. Três teclas afundam no mesmo instante, o som chega inteiro no ouvido e o que se escuta não é dó, depois mi, depois sol. É uma coisa só, com nome próprio, e o nome dela é dó maior.
O primeiro acorde de todo método impresso é justamente ele, e a escolha não tem nada de sentimental. Dó maior mora em três teclas brancas, não pede nenhuma preta e deixa a mão parada no mesmo lugar do começo ao fim da lição. É o acorde que cabe na mão de quem sentou no teclado esta semana.
Maior e menor não são adjetivos de humor, são medidas. O que define o nome é a distância entre a primeira e a segunda nota do bloco, contada em teclas, pretas incluídas. No dó maior essa distância é a mais larga das duas possíveis, e o ouvido traduz a largura como som aberto, firme, sem pergunta no fim.
Três notas ao mesmo tempo formam a unidade mínima da harmonia, e o nome técnico dela é tríade. Duas ou três tríades na mão esquerda sustentam a maior parte do repertório que um adulto quer tocar em casa, com a direita livre pra melodia por cima.
Existe um pedágio no caminho, e ele é audível. Muita gente monta a forma certa e mesmo assim afunda as três teclas em sequência, uma logo depois da outra, num intervalo curto o bastante pra passar despercebido pelos dedos e longo o bastante pro ouvido contar três eventos no lugar de um.
A lição de hoje leva dez minutos e começa pelo endereço de cada dedo. Qual deles cai em qual tecla na mão direita, quais teclas ficam de fora do bloco e por que os três escolhidos são justamente esses, e não os três primeiros da fila.
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I A Lição de Hoje
O ré e o fá ficam de fora
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Três teclas apertadas, duas livres no meio. Veja qual dedo cai em cada uma, o que fazem os dois que sobram e como fixar a forma em dez minutos.
O polegar cai no dó, o dedo do meio no mi e o dedo mínimo no sol. São os dedos 1, 3 e 5 da mão direita, e a numeração vale em qualquer método impresso, porque o 1 é sempre o polegar e a contagem segue até o mínimo.
Entre um dedo e o seguinte fica uma tecla branca sem ninguém em cima. O ré, vizinho do dó, fica de fora. O fá, vizinho do mi, também fica. A forma do acorde é essa alternância, uma tecla apertada e uma tecla livre, repetida duas vezes.
O motivo de a escolha cair em 1, 3 e 5 é o tamanho da mão aberta. Com os cinco dedos pousados em cinco brancas vizinhas, os três das pontas e do meio já estão exatamente sobre as teclas certas, sem esticar nada e sem torcer o pulso.
Os dois dedos que sobram não saem do teclado. O indicador fica pousado sobre o ré e o anelar sobre o fá, tocando a superfície sem afundar. Dedo levantado no ar cria tensão no antebraço e atrasa o vizinho quando chega a hora dele.
A altura do pulso decide o resto. Ele fica na linha do dorso da mão, nem caído abaixo do teclado nem estufado pra cima, e os dedos ficam curvos, com a ponta apoiada e a unha curta o bastante pra não bater na tecla antes da polpa.
Os três primeiros minutos são de forma sem som. Monte o acorde sobre as teclas, deixe os cinco dedos em contato, tire a mão pro colo e monte de novo, dez vezes, sem afundar nenhuma tecla.
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Acorde não se toca com três dedos, se toca com uma mão inteira que desce de uma vez.
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Nos quatro minutos seguintes vem o som, e ele vem longo. Afunde as três teclas e segure por quatro segundos, ouvindo até o fim. Repita oito vezes, e em cada uma procure escutar se alguma das três notas está mais fraca que as outras duas.
A nota fraca quase sempre é a do mínimo. Ele é o dedo mais curto e o que menos recebe peso do braço, então o sol sai apagado e o acorde soa incompleto sem que a causa apareça sozinha.
Os três minutos finais trocam o som longo pelo som curto. Afunde e solte o acorde dez vezes, com a mão saindo e voltando à mesma posição, sem correr. O alvo não é velocidade, é a forma voltar igual todas as vezes.
A medida de que a lição pegou cabe em um gesto. A mão sobe do colo, pousa nas três teclas certas sem tatear, e o dó maior sai completo na primeira tentativa, sem conferência visual.
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II O Erro que Trava
As três notas em fila indiana
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Três teclas afundadas em sequência produzem três eventos, e o ouvido conta três. Acorde é um evento só, e a distância entre uma coisa e a outra cabe em poucos centésimos de segundo.
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O comando sai do cérebro em ordem, um dedo de cada vez, e a ordem é quase sempre a mesma. O polegar afunda primeiro porque é o mais forte, o dedo do meio vem em seguida e o mínimo chega por último, arrastado.
O nome do vício é fila indiana, e ele fica fácil de reconhecer depois de nomeado. O acorde sai com um leve rolar, como se a mão despencasse do polegar na direção do mínimo, e o efeito é de um arpejo curto que ninguém pediu.
Em andamento lento o ouvido perdoa e o defeito passa. A percepção de simultaneidade fica em torno de três centésimos de segundo, e uma fila de trinta milissegundos por nota já rompe o limite sem que a mão sinta diferença nenhuma.
A conta vira problema quando entra o tempo da música. Numa canção a oitenta batidas por minuto, cada tempo dura setenta e cinco centésimos de segundo, e um acorde derramado ocupa a primeira metade dele, empurrando a melodia pra trás.
O sintoma é visível sem professor por perto. O pulso balança pro lado durante o acorde, o polegar afunda mais fundo que os outros dois e o dorso da mão inclina em direção ao mínimo em vez de descer paralelo ao teclado.
O teste que não mente custa dez segundos de gravação. Grave o acorde no celular, ouça com fone e conte os ataques. Se aparecem dois ou três começos distintos no lugar de um bloco, a fila está lá, e o gravador é mais honesto que o ouvido de quem toca.
A correção troca o sujeito da frase. Não são três dedos que apertam, é a mão que desce. Os três dedos ficam pousados sobre as teclas antes de qualquer movimento, e o que se move é o braço, que solta o peso de uma vez.
O exercício da noite tem duas etapas. Primeiro o contato mudo: pouse os três dedos sobre dó, mi e sol sem produzir som e confira que os três estão encostados. Depois solte o peso do braço num movimento só, sem empurrar dedo nenhum.
O parente próximo do defeito está na saída. As três teclas sobem em fila, uma solta antes das outras, e o final do acorde fica esfarrapado. Soltar também é um gesto só, e a mão sobe inteira, do mesmo jeito que desceu.
O ganho aparece em duas ou três noites e é audível. O acorde passa a ter um começo único, o volume das três notas se equilibra e a mão fica livre pra pensar no que vem depois, que é a troca de acorde.
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