|
|
| {{subiu_orn | }} |
{{subiu_num | }} |
{{subiu_orn | }} |
{{subiu_caps | }}
{{subiu_linha | }}
|
|
O aquecimento de dois minutos que pula o ré
O primeiro exercício de Hanon sobe cinco notas de grau em grau, com o dedo 2 caindo no mi, e cabe inteiro antes da lição do dia.
|
Dó, mi, fá, sol e lá, com o ré pulado
|
| ▼ |
| |
|
A madeira da tampa está fria às sete da manhã, mais fria que a palma que a levanta, e as primeiras teclas devolvem essa temperatura para a ponta dos dedos. As oito notas iniciais saem duras, com o quarto dedo chegando atrasado, como se ainda não tivesse recebido o recado de que a sessão começou.
Existe um exercício escrito exatamente para esses dois minutos. Charles-Louis Hanon era organista e professor numa cidade portuária do norte da França quando publicou, em 1873, um caderno chamado O Pianista Virtuoso, com sessenta exercícios em ordem crescente de dificuldade, e o primeiro deles abre o livro como porta de entrada.
O desenho é curto e cabe na memória em uma leitura. A mão direita toca dó, mi, fá, sol e lá subindo, depois volta por sol, fá e mi, e cada dedo tem seu lugar fixo: polegar no dó, indicador no mi, e os outros três nas três brancas seguintes, em ordem.
Uma tecla fica de fora logo no começo. O ré, vizinho imediato do dó, não é tocado em nenhum momento, e o indicador precisa pular por cima dele para alcançar o mi. Esse salto de dois graus obriga o segundo dedo a se afastar do polegar em vez de andar colado nele, que é o hábito com que quase todo iniciante chega ao teclado.
Depois das oito notas, a mão inteira anda uma tecla branca para a direita e repete o mesmo desenho começando no ré. Depois no mi, no fá, no sol, sempre com a mesma forma e a mesma ordem de dedos, subindo o teclado como uma escada em que cada degrau tem o formato do anterior.
A mão esquerda faz o desenho idêntico duas oitavas abaixo, no mesmo instante, com a ordem dos dedos invertida porque a mão está espelhada. As duas mãos tocam sempre a mesma nota, separadas pela distância, e o ouvido escuta uma linha só com corpo dobrado.
A lição de hoje monta o exercício nota por nota na mão direita, define o andamento de estudo e mostra por que o pulo do ré é a parte que faz o aquecimento valer alguma coisa.
Continue lendo ↓
|
|
|
|
I A Lição de Hoje
Cinco notas com o ré pulado
|
As teclas de hoje: dó, mi, fá, sol e lá na mão direita, com o ré pulado no meio.
Ponha o polegar direito no dó central e o indicador no mi, deixando o ré livre entre os dois. Os dedos 3, 4 e 5 caem naturalmente no fá, no sol e no lá, e a mão fica aberta sobre cinco brancas com uma tecla vaga embaixo dela. |
Confira a posição antes de tocar qualquer coisa. Da ponta do polegar à ponta do mínimo existem seis teclas brancas, e a segunda delas, o ré, precisa ficar embaixo da palma sem ninguém encostando nela. Se o indicador estiver em cima do ré, a mão inteira está uma tecla curta.
Toque as cinco notas subindo, uma por segundo: dó, mi, fá, sol, lá, com os dedos 1, 2, 3, 4 e 5 nessa ordem exata. Escute se cada nota sai com o mesmo volume da anterior, porque a diferença entre elas denuncia qual dedo ainda não tem força própria.
Volte descendo pelas três do meio: sol, fá, mi, com os dedos 4, 3 e 2. O grupo tem oito notas ao todo e termina no mi, pronto para recomeçar. Toque o grupo cinco vezes seguidas sem parar, mantendo a mão parada no lugar.
O exercício não ensina notas, ensina uma forma de mão. As oito notas são as mesmas em todo o teclado, e o único trabalho é carregar essa forma um grau acima a cada repetição. |
Agora comece a subir. Ao terminar o grupo no mi, mova a mão inteira uma tecla branca para a direita e recomece pelo ré, com o polegar no ré e o indicador no fá, pulando o mi desta vez. O desenho é o mesmo e a tecla pulada muda de nome.
Continue o mesmo movimento pelas fundamentais seguintes: mi, fá, sol, lá, si, dó. Cada grupo novo nasce um grau acima do anterior, e o braço é quem transporta a mão, com o cotovelo abrindo devagar para longe do corpo à medida que a mão anda para a direita.
Suba até o dó uma oitava acima do inicial e desça pelo mesmo caminho, agora andando um grau para a esquerda a cada grupo. A descida costuma soar mais bagunçada que a subida, porque o braço precisa recolher em vez de abrir, e o cotovelo tende a ficar preso na lateral do tronco.
Comece devagar de propósito. Sessenta notas por minuto, uma por segundo contada em voz alta, é um andamento em que dá para ouvir cada dedo separado. Hanon indicou tocar sem pressa no começo e só depois acelerar, e o caderno inteiro repousa nessa ordem.
Feche a primeira passagem cronometrando. Subida e descida completas, no andamento lento, levam perto de dois minutos, e é justamente por caber nesse espaço que o exercício funciona antes da lição do dia sem comer o tempo dela.
|
|
|
|
II O Erro que Trava
O quarto dedo que puxa o pulso junto
|
O exercício trava quando o quarto dedo levanta o pulso para conseguir tocar. O dedo 4 divide tendão com o dedo 3 e não sobe sozinho com facilidade, então a mão inventa um atalho: o pulso salta um centímetro para cima e joga o dedo na tecla de cima para baixo. |
O som entrega o atalho na hora. A nota do dedo 4, o sol de cada grupo, sai mais alta que as outras quatro e chega meio instante fora do lugar, o que faz o grupo de oito notas soar como um trecho com soluço no meio.
Existe um teste que expõe o defeito sem gravar nada. Ponha uma moeda em cima do osso do pulso, atrás da mão, e toque um grupo completo: se a moeda cair no sol, o pulso está subindo para ajudar o quarto dedo a fazer o trabalho que é dele.
O segundo sintoma aparece no dedo mínimo. Quando o pulso sobe, o dedo 5 fica pendurado no ar e ataca o lá de lado, com a lateral da ponta, o que dá à última nota da subida um som fino e apressado, diferente do resto do grupo.
Charles-Louis Hanon abriu o caderno de 1873 explicando o alvo do trabalho, e a frase ainda descreve o problema do quarto dedo melhor que qualquer diagrama.
“Se todos os cinco dedos da mão fossem igualmente bem treinados, estariam prontos para executar tudo o que foi escrito para o instrumento.” > Charles-Louis Hanon, O Pianista Virtuoso, 1873 |
A correção começa reduzindo a altura do movimento. Toque o grupo inteiro com os dedos encostados nas teclas o tempo todo, sem levantar nenhum deles mais que três milímetros, e aceite que o som fica fraco: o alvo aqui é a estabilidade do pulso, não o volume.
Faça o exercício da mesa, dez repetições. Apoie a mão numa mesa, na mesma abertura de cinco teclas, e levante só o dedo 4 dez vezes, com os outros quatro apoiados e o pulso parado. O dedo sobe pouco, e é essa altura pequena que ele tem para oferecer no teclado.
Depois volte ao teclado e toque só três notas do grupo: fá, sol, fá, com os dedos 3, 4 e 3, vinte vezes seguidas. Isolar o par de dedos que dividem tendão resolve em uma semana o que a repetição do grupo inteiro empurra para frente por meses.
Guarde a consequência para o repertório. Toda melodia com nota repetida em dedo fraco depende do mesmo pulso quieto, e a mão que aprende a segurar o pulso no exercício de aquecimento chega às músicas com o desenho de baixo já resolvido.
|
|
|