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ED 030
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O aquecimento de dois minutos que pula o ré

O primeiro exercício de Hanon sobe cinco notas de grau em grau, com o dedo 2 caindo no mi, e cabe inteiro antes da lição do dia.

Diagrama das teclas com dó, mi, fá, sol e lá pintados na mão direita, os dedos 1, 2, 3, 4 e 5 numerados sobre elas e a tecla do ré em branco no meio, marcada como pulada

Dó, mi, fá, sol e lá, com o ré pulado

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A madeira da tampa está fria às sete da manhã, mais fria que a palma que a levanta, e as primeiras teclas devolvem essa temperatura para a ponta dos dedos. As oito notas iniciais saem duras, com o quarto dedo chegando atrasado, como se ainda não tivesse recebido o recado de que a sessão começou.

Existe um exercício escrito exatamente para esses dois minutos. Charles-Louis Hanon era organista e professor numa cidade portuária do norte da França quando publicou, em 1873, um caderno chamado O Pianista Virtuoso, com sessenta exercícios em ordem crescente de dificuldade, e o primeiro deles abre o livro como porta de entrada.

O desenho é curto e cabe na memória em uma leitura. A mão direita toca dó, mi, fá, sol e lá subindo, depois volta por sol, fá e mi, e cada dedo tem seu lugar fixo: polegar no dó, indicador no mi, e os outros três nas três brancas seguintes, em ordem.

Uma tecla fica de fora logo no começo. O ré, vizinho imediato do dó, não é tocado em nenhum momento, e o indicador precisa pular por cima dele para alcançar o mi. Esse salto de dois graus obriga o segundo dedo a se afastar do polegar em vez de andar colado nele, que é o hábito com que quase todo iniciante chega ao teclado.

Depois das oito notas, a mão inteira anda uma tecla branca para a direita e repete o mesmo desenho começando no ré. Depois no mi, no fá, no sol, sempre com a mesma forma e a mesma ordem de dedos, subindo o teclado como uma escada em que cada degrau tem o formato do anterior.

A mão esquerda faz o desenho idêntico duas oitavas abaixo, no mesmo instante, com a ordem dos dedos invertida porque a mão está espelhada. As duas mãos tocam sempre a mesma nota, separadas pela distância, e o ouvido escuta uma linha só com corpo dobrado.

A lição de hoje monta o exercício nota por nota na mão direita, define o andamento de estudo e mostra por que o pulo do ré é a parte que faz o aquecimento valer alguma coisa.

Continue lendo ↓

 
 

As teclas de hoje: dó, mi, fá, sol e lá na mão direita, com o ré pulado no meio.

I  A Lição de Hoje

Cinco notas com o ré pulado

Ponha o polegar direito no dó central e o indicador no mi, deixando o ré livre entre os dois. Os dedos 3, 4 e 5 caem naturalmente no fá, no sol e no lá, e a mão fica aberta sobre cinco brancas com uma tecla vaga embaixo dela.

Confira a posição antes de tocar qualquer coisa. Da ponta do polegar à ponta do mínimo existem seis teclas brancas, e a segunda delas, o ré, precisa ficar embaixo da palma sem ninguém encostando nela. Se o indicador estiver em cima do ré, a mão inteira está uma tecla curta.

Toque as cinco notas subindo, uma por segundo: dó, mi, fá, sol, lá, com os dedos 1, 2, 3, 4 e 5 nessa ordem exata. Escute se cada nota sai com o mesmo volume da anterior, porque a diferença entre elas denuncia qual dedo ainda não tem força própria.

Volte descendo pelas três do meio: sol, fá, mi, com os dedos 4, 3 e 2. O grupo tem oito notas ao todo e termina no mi, pronto para recomeçar. Toque o grupo cinco vezes seguidas sem parar, mantendo a mão parada no lugar.

O exercício não ensina notas, ensina uma forma de mão. As oito notas são as mesmas em todo o teclado, e o único trabalho é carregar essa forma um grau acima a cada repetição.

Agora comece a subir. Ao terminar o grupo no mi, mova a mão inteira uma tecla branca para a direita e recomece pelo ré, com o polegar no ré e o indicador no fá, pulando o mi desta vez. O desenho é o mesmo e a tecla pulada muda de nome.

Continue o mesmo movimento pelas fundamentais seguintes: mi, fá, sol, lá, si, dó. Cada grupo novo nasce um grau acima do anterior, e o braço é quem transporta a mão, com o cotovelo abrindo devagar para longe do corpo à medida que a mão anda para a direita.

Suba até o dó uma oitava acima do inicial e desça pelo mesmo caminho, agora andando um grau para a esquerda a cada grupo. A descida costuma soar mais bagunçada que a subida, porque o braço precisa recolher em vez de abrir, e o cotovelo tende a ficar preso na lateral do tronco.

Comece devagar de propósito. Sessenta notas por minuto, uma por segundo contada em voz alta, é um andamento em que dá para ouvir cada dedo separado. Hanon indicou tocar sem pressa no começo e só depois acelerar, e o caderno inteiro repousa nessa ordem.

Feche a primeira passagem cronometrando. Subida e descida completas, no andamento lento, levam perto de dois minutos, e é justamente por caber nesse espaço que o exercício funciona antes da lição do dia sem comer o tempo dela.

 
 

II  O Erro que Trava

O quarto dedo que puxa o pulso junto

O exercício trava quando o quarto dedo levanta o pulso para conseguir tocar. O dedo 4 divide tendão com o dedo 3 e não sobe sozinho com facilidade, então a mão inventa um atalho: o pulso salta um centímetro para cima e joga o dedo na tecla de cima para baixo.

O som entrega o atalho na hora. A nota do dedo 4, o sol de cada grupo, sai mais alta que as outras quatro e chega meio instante fora do lugar, o que faz o grupo de oito notas soar como um trecho com soluço no meio.

Existe um teste que expõe o defeito sem gravar nada. Ponha uma moeda em cima do osso do pulso, atrás da mão, e toque um grupo completo: se a moeda cair no sol, o pulso está subindo para ajudar o quarto dedo a fazer o trabalho que é dele.

O segundo sintoma aparece no dedo mínimo. Quando o pulso sobe, o dedo 5 fica pendurado no ar e ataca o lá de lado, com a lateral da ponta, o que dá à última nota da subida um som fino e apressado, diferente do resto do grupo.

Charles-Louis Hanon abriu o caderno de 1873 explicando o alvo do trabalho, e a frase ainda descreve o problema do quarto dedo melhor que qualquer diagrama.

“Se todos os cinco dedos da mão fossem igualmente bem treinados, estariam prontos para executar tudo o que foi escrito para o instrumento.”

> Charles-Louis Hanon, O Pianista Virtuoso, 1873

A correção começa reduzindo a altura do movimento. Toque o grupo inteiro com os dedos encostados nas teclas o tempo todo, sem levantar nenhum deles mais que três milímetros, e aceite que o som fica fraco: o alvo aqui é a estabilidade do pulso, não o volume.

Faça o exercício da mesa, dez repetições. Apoie a mão numa mesa, na mesma abertura de cinco teclas, e levante só o dedo 4 dez vezes, com os outros quatro apoiados e o pulso parado. O dedo sobe pouco, e é essa altura pequena que ele tem para oferecer no teclado.

Depois volte ao teclado e toque só três notas do grupo: fá, sol, fá, com os dedos 3, 4 e 3, vinte vezes seguidas. Isolar o par de dedos que dividem tendão resolve em uma semana o que a repetição do grupo inteiro empurra para frente por meses.

Guarde a consequência para o repertório. Toda melodia com nota repetida em dedo fraco depende do mesmo pulso quieto, e a mão que aprende a segurar o pulso no exercício de aquecimento chega às músicas com o desenho de baixo já resolvido.

 

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III  A Mão Esquerda

Dois minutos antes da lição

A mão esquerda faz o exercício inteiro sem a direita por perto pelo menos uma vez por sessão. Tocando as duas juntas, o ouvido acompanha a mão direita e perdoa o atraso da esquerda, e o desequilíbrio segue escondido dentro de um som que parece certo.

Monte a esquerda espelhada. O dedo mínimo vai no dó duas oitavas abaixo do dó central, o dedo 4 no mi, o 3 no fá, o 2 no sol e o polegar no lá, então a ordem da subida fica 5, 4, 3, 2, 1 e a volta fica 2, 3, 4.

Toque o primeiro grupo dez vezes só com a esquerda, uma nota por segundo. O dedo mínimo abre a subida e costuma sair fraco, porque é o dedo mais fino sustentando a nota mais grave, e o polegar fecha a subida forte demais pelo motivo oposto.

Equilibre girando o antebraço um pouco na direção do mínimo, para transferir peso do polegar para o lado de fora da mão. Toque cinco grupos depois do ajuste e compare com o que ouvia antes, procurando ouvir as cinco notas com o mesmo tamanho.

Minuto 1: o primeiro grupo de dó só com a mão esquerda, dez repetições, uma nota por segundo, ouvindo o volume do dedo mínimo.

Minuto 2: o mesmo grupo com as duas mãos juntas, cinco repetições, conferindo se as duas tocam a mesma nota no mesmo instante.

Minutos 3 a 5: a subida completa, de dó até o dó de cima, um grau por grupo, com o braço transportando a mão e o pulso parado.

Minutos 6 e 7: a descida completa pelo mesmo caminho, com atenção ao cotovelo, que precisa recolher sem grudar na lateral do tronco.

Teste hoje: grave a subida completa no celular, ouça de olhos fechados e conte quantos dos oito grupos passaram sem o sol saltando mais alto que as outras notas. Cinco ou mais amanhã, sete ou mais no fim da semana, e o aquecimento entrega a mão pronta antes da lição começar.

"Você consegue tocar o grupo inteiro com uma moeda parada no seu pulso?"

 
 

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Segundo a edição, no exercício nº 1 de Hanon, qual dedo cai no mi enquanto o ré fica pulado?

AO polegar (dedo 1)
BO indicador (dedo 2)
CO médio (dedo 3)
DO mínimo (dedo 5)

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Dez minutos hoje. Domingo a casa reconhece.

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