|
|
|
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
|
|
| {{subiu_orn | }} |
{{subiu_num | }} |
{{subiu_orn | }} |
{{subiu_caps | }}
{{subiu_linha | }}
|
|
O botão que põe a música no tom da sua voz
O transpose sobe ou desce meio tom por clique sem mexer nos dedos, e a lição testa a mesma cifra 2 cliques acima e 2 abaixo.
|
Sol maior invertido, pronto pra subir de tom
|
| ▼ |
| |
|
A garganta aperta no refrão, bem na nota mais alta, e a voz sai fina, arranhada, com um chiado de ar escapando junto. Os dedos continuam firmes no dó maior, sem errar uma tecla, mas o canto desandou três compassos antes do fim.
Quase todo iniciante que canta enquanto toca bate nessa parede. A cifra da revista ou do site vem escrita no tom do cantor que gravou a música, e a voz de quem está em casa raramente mora no mesmo lugar. Um tenor de rádio alcança notas que o leitor comum não alcança, e uma cantora grave faz o contrário.
A saída clássica seria reescrever a cifra inteira em outro tom, acorde por acorde, e reaprender o desenho de cada mão. Para quem ainda procura o dó central com os olhos, essa troca custa semanas.
O teclado eletrônico guarda um atalho para esse problema, quase sempre escondido num botão pequeno perto do visor: o transpose (transpor, em português, mudar a música de altura sem mudar a música). Cada clique para cima sobe o som meio tom, a menor distância entre duas teclas vizinhas, contando as pretas. Cada clique para baixo desce meio tom.
Os dedos não percebem nada. A mão continua apertando dó, mi e sol, as mesmas teclas brancas de sempre. O que muda é a nota que sai do alto-falante: com dois cliques para cima, o dedo toca dó maior e o som que nasce é ré maior.
O compositor Irving Berlin, autor de "White Christmas", fez a vida inteira o que o botão faz hoje. Ele só sabia tocar nas teclas pretas e usava pianos com uma alavanca embaixo do teclado que deslocava o mecanismo inteiro para os lados, trocando o tom sem trocar a posição da mão.
A lição abaixo monta uma cifra curta de três acordes e testa a mesma sequência em três alturas: no tom original, dois cliques acima e dois cliques abaixo, para descobrir qual delas cabe na sua voz.
Continue lendo ↓
|
|
|
|
I A Lição de Hoje
Três acordes em três alturas
|
|
A cifra da lição tem três acordes: dó maior, sol maior e dó maior de novo, quatro tempos cada um. É o desenho de centenas de canções populares, curto o bastante para ser cantado com uma vogal só, um "lá" sustentado.
O dedo decora a forma; o botão escolhe a altura. Nada da lição muda de lugar na mão quando o som muda de tom. |
Primeiro, ache o dó central: a branca logo à esquerda do par de pretas mais perto do meio do teclado. Polegar direito no dó, dedo 3 no mi, mindinho no sol. Esse é o dó maior na posição fundamental (a ordem das notas com a nota que dá nome ao acorde embaixo).
O sol maior entra numa inversão (o mesmo acorde com as notas empilhadas em outra ordem), a mais próxima da mão parada. O polegar desce uma branca, do dó para o si. O dedo 2 cai no ré. O mindinho fica onde estava, no sol. Com a mão quase imóvel, só dois dedos andam.
Agora o botão. Nos teclados de entrada ele aparece como Transpose, às vezes dividido em duas setas, às vezes acionado segurando a tecla Function e apertando uma tecla do próprio teclado. O visor mostra um número: 0 é o tom original, 2 quer dizer dois meios tons acima, e -2, dois abaixo.
Toque a cifra com o visor em 0 e cante o "lá" junto com a nota de cima de cada acorde. Depois aperte duas vezes para cima e repita: o dó maior dos dedos soa como ré maior, e o sol maior soa como lá maior. Por fim, volte a 0, aperte duas vezes para baixo e repita outra vez: o som vira si bemol maior (o si abaixado meio tom) e fá maior.
“Canta com frequência em coros, sobretudo as vozes do meio. Assim te tornas musical.” Robert Schumann, Regras de vida e de música para jovens músicos, 1850 |
Robert Schumann mandava o aluno de piano cantar porque a voz denuncia a altura que o dedo ignora. O teste de três alturas usa a voz como medidor de conforto.
Passo 1: visor em 0, metrônomo a 60. Toque a cifra duas vezes cantando a nota de cima de cada acorde.
Passo 2: visor em 2. Mesma cifra, mesmos dedos, duas vezes cantando.
Passo 3: visor em -2. Duas vezes cantando, e anote em qual das três alturas a garganta ficou mais solta.
|
|
|
|
|
II O Erro que Trava
O visor que ficou no menos dois
|
|
O erro que trava é esquecer o botão ligado. O iniciante transpõe para cantar, desliga o teclado, e no dia seguinte o instrumento acorda na mesma posição, porque boa parte dos modelos guarda a última escolha na memória.
O teclado transposto toca notas certas no tom errado. Os dedos acertam cada tecla, e o som não bate com nada que esteja fora do instrumento. |
O estrago aparece quando o teclado encontra outro som. Uma música tocando no celular, um violão de amigo, um vídeo-aula na tela: todos seguem no tom original, e o teclado entra dois meios tons acima ou abaixo. As duas partes soam juntas e brigam, num choque que parece erro de dedo.
O aluno então culpa a mão. Recomeça a lição, confere a posição, olha o vídeo mais devagar, e a briga continua, porque a mão estava certa desde o começo. Horas de estudo vão embora corrigindo um defeito que mora num número do visor.
Existe um segundo tropeço, menos visível. Com o transpose ligado, o nome que o dedo aprende deixa de bater com o som que o ouvido escuta. Quem estuda assim por semanas passa a chamar de dó uma nota que soa como ré, e o ouvido e a mão aprendem nomes diferentes para a mesma tecla.
Por essa razão o transpose serve para cantar e para acompanhar, nunca para estudar leitura ou para treinar o ouvido. Nessas horas, o visor precisa mostrar 0.
Correção 1: antes de qualquer lição, olhe o visor. Se aparecer um número diferente de 0, aperte o botão até zerar, ou use o atalho do modelo que devolve o tom original de uma vez (em muitos, apertar as duas setas juntas).
Correção 2: faça a prova do dó. Toque o dó central com uma música de referência parada no celular ou com um afinador gratuito aberto. Se o afinador marcar outra letra, o teclado está transposto.
Correção 3: combine consigo mesmo uma regra de saída. Terminou de cantar, zerou o visor antes de desligar. Em dez sessões seguidas, o gesto vira hábito.
|
| |
|