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ED 054
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O botão que põe a música no tom da sua voz

O transpose sobe ou desce meio tom por clique sem mexer nos dedos, e a lição testa a mesma cifra 2 cliques acima e 2 abaixo.

Diagrama do teclado com o acorde de sol maior invertido na mão direita, polegar no si, dedo 2 no ré e mindinho no sol, e a mão esquerda no sol grave

Sol maior invertido, pronto pra subir de tom

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A garganta aperta no refrão, bem na nota mais alta, e a voz sai fina, arranhada, com um chiado de ar escapando junto. Os dedos continuam firmes no dó maior, sem errar uma tecla, mas o canto desandou três compassos antes do fim.

Quase todo iniciante que canta enquanto toca bate nessa parede. A cifra da revista ou do site vem escrita no tom do cantor que gravou a música, e a voz de quem está em casa raramente mora no mesmo lugar. Um tenor de rádio alcança notas que o leitor comum não alcança, e uma cantora grave faz o contrário.

A saída clássica seria reescrever a cifra inteira em outro tom, acorde por acorde, e reaprender o desenho de cada mão. Para quem ainda procura o dó central com os olhos, essa troca custa semanas.

O teclado eletrônico guarda um atalho para esse problema, quase sempre escondido num botão pequeno perto do visor: o transpose (transpor, em português, mudar a música de altura sem mudar a música). Cada clique para cima sobe o som meio tom, a menor distância entre duas teclas vizinhas, contando as pretas. Cada clique para baixo desce meio tom.

Os dedos não percebem nada. A mão continua apertando dó, mi e sol, as mesmas teclas brancas de sempre. O que muda é a nota que sai do alto-falante: com dois cliques para cima, o dedo toca dó maior e o som que nasce é ré maior.

O compositor Irving Berlin, autor de "White Christmas", fez a vida inteira o que o botão faz hoje. Ele só sabia tocar nas teclas pretas e usava pianos com uma alavanca embaixo do teclado que deslocava o mecanismo inteiro para os lados, trocando o tom sem trocar a posição da mão.

A lição abaixo monta uma cifra curta de três acordes e testa a mesma sequência em três alturas: no tom original, dois cliques acima e dois cliques abaixo, para descobrir qual delas cabe na sua voz.

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I  A Lição de Hoje

Três acordes em três alturas

A cifra da lição tem três acordes: dó maior, sol maior e dó maior de novo, quatro tempos cada um. É o desenho de centenas de canções populares, curto o bastante para ser cantado com uma vogal só, um "lá" sustentado.

O dedo decora a forma; o botão escolhe a altura. Nada da lição muda de lugar na mão quando o som muda de tom.

Primeiro, ache o dó central: a branca logo à esquerda do par de pretas mais perto do meio do teclado. Polegar direito no dó, dedo 3 no mi, mindinho no sol. Esse é o dó maior na posição fundamental (a ordem das notas com a nota que dá nome ao acorde embaixo).

O sol maior entra numa inversão (o mesmo acorde com as notas empilhadas em outra ordem), a mais próxima da mão parada. O polegar desce uma branca, do dó para o si. O dedo 2 cai no ré. O mindinho fica onde estava, no sol. Com a mão quase imóvel, só dois dedos andam.

Agora o botão. Nos teclados de entrada ele aparece como Transpose, às vezes dividido em duas setas, às vezes acionado segurando a tecla Function e apertando uma tecla do próprio teclado. O visor mostra um número: 0 é o tom original, 2 quer dizer dois meios tons acima, e -2, dois abaixo.

Toque a cifra com o visor em 0 e cante o "lá" junto com a nota de cima de cada acorde. Depois aperte duas vezes para cima e repita: o dó maior dos dedos soa como ré maior, e o sol maior soa como lá maior. Por fim, volte a 0, aperte duas vezes para baixo e repita outra vez: o som vira si bemol maior (o si abaixado meio tom) e fá maior.

“Canta com frequência em coros, sobretudo as vozes do meio. Assim te tornas musical.”

Robert Schumann, Regras de vida e de música para jovens músicos, 1850

Robert Schumann mandava o aluno de piano cantar porque a voz denuncia a altura que o dedo ignora. O teste de três alturas usa a voz como medidor de conforto.

Passo 1: visor em 0, metrônomo a 60. Toque a cifra duas vezes cantando a nota de cima de cada acorde.

Passo 2: visor em 2. Mesma cifra, mesmos dedos, duas vezes cantando.

Passo 3: visor em -2. Duas vezes cantando, e anote em qual das três alturas a garganta ficou mais solta.

 
 

II  O Erro que Trava

O visor que ficou no menos dois

O erro que trava é esquecer o botão ligado. O iniciante transpõe para cantar, desliga o teclado, e no dia seguinte o instrumento acorda na mesma posição, porque boa parte dos modelos guarda a última escolha na memória.

O teclado transposto toca notas certas no tom errado. Os dedos acertam cada tecla, e o som não bate com nada que esteja fora do instrumento.

O estrago aparece quando o teclado encontra outro som. Uma música tocando no celular, um violão de amigo, um vídeo-aula na tela: todos seguem no tom original, e o teclado entra dois meios tons acima ou abaixo. As duas partes soam juntas e brigam, num choque que parece erro de dedo.

O aluno então culpa a mão. Recomeça a lição, confere a posição, olha o vídeo mais devagar, e a briga continua, porque a mão estava certa desde o começo. Horas de estudo vão embora corrigindo um defeito que mora num número do visor.

Existe um segundo tropeço, menos visível. Com o transpose ligado, o nome que o dedo aprende deixa de bater com o som que o ouvido escuta. Quem estuda assim por semanas passa a chamar de dó uma nota que soa como ré, e o ouvido e a mão aprendem nomes diferentes para a mesma tecla.

Por essa razão o transpose serve para cantar e para acompanhar, nunca para estudar leitura ou para treinar o ouvido. Nessas horas, o visor precisa mostrar 0.

Correção 1: antes de qualquer lição, olhe o visor. Se aparecer um número diferente de 0, aperte o botão até zerar, ou use o atalho do modelo que devolve o tom original de uma vez (em muitos, apertar as duas setas juntas).

Correção 2: faça a prova do dó. Toque o dó central com uma música de referência parada no celular ou com um afinador gratuito aberto. Se o afinador marcar outra letra, o teclado está transposto.

Correção 3: combine consigo mesmo uma regra de saída. Terminou de cantar, zerou o visor antes de desligar. Em dez sessões seguidas, o gesto vira hábito.

 

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III  A Mão Esquerda

O baixo que muda de nome

A mão esquerda acompanha a cifra com uma nota por acorde: o dó grave embaixo de cada dó maior e o sol grave embaixo do sol maior. O transpose age nas duas mãos juntas, então o baixo sobe e desce com a direita, sem nenhum ajuste.

O dó grave fica uma oitava abaixo do dó central, logo à esquerda do par de pretas. Coloque ali o mindinho esquerdo, o dedo 5. O sol grave fica cinco brancas acima, contando as duas pontas, e cai sob o polegar esquerdo sem a mão sair do lugar.

Com o visor em 2, o mindinho continua no dó, mas o alto-falante toca ré. Com o visor em -2, o mesmo mindinho soa como si bemol. A nota que a mão conhece ganha outro nome no ouvido, e o baixo é a primeira voz a mostrar essa troca, porque é a mais grave e a mais sólida do acorde.

Um detalhe pede atenção nos teclados que dividem o instrumento ao meio, com um timbre em cada mão, o recurso chamado split (divisão, em inglês). Em vários modelos o transpose age no teclado inteiro, mas algumas funções de acompanhamento automático têm ajuste próprio. Se o baixo automático soar em outro tom, confira o manual do seu modelo antes de culpar a mão.

A esquerda também ajuda a achar o tom da voz. Com a direita parada, toque só o baixo nas três alturas e cante a nota dele uma oitava acima. O baixo sozinho deixa o ouvido medir a distância com mais clareza que o acorde cheio.

Tempo 1: mão esquerda sozinha, visor em 0, metrônomo a 60. Dó, sol, dó, quatro tempos cada, cantando cada nota.

Tempo 2: mãos juntas, visor na altura que venceu o teste da lição. Duas voltas da cifra cantando a nota de cima da direita.

Tempo 3: mãos juntas, visor de volta em 0. Uma volta tocando sem cantar, para o ouvido reencontrar o nome real das notas.

O tempo 3 fecha a sessão pela regra de saída da segunda correção: o teclado termina a lição no tom original, pronto para o próximo estudo.

"Em qual das três alturas a sua voz alcançou o sol de cima sem apertar?"

Teste hoje: grave no celular a cifra cantada três vezes, com o visor em 0, em 2 e em -2, e ouça as três gravações contando quantas notas saíram arranhadas em cada uma. A altura com menos arranhões, de preferência zero, é o tom da sua voz para essa cifra; anote o número do visor num papel preso no teclado.

 
 
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No texto, como Irving Berlin, autor de "White Christmas", trocava de tom sem trocar a posição da mão, já que só sabia tocar nas teclas pretas?

AUsava um metrônomo que ajustava o tempo da música
BUsava um pedal que sustentava as notas mais graves
CUsava pianos com uma alavanca embaixo do teclado que deslocava o mecanismo inteiro para os lados
DUsava um afinador embutido que corrigia notas desafinadas

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Amanhã nesta news

ED 055 · amanhã às 19:19

O dó grave que some debaixo do acorde

O mindinho esquerdo para a tecla no meio do curso, o grave falha, e a lição toca a mesma nota 4 vezes ouvindo…

 
 
 

Dez minutos hoje. Domingo a casa reconhece.

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