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ED 043
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O Casio que deixa tocar baixinho custa mais caro

CT-S200 e CT-S300 têm as mesmas 61 teclas; só no segundo o volume obedece à força do dedo.

Diagrama das teclas com dó, mi e sol de dó maior marcados na região central sob os dedos 1, 3 e 5 da mão direita, o dó grave da mão esquerda destacado uma oitava abaixo como a base do acorde, e a indicação de dois volumes na mesma montagem, um toque leve e um toque firme, para testar a sensibilidade ao toque do teclado

Dó maior: o mesmo acorde em dois volumes

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A tecla branca afunda quase dois centímetros, bate no fundo com um estalo seco de mola e o alto-falante do móvel devolve o mesmo volume, no dedo que mal encosta e no dedo que soca. O som sai do tamanho que o fabricante escolheu, e o braço do aluno não tem voto nenhum na altura dele.

Dois teclados da Casio colocam a questão de compra na mesa. O CT-S200 e o CT-S300 nascem da mesma família, ambos com 61 teclas, o mesmo tamanho de tecla, o mesmo banco de timbres e o mesmo corpo leve de carregar debaixo do braço. Quem olha a foto das duas caixas lado a lado não acha nenhum sinal claro do que muda por dentro.

O recurso que separa os dois se chama sensibilidade ao toque, em inglês touch response (resposta ao toque, a leitura eletrônica da velocidade com que a tecla desce). O CT-S300 mede essa velocidade e converte o número em volume; o CT-S200 ignora a medição e dispara toda nota com a mesma intensidade, como um interruptor de luz que só conhece aceso e apagado.

Para o ouvinte, o efeito aparece na dinâmica (a variação de volume dentro da própria música). Sem ela, a melodia sai achatada, todas as notas com o mesmo peso, e a mão esquerda cobre a mão direita porque toca mais notas graves ao mesmo tempo. Com ela, o aluno consegue tocar um acompanhamento em pianíssimo (bem baixinho) e deixar a melodia respirar por cima.

A escolha pesa mais na mão de quem começa do que na de quem já toca. O iniciante passa os primeiros meses ensinando o braço a dosar força, e o instrumento que não responde a essa dosagem devolve sempre o mesmo resultado, sem mostrar erro nem acerto. A lição de hoje monta um acorde de três notas e usa o próprio ouvido do aluno para descobrir, em dois minutos, qual dos dois modelos está em cima da mesa dele.

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I  A Lição de Hoje

Duas forças na mesma tecla

As teclas de hoje: dó, mi e sol na direita, dó grave na esquerda.

Monte dó maior na mão direita com o polegar no dó central, o dedo 3 no mi e o dedo 5 no sol. Toque o acorde uma vez com o peso de uma pena e outra vez com o peso do antebraço inteiro, e escute se o teclado devolveu dois volumes ou um só. O teste dura dois minutos e responde a pergunta da compra sem manual nenhum.

Ache o dó central antes de tudo. Ele é a branca imediatamente à esquerda do grupo de duas pretas, no meio do instrumento. Subindo dali, a segunda branca é o mi e a quarta é o sol, e os três formam dó maior com a digitação 1-3-5.

A mão esquerda entra com o dedo 5 no dó grave, sete brancas abaixo do dó central, na mesma vizinhança de duas pretas. Ficam três notas em cima e a base embaixo, a montagem mais comum das primeiras semanas.

Agora venha o teste em si, e ele exige exagero. Toque o acorde inteiro deixando os dedos caírem pelo próprio peso, sem nenhuma pressão extra do braço, e conte quatro batidas de silêncio. Repita o mesmo acorde apoiando o peso do antebraço na queda, como quem bate uma porta devagar.

Se as duas versões saírem no mesmo volume, o instrumento é um CT-S200 ou outro teclado sem sensibilidade ao toque. Se a segunda vier claramente mais alta que a primeira, o aluno tem um CT-S300 na frente dele e um recurso parado esperando ser usado.

Vale conferir o ajuste antes de condenar o aparelho. No CT-S300, a sensibilidade ao toque tem posições no menu de funções, e uma delas desliga o recurso. Teclado usado ou emprestado costuma chegar desligado, e o teste acima devolve o resultado do modelo mais simples.

“Um músico não consegue comover os outros sem que ele próprio esteja comovido.”

> > > Carl Philipp Emanuel Bach, Ensaio sobre a verdadeira arte de tocar instrumentos de teclado, 1753

Carl Philipp Emanuel Bach escreveu o ensaio para alunos de cravo e clavicórdio, instrumentos em que a força do dedo muda pouco ou nada o volume. A frase virou argumento dos construtores do século seguinte, quando o martelo do piano passou a obedecer à velocidade da tecla.

Passo 1: monte dó maior na direita oito vezes, soltando a mão entre as repetições, conferindo o dedo 3 no mi e o dedo 5 no sol.

Passo 2: toque o acorde quatro vezes no toque mais leve que conseguir, com a ponta dos dedos encostando na tecla antes de descer.

Passo 3: toque o acorde quatro vezes com peso de antebraço, mantendo o pulso firme e sem bater no fundo da tecla.

Passo 4: alterne leve e forte oito vezes seguidas, prestando atenção só no volume que sai, nunca no esforço que entra.

O passo 4 dá o resultado limpo. Sem o recurso, a série inteira sai plana e o exercício cansa o braço sem mudar nada no alto-falante. Com o recurso ligado, o aluno escuta uma onda subindo e descendo e ganha a primeira ferramenta de expressão dele.

 
 

II  O Erro que Trava

Apertar mais forte para sair mais alto

O erro que trava o iniciante num teclado sem sensibilidade ao toque é aumentar a pressão do dedo para tentar arrancar mais volume, endurecendo o pulso e o antebraço numa disputa que o instrumento nunca vai ganhar. A pressão depois do fundo da tecla não chega ao circuito.

O mecanismo explica a frustração. A tecla de um teclado como o CT-S200 fecha um contato elétrico ao descer, e o contato só informa que a nota começou. O volume sai de um valor fixo gravado no aparelho, e a única maneira de mudá-lo passa pelo botão de volume geral, no painel.

O braço, porém, insiste. Quem vem do violão ou da voz aprendeu que empurrar mais produz mais som, e leva o reflexo para o teclado: ombro alto, pulso travado e dor no antebraço depois de vinte minutos sentado.

A rigidez custa caro além do desconforto. Um pulso duro atrasa a troca de acorde, porque cada dedo vence a tensão do próprio músculo antes de se mover, e o aluno culpa a falta de talento por um problema que nasceu no equipamento.

No CT-S300 o mesmo reflexo produz outro estrago, mais sutil. O aluno descobre que a força muda o volume e passa a tocar tudo alto, porque a nota forte esconde imprecisão. A mão fica com uma velocidade só, a máxima, e a dinâmica continua ausente.

A saída no aparelho sem o recurso tem nome e funciona. O aluno troca dinâmica por articulação: encurta algumas notas, segura outras por inteiro e cria relevo pelo tempo. Uma melodia com notas curtas e longas bem distribuídas soa viva mesmo num volume único.

A segunda saída mexe no acompanhamento. Reduza as notas da mão esquerda quando a melodia precisar aparecer, com uma nota grave sozinha no lugar do acorde de três, e a direita ganha espaço. Poucas notas embaixo valem por um controle de volume improvisado.

E vale registrar o limite honesto das duas saídas. Elas melhoram o resultado, nunca substituem o recurso: nenhuma articulação transforma um acompanhamento de volume fixo em pianíssimo de verdade, e quem pretende estudar peças com contraste de volume vai esbarrar nesse teto em poucos meses.

 

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III  A Mão Esquerda

O baixo que não abafa a melodia

A mão esquerda é a primeira beneficiada quando o teclado obedece à força do dedo, porque ela mora na região grave, que soa naturalmente mais encorpada. Duas notas graves seguradas no volume da melodia cobrem a melodia inteira, e o ouvinte perde a linha.

O equilíbrio que os professores pedem é simples. A melodia da direita sai por volta de dois terços do volume total, e o acompanhamento da esquerda ocupa o terço restante. Num CT-S300, esse equilíbrio se constrói com a força dos dedos, sem tocar em botão nenhum.

O treino começa com as mãos separadas, e o motivo é físico. O braço esquerdo tem menos prática de dosagem que o direito na maioria dos alunos destros, e pedir controle fino das duas mãos juntas antes disso só espalha tensão.

No teclado sem o recurso, este treino vira treino de quantidade: o aluno estuda quantas notas coloca embaixo da melodia, e a escolha entre uma nota grave, duas notas ou o acorde completo cumpre o papel da força do dedo.

Tempo 1: a mão esquerda sozinha, dó grave repetido oito vezes no toque mais leve possível, metrônomo a 60, com o pulso solto e o dedo 5 caindo pelo próprio peso.

Tempo 2: a mão direita sozinha, dó maior oito vezes num toque firme, procurando um volume nítido sem bater no fundo da tecla.

Tempo 3: as duas mãos juntas, seis repetições lentas, com o dó grave leve embaixo e o acorde firme em cima, afundando no mesmo pulso.

Tempo 4: inverta de propósito, com o grave pesado e o acorde leve, quatro vezes, para escutar o desequilíbrio que se quer evitar.

O tempo 4 ensina mais que os outros três somados. O aluno ouve a melodia sumir debaixo do baixo, reconhece o defeito pelo som e passa a corrigi-lo sozinho no meio da música, sem precisar de alguém apontando o problema de fora.

No CT-S200 e nos teclados da mesma classe, o tempo 4 sai idêntico ao tempo 3, e a constatação poupa esforço: o aluno para de procurar no braço um controle que não existe no aparelho.

Sobre a decisão de compra, o dado disponível é o catálogo. A própria Casio posiciona o CT-S300 acima do CT-S200 na linha Casiotone, com a sensibilidade ao toque listada nos recursos do modelo superior e ausente na do modelo de entrada, e a loja repete essa ordem na etiqueta. Confira o valor no dia da compra, porque o número muda de mês para mês.

Para quem já decidiu estudar por pelo menos um ano, o modelo com o recurso paga o acréscimo nos primeiros meses, porque treina o braço a dosar força desde a primeira semana. Para quem ainda testa o interesse, o modelo de entrada ensina teclas, acordes e leitura, e a troca depois manda o aparelho antigo para a mochila do ensaio.

"O seu teclado responde ao peso do seu dedo, ou você está empurrando um interruptor?"

Teste hoje: toque dó maior vinte vezes alternando toque leve e toque firme, com o celular gravando o som a um metro do alto-falante, e depois escute a gravação de olhos fechados contando quantos pares saíram com volumes diferentes. Vinte pares iguais indicam teclado sem o recurso ou com ele desligado no menu; dez ou mais pares desiguais indicam sensibilidade ao toque ligada e pronta para uso.

 
 
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No CT-S300, o volume da nota nasce da medição de quê?

ADo tempo que o dedo fica sobre a tecla
BDa velocidade com que a tecla desce
CDa posição da tecla no teclado
DDa pressão aplicada depois que a tecla bate no fundo

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