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O dedo 4 da mão esquerda no Hino à Alegria

Uma oitava abaixo, as mesmas 12 notas trocam de dedo, e a gravação das duas mãos mostra onde a esquerda atrasa.

Teclado com as doze notas do Hino à Alegria tocadas pela mão esquerda, uma oitava abaixo do dó central

Hino à Alegria: a melodia na mão esquerda

▼
 

O clique do metrônomo batia seco a 60, e o sol da mão esquerda chegava um fio depois dele. Na mão direita, a mesma melodia tinha soado colada ao clique, nota por nota, três passadas seguidas.

As teclas eram as mesmas: mi, mi, fá, sol, sol, fá, mi, ré, dó, dó, ré, mi. Só a altura mudava, uma oitava (a distância de um dó ao dó seguinte, oito teclas brancas) abaixo. Nenhum acorde, nenhum baixo, nenhuma nota a mais. Só a melodia, sozinha, na mão que costuma acompanhar.

No papel, as duas versões eram idênticas. No som, a esquerda tropeçava sempre no mesmo lugar, na descida para o dó, e o tropeço durava um piscar de olhos.

A maior parte dos métodos para iniciantes coloca a mão esquerda em acordes desde as primeiras semanas. Ela segura a harmonia, marca o tempo e quase nunca carrega a melodia. Por isso a esquerda aprende a apertar três teclas juntas bem antes de aprender a ligar uma tecla na outra.

Quando a melodia passa para ela, o desequilíbrio aparece. Os dedos fortes da direita tocavam a descida; na esquerda, a descida cai nos dedos mais fracos da mão. O ouvido percebe o atraso muito antes dos olhos acharem o dedo culpado.

Tocar a melodia nas duas mãos, uma depois da outra, funciona como um espelho. Cada atraso da esquerda ganha um ponto de comparação exato na direita, na mesma nota e no mesmo clique.

A gravação feita com o celular apoiado na estante guarda as duas versões. Ouvidas em sequência, elas mostram em qual nota a esquerda perde o pulso e qual dedo escorrega da tecla.

A lição de hoje monta a melodia do Hino à Alegria nas duas mãos, aponta o dedo onde o atraso nasce e dá à esquerda um treino de três tempos para tocar a canção sozinha.

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I  A Lição de Hoje

Doze notas, uma oitava abaixo

A resposta de ontem

Quem escreveu Asa Branca com Luiz Gonzaga?

Foi o advogado cearense Humberto Teixeira, parceiro de Gonzaga em dezenas de baiões. Os dois fizeram Asa Branca a partir de um tema que Gonzaga ouvia na infância em Exu, no sertão de Pernambuco, e a gravação saiu pela RCA Victor em 1947.

A melodia de hoje é o Hino à Alegria, de Ludwig van Beethoven, o tema coral do último movimento da Nona Sinfonia, estreada em Viena em maio de 1824. Beethoven musicou ali o poema de um escritor alemão, cantado por coro e quatro solistas.

A melodia serve ao teclado iniciante por um motivo de desenho. Ela anda quase só por graus conjuntos (de uma tecla branca para a vizinha), dentro de cinco notas, do dó ao sol. Cabe inteira numa posição fixa, sem a mão se deslocar.

Na mão direita, o polegar fica no dó central e cada dedo ganha uma tecla: polegar no dó, indicador no ré, médio no mi, anelar no fá, mínimo no sol. Os dedos têm número, de 1 no polegar a 5 no mínimo, nas duas mãos.

A primeira frase sai assim na direita: mi, mi, fá, sol, sol, fá, mi, ré, dó, dó, ré, mi. O dedilhado (a sequência de números de dedo) fica 3, 3, 4, 5, 5, 4, 3, 2, 1, 1, 2, 3.

Para a esquerda, desça uma oitava. O mínimo esquerdo pousa no dó abaixo do dó central, e a mão cobre as mesmas cinco teclas brancas: mínimo no dó, anelar no ré, médio no mi, indicador no fá, polegar no sol.

As notas se repetem, mas a numeração se inverte. Na esquerda, a frase fica 3, 3, 2, 1, 1, 2, 3, 4, 5, 5, 4, 3. Só o médio coincide: nas duas mãos, ele toca o mi.

Na subida, a esquerda usa o polegar e o indicador; na descida para o dó, ela depende do anelar e do mínimo, os dedos mais fracos da mão.

A comparação precisa de som gravado. Quem toca e escuta junto deixa a atenção nas teclas, e o atraso passa sem ser notado.

Passo 1: ligue o metrônomo a 60 e toque a frase na mão direita três vezes, uma nota por clique.

Passo 2: grave as três passadas com o celular apoiado na estante, a um palmo das teclas.

Passo 3: desça uma oitava e grave as mesmas três passadas com a esquerda, sem mexer no metrônomo.

Passo 4: ouça as duas gravações em sequência e anote, nota por nota, onde o som se afasta do clique.

A anotação vira um mapa. Em quem começa, a direita costuma sair limpa e a esquerda costuma marcar atraso no ré e no segundo dó da descida, justamente onde entram o anelar e o mínimo.

O mapa também separa dois tipos de erro. Nota atrasada é dedo lento para descer. Nota tocada junto com a vizinha, com as duas soando por um instante, é dedo que escorregou para a tecla do lado.

 
 

II  O Erro que Trava

O ré que chega tarde

O atraso da esquerda tem endereço fixo no Hino à Alegria: o trecho mi, ré, dó, dó. Na direita, essa descida cai no indicador e no polegar. Na esquerda, cai no anelar e no mínimo.

O anelar divide ligações de tendão com os dedos vizinhos. Quando ele desce sozinho, o médio e o mínimo tendem a descer junto, e a mão gasta uma fração de tempo segurando os outros dois no lugar. Essa fração é o atraso ouvido na gravação.

O mínimo tem outro problema. O dó repetido pede que ele levante e desça duas vezes seguidas, e o mínimo esquerdo de quem só tocou acordes está acostumado a apertar e ficar parado. Na segunda batida, ele chega raso, a tecla mal desce e o dó sai fraco ou some.

Há ainda o erro de leitura. Quem aprendeu a frase na direita guarda os números 3, 3, 4, 5 na memória e tenta usá-los na esquerda. O anelar esquerdo vai então para o ré quando a nota pedida é o fá, a mão se desorganiza e a melodia sai torta já na terceira nota.

Na esquerda, o mesmo número de dedo aponta para outra tecla: copiar o dedilhado da direita desorganiza a mão inteira.

Esse erro de leitura costuma ser confundido com falta de coordenação. Basta escrever os números da esquerda a lápis sobre as notas, na própria partitura, e a mão para de buscar a tecla errada.

O escorregão pede outra correção. O mínimo deve tocar a tecla com a ponta, um pouco curvado, perto da lateral da unha. Dedo esticado bate de raspão na tecla e desliza para a vizinha.

Correção 1: isole só as quatro notas mi, ré, dó, dó na esquerda e toque dez vezes a 50, contando em voz alta.

Correção 2: escreva a lápis o dedilhado 3, 4, 5, 5 sobre essas notas e leia o número antes de tocar.

Correção 3: no dó repetido, levante o mínimo até a altura da unha do anelar entre as duas batidas, para a segunda descer com o mesmo peso da primeira.

Depois das três correções, grave a esquerda de novo a 60 e compare com a gravação anterior. Em geral, o atraso no ré encurta primeiro e o escorregão some depois, porque a força do dedo responde mais rápido do que o hábito de curvá-lo.

 

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III  A Mão Esquerda

O hino sem acorde nenhum

A mão esquerda costuma ser treinada como apoio. Toca o acorde, sustenta, troca no compasso seguinte. Tocar a melodia sem acorde nenhum tira esse apoio e deixa cada nota exposta, porque não sobra harmonia para cobrir o buraco entre uma tecla e outra.

O objetivo do exercício é o legato (tocar ligado, sem silêncio entre as notas). A tecla de trás só sobe quando a seguinte já desceu, e o som passa de uma nota para a outra como uma voz cantando.

Johann Sebastian Bach escreveu na página de abertura das Invenções a duas vozes, de 1723, que os exercícios serviam para o amador aprender a tocar limpo a duas vozes e alcançar “uma maneira cantabile de tocar” (cantada, como a voz). Ali as duas mãos carregam melodia, e nenhuma serve só de acompanhamento.

A esquerda que canta a melodia sozinha aprende a ligar as notas, e esse ligado volta depois para os acordes.

A posição segue a da lição: mínimo no dó uma oitava abaixo do dó central, polegar no sol. O pulso fica na altura do teclado, sem cair, e o polegar apoia de leve na tecla, sem afundar.

O som grave pesa mais. Abaixo do dó central, cada nota fica mais tempo no ar, e um atraso pequeno vira uma nota encavalada sobre a seguinte. Por isso a esquerda pede toque um pouco mais leve que a direita na mesma melodia.

Tempo 1: só a esquerda a 50, a frase inteira, ouvindo se cada nota termina no instante exato em que a próxima começa.

Tempo 2: suba para 60 e alterne: uma passada na direita, uma na esquerda, sem parar o metrônomo entre elas.

Tempo 3: toque as duas mãos juntas, a uma oitava de distância, na mesma melodia. Se a esquerda atrasar, as duas notas soam separadas e o ouvido escuta um eco.

O eco do Tempo 3 é o teste mais fino da lição. Quando as duas mãos chegam juntas, a oitava soa como uma nota só, mais cheia. Quando a esquerda atrasa, a mesma nota soa duas vezes, e o eco aponta a tecla exata do problema.

Teste hoje: grave a frase do Hino à Alegria a 60, primeiro na direita, depois na esquerda, e conte em quantas das 12 notas a esquerda soa fora do clique. Repita a gravação após as três correções; o esperado é cair para duas ou menos, quase sempre no ré e no dó repetido.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Quem escreveu o poema alemão cantado no final da Nona Sinfonia de Beethoven?

★ RARO

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