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ED 006

O dó da esquerda sustenta o bloco da direita

A direita repete dó, mi e sol em quatro batidas enquanto o mínimo da esquerda afunda o dó grave uma vez e não sai até o fim.

Close das teclas graves com uma tecla branca afundada e o bloco agudo em sombra ao fundo, sem pessoas.

A tecla grave afundada e o bloco agudo em sombra

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Uma tecla afundada e mantida no fundo soa por vários segundos. A mesma tecla solta no instante em que desce corta em menos de um. A diferença não está na força do dedo, está no tempo em que ele fica embaixo.

Todo som de teclado começa a se apagar no momento em que nasce. O dedo parado no fundo da tecla não empurra o som para frente, apenas impede que ele seja cortado, e a nota decai devagar em vez de sumir de uma vez.

Quatro contagens é a medida da nota mais longa que cabe num compasso comum. Uma tecla afundada no primeiro tempo e mantida até o quarto atravessa a sequência inteira, e a mão que faz esse gesto trabalha uma vez enquanto a outra trabalha quatro.

O ouvido usa a nota mais grave como chão. Enquanto ela continua soando, tudo o que acontece em cima é lido como uma coisa só, e quando ela some, o mesmo bloco agudo passa a soar fino, solto, sem lugar onde pousar.

A divisão de trabalho entre as mãos é o degrau que separa o exercício da música. Não é dobrar o mesmo gesto em duas mãos, é fazer dois gestos diferentes ao mesmo tempo, uma mão que repete e conta, outra que afunda uma vez e espera.

As duas mãos saem do mesmo comando enquanto ninguém as separa. Elas querem descer juntas, soltar juntas e repetir juntas, porque o cérebro trata o par como peça única, e ensinar cada uma a seguir o próprio tempo é trabalho de repetição curta.

A nota longa embaixo também muda o que a repetição parece. Quatro blocos iguais tocados sobre o vazio soam como quatro eventos separados; os mesmos quatro sobre um dó que continua soando viram uma frase inteira, com começo e com fim.

A lição de hoje leva dez minutos e junta as duas mãos na mesma contagem. Começa pelo instante em que as quatro teclas descem, segue pelo que a direita faz nas três repetições seguintes e termina no dedo que não sai do lugar embaixo.

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I  A Lição de Hoje

As duas mãos descem no mesmo instante

Quatro teclas descem juntas e três delas voltam a subir. Veja quem fica embaixo, por quantas contagens, e o que segura o som enquanto a outra mão repete.

As quatro teclas descem no mesmo instante, e o instante vale por toda a lição. Três teclas em cima com a mão direita, uma embaixo com o mínimo da esquerda, e nenhuma delas chega meio segundo depois da outra.

A esquerda mora longe da direita no teclado. Ela desce para a região grave, com o mínimo apoiado no dó, e o espaço entre as duas mãos fica largo o bastante para os dois cotovelos ficarem soltos ao lado do corpo.

O resto da mão esquerda fica pousado sem afundar. Anelar, dedo do meio e indicador tocam a superfície das teclas vizinhas, e o polegar fica curvado no ar, sem se pendurar na borda da frente do teclado.

A contagem em voz alta é parte do exercício. Conte um, dois, três, quatro no andamento de um relógio de parede, e faça as duas mãos descerem juntas no um, sem apressar a saída de nenhuma delas.

No dois, no três e no quatro a direita repete o bloco. As mesmas três teclas sobem e descem outra vez, no mesmo volume, e a esquerda não faz nada, porque o trabalho dela aconteceu inteiro no um.

A esquerda toca uma vez e fica. A direita toca quatro vezes e conta. O dó de baixo é o que costura as duas.

O volume das duas mãos não sai igual sozinho. A esquerda no grave soa naturalmente maior no ambiente, e vale afundar o dó com o peso do braço parado, sem impulso, para o bloco de cima continuar sendo o que se escuta na frente.

Os três primeiros minutos são de contato mudo, com o volume no mínimo. Monte as duas posições, desça as quatro teclas juntas dez vezes e observe se alguma das mãos chega atrasada em relação à outra.

Nos quatro minutos seguintes entram o som e a contagem. Oito sequências de quatro tempos, com a esquerda afundando o dó grave no um e ficando embaixo até o fim do quatro, e a direita repetindo o bloco em cima.

A atenção não vai para as mãos, vai para o fundo do som. Escute se o dó grave continua audível no quarto tempo, com o bloco de cima soando por cima dele, e não no lugar dele.

Os três minutos finais tiram os olhos do teclado. Olhe para a parede, conte em voz alta e faça quatro sequências seguidas, confiando no ouvido para dizer se o chão continua lá embaixo.

A medida de que a lição pegou é simples de conferir. As quatro teclas descem sem que uma anuncie a outra, e o dó grave ainda soa quando a direita bate pela quarta vez.

 
 

II  O Erro que Trava

A esquerda repica a cada batida da direita

A direita bate quatro vezes e a esquerda bate junto nas quatro. O dó grave vira um martelo repetido, e a nota longa que sustenta o bloco nunca chega a existir.

O cérebro manda um comando só para o par de mãos. Duas mãos que fazem a mesma coisa custam menos que duas mãos com tarefas diferentes, e a mão livre copia a ocupada enquanto ninguém a ensina a ficar parada.

O sintoma aparece antes do som. O pulso esquerdo salta um pouco a cada contagem, o mínimo se afasta da tecla e volta, e a tecla grave sobe até a linha das vizinhas entre um tempo e outro.

A tecla é o próprio marcador do erro e não precisa de gravação para acusar. Durante os quatro tempos, a frente da tecla grave tem que continuar abaixo da linha das teclas vizinhas, sem subir e descer junto com a direita.

O segundo defeito é mais discreto e solta mais cedo. A esquerda segura até o dois, afrouxa no três, e o chão desaparece na metade da contagem, com o bloco de cima terminando sozinho lá em cima.

O ouvido demora a acusar as duas falhas, porque o baixo repetido também soa agradável. A conta chega quando a melodia entra por cima e cada nota da direita passa a levar um solavanco embaixo, no lugar de uma linha contínua.

A correção muda a unidade de trabalho da esquerda. Ela não toca por tempo, toca por compasso: um gesto a cada quatro contagens, com a ordem sendo afundar no um e esquecer a mão até o um seguinte.

O peso resolve o que a força não resolve. O dedo não aperta mais fundo, ele só deixa de sair, e o antebraço descansa a favor da tecla em vez de segurá-la com a ponta do mínimo apertada.

O exercício da noite isola a mão que erra. Afunde o dó grave, conte até quatro em voz alta e bata o bloco da direita nos quatro tempos; se a nota de baixo cortar antes do fim da contagem, recomece do um.

Quando o repique some, aparece um terceiro detalhe. A esquerda tende a soltar exatamente junto com a última batida da direita, e vale sustentar meio tempo a mais, deixando o grave apagar sozinho depois que o bloco parou.

O ganho aparece em duas ou três noites e dá para escutar sem professor por perto. O grave fica embaixo do começo ao fim, a direita repete sem carregar a outra mão junto, e a sequência inteira passa a soar como uma frase só.

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III  A Mão Esquerda

O mínimo segura a nota inteira

O dedo mais fraco da mão esquerda carrega a nota mais longa da lição. O mínimo tem menos músculo próprio e mais tendência a ceder, e é justamente ele que fica embaixo enquanto o resto da mão se mexe.

A ponta é onde o defeito mora. A última junta do mínimo dobra para dentro quando o peso chega, a mão afunda em cima dela, e a tecla sobe alguns milímetros sem que a mão perceba a subida.

O apoio se resolve com a forma da mão, não com aperto. Mantenha a curva dos dedos como se houvesse uma bola pequena embaixo da palma, com o mínimo em pé sobre a ponta e o pulso na linha do dorso.

Minuto 1 a 3: só a esquerda, com a direita fora do teclado. Afunde o dó grave, conte até quatro em voz alta e solte, dez vezes, conferindo pela tecla se ela ficou embaixo durante toda a contagem.

Minuto 4 a 7: entra a direita, e as duas mãos descem juntas no um. A direita repete o bloco no dois, no três e no quatro, a esquerda fica parada embaixo, e a sequência se repete oito vezes sem pressa.

Minuto 8 a 10: as mesmas quatro sequências com os olhos fora do teclado. A contagem em voz alta segura o andamento, e o ouvido confere se o grave chega inteiro ao fim de cada uma delas.

Uma observação sobre o cotovelo esquerdo. Ele tende a colar no corpo quando a mão vai para o grave, e a mão entra torta na tecla; deixe o braço abrir alguns graus para fora e o ombro descer.

Existe um motivo para a sequência soar cheia com tão pouca coisa. O dó grave e o dó do bloco de cima são a mesma nota em alturas diferentes, e o ouvido soma as duas como um som só, mais largo embaixo.

A distância entre as mãos também trabalha a favor. Com a esquerda longe, no grave, e a direita no meio do teclado, as duas não disputam a mesma faixa e cada uma aparece com o próprio desenho.

Vale terminar a noite devagar, com quatro sequências em andamento de caminhada. Sem acelerar, sem contar mais rápido no fim, e com a última nota de baixo apagando sozinha depois que a direita já parou.

Com as duas mãos na mesma contagem, o repertório simples deixa de ser promessa distante. Grande parte das canções de roda e dos hinos conhecidos cabe numa mão que repete um bloco e outra que segura o baixo.

"Quando a direita bate pela quarta vez, o dó grave ainda está soando embaixo?"

 
 
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Capa do guia A Mão Esquerda Acorda

A Mão Esquerda Acorda

O Trilho de Baixo que tira a mão parada do lugar e junta as duas mãos na mesma música.

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Segundo a edição, o que a mão esquerda faz enquanto a direita repete o bloco nas quatro contagens?

ABate o dó grave junto, uma vez a cada contagem
BAfunda o dó grave no um e fica embaixo até o fim do quatro
CSobe uma tecla a cada repetição da direita
DEspera fora do teclado até a direita terminar as quatro
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Dez minutos hoje. Domingo a casa reconhece.

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