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ED 061
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O dó grave que demora a se apagar

Segure a tecla e conte até o som sumir sozinho: o grave dura muito mais que o agudo, e a nota longa da melodia se apoia nele.

Diagrama do teclado com o dó grave e o dó agudo marcados, as duas teclas do teste de quanto o som dura

O grave dura, o agudo apaga

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A sala estava quieta, só a geladeira zumbindo na cozinha, quando o dedo afundou o dó mais grave do teclado e ficou parado lá embaixo. O som encheu o cômodo, grosso, quase uma vibração no tampo da mesa.

Ninguém tocou outra nota. A ideia era contar, um, dois, três, sem pressa, até o som sumir sozinho, com a tecla ainda apertada.

A contagem passou de dez. Passou de quinze. Em algum ponto o som virou um fio, depois um sopro, e só então acabou. A tecla continuava afundada debaixo do dedo.

Depois, o mesmo teste no dó mais agudo. O dedo desceu, a nota brilhou, e antes de chegar ao cinco ela já tinha ido embora. A tecla seguia apertada, igual à outra, mas o som não estava mais lá.

A diferença assusta quem faz o teste pela primeira vez. As duas teclas são idênticas por fora, pesam igual e afundam igual. O que muda está no som que o teclado guarda para cada uma.

A maioria dos teclados de entrada toca gravações de um piano acústico, nota por nota (os chamados samples, amostras de som gravadas). E no piano acústico, a corda grave é longa e pesada, enquanto a aguda é curta e fina. A corda grossa guarda mais energia e demora mais a parar de vibrar.

O teclado copia esse comportamento. Quando a gravação do dó grave foi feita, o som durou muito; quando gravaram o dó agudo, ele sumiu rápido. Você aperta a tecla e ouve exatamente essa diferença.

Para quem está começando, a consequência aparece logo na primeira música com nota longa. A mão direita segura uma nota aguda por quatro tempos, e no terceiro tempo ela já quase não soa. A melodia parece furada no meio.

A lição abaixo mede quanto dura cada ponta do seu teclado e mostra como usar o grave para segurar a nota longa da melodia.

Continue lendo ↓

 
 

I  A Lição de Hoje

A contagem que mede o seu teclado

O teste pede só uma tecla, um dedo e a sua contagem. Não precisa de aplicativo nem de cronômetro: o objetivo é ouvir o som desaparecer e saber em que número ele desapareceu.

Prepare o instrumento antes. Escolha o timbre de piano, desligue eco, reverberação (o efeito que simula o som batendo nas paredes de uma sala grande) e qualquer ritmo automático. Deixe o volume no meio e não use pedal.

O eco precisa sair porque ele prolonga o som artificialmente. Com ele ligado, a nota aguda parece durar bem mais, e o teste mede o efeito em vez da tecla.

Agora ache o dó mais grave. Num teclado de 61 teclas, é a primeira tecla branca da esquerda. Aperte com força média e não solte. Comece a contar num ritmo calmo, como quem conta segundos.

Ouça com atenção o fim. O som não desliga de uma vez: ele vai diminuindo, fica fino e some. Anote o último número em que você ainda ouvia um resto da nota, mesmo que bem baixinho.

Contar alto ou baixinho tanto faz; o que importa é manter o mesmo ritmo nas três medições. Se você acelerar a contagem no grave porque ficou impaciente, o número sai maior que o real e a comparação perde o valor.

Solte a tecla, espere a sala ficar quieta e repita no dó mais agudo, a última tecla branca da direita. Mesma força, mesma contagem, mesmo ouvido atento.

O número do grave e o número do agudo são a medida do seu teclado, e cada modelo tem a sua. Teclados diferentes dão contagens diferentes, e vale medir o seu em vez de confiar na conta de outro instrumento.

Muita gente se surpreende com a distância. O grave costuma passar várias vezes a contagem do agudo, e a diferença cresce aos poucos de uma ponta à outra: cada tecla para a direita dura um pouco menos que a vizinha da esquerda.

Por fim, meça o dó central, a tecla do meio que quase toda lição usa. A contagem dele fica entre as duas pontas e mostra quanto tempo a sua melodia tem antes de começar a sumir.

Passo 1: escolha o timbre de piano, desligue eco, reverberação e ritmo, e deixe o volume no meio.

Passo 2: segure o dó mais grave e conte até o som sumir; anote o número.

Passo 3: repita no dó mais agudo e no dó central, e escreva as três contagens lado a lado.

Com as três contagens no papel, você enxerga quanto fôlego cada região do teclado tem.

 
 

II  O Erro que Trava

A nota longa que some no meio

O erro que trava o iniciante é tratar a nota longa da partitura como uma ordem de som. A partitura manda segurar quatro tempos, ele segura quatro tempos, e espera ouvir quatro tempos de nota.

No dó agudo, a conta não fecha. Com o metrônomo devagar, quatro tempos podem durar mais que a vida inteira do som daquela tecla. O dedo continua no lugar e a nota já acabou.

A reação comum é apertar mais forte na próxima vez. Ajuda pouco. A força deixa a nota mais alta no começo, mas o som continua morrendo no ritmo da corda gravada, e o volume extra some em poucos tempos.

A segunda reação é tocar a nota de novo no meio da duração, para reacender o som. Aí a melodia muda: onde havia uma nota longa, passam a existir duas curtas, e a música perde a frase que o compositor escreveu.

Há ainda um terceiro engano, mais silencioso. O iniciante conclui que o teclado é ruim, que o som é fraco, e desanima. O teclado está fazendo o que um piano faria: a nota aguda dura pouco em qualquer piano.

Pianistas resolvem a mesma questão há séculos. Nas canções lentas, a mão direita canta a melodia lá em cima e a mão esquerda deixa notas graves soando embaixo, justamente porque o grave aguenta o tempo que o agudo não aguenta.

A nota longa da melodia não precisa soar sozinha do começo ao fim; ela precisa de alguém soando por baixo. Esse alguém é o grave da mão esquerda.

Quando a mão esquerda toca um dó grave junto com a nota longa da direita, o grave continua vibrando enquanto o agudo vai sumindo. O ouvido percebe a harmonia ainda viva e completa a nota longa sem reclamar.

Correção 1: antes de tocar uma melodia, meça a contagem da região onde ela mora e compare com a duração das notas longas.

Correção 2: não reacenda a nota longa; segure a tecla até o fim do tempo, mesmo que o som já esteja bem baixo.

Correção 3: coloque um dó grave na mão esquerda no mesmo instante da nota longa, para o grave sustentar a frase.

Com essas três correções, a nota longa deixa de ser um buraco na música e vira o momento em que as duas mãos respiram juntas.

 

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III  A Mão Esquerda

O dó de baixo que segura a melodia

A mão esquerda trabalha hoje lá embaixo, no dó três (o dó uma oitava abaixo do dó central). Ele fica na região grave e dura bastante, mas não tanto a ponto de embolar o som.

Pouse o mindinho esquerdo, dedo 5, nesse dó. O polegar esquerdo, dedo 1, vai no sol logo acima, cinco teclas brancas para a direita. A mão fica aberta e relaxada, sem esticar.

A mão direita sobe até o dó cinco, duas oitavas acima do dó grave, e pousa o polegar, dedo 1, nele. Esse é o agudo da nota longa.

Toque primeiro só a mão direita: aperte o dó agudo e segure por quatro tempos com o metrônomo a 60. Repare em que tempo o som fica fraco demais para você ouvir.

Agora as duas mãos juntas. No tempo 1, a esquerda toca o dó grave e a direita toca o dó agudo, ao mesmo tempo. Segure as duas teclas pelos quatro tempos, sem tocar de novo.

Ouça a diferença. O agudo some na mesma hora de antes, mas o grave continua soando por baixo, e a nota longa parece inteira até o tempo 4.

O grave da mão esquerda funciona como um colchão: a nota aguda se deita nele e parece durar além da conta. Sem o colchão, a melodia cai no vazio.

Depois, acrescente o sol da mão esquerda no tempo 3, com o polegar. O dó grave continua apertado, e o sol entra para acordar a harmonia na metade da nota longa.

Se o dó grave embolar com o sol, solte o sol primeiro e mantenha só o dó. A ordem importa: a nota que sustenta a frase é a mais grave, e ela é a última a sair do teclado.

O mesmo desenho vale para qualquer melodia em dó maior. Sempre que a direita tiver uma nota de quatro tempos lá no agudo, procure o dó grave para colocar embaixo dela.

Tempo 1: metrônomo a 60. Dó grave e dó agudo juntos, segurando os quatro tempos.

Tempo 2: repita, agora com o sol da mão esquerda entrando no tempo 3, sem soltar o dó grave.

Tempo 3: suba o metrônomo para 72 e toque a sequência quatro vezes seguidas, sem parar entre elas.

“Quanto tempo a nota mais aguda do seu teclado aguenta antes de sumir?”

Teste hoje: segure o dó mais grave e conte até o som sumir; faça o mesmo no dó mais agudo. Divida a primeira contagem pela segunda. O esperado é um número bem maior que 1: esse é o tanto que o seu grave aguenta a mais que o agudo.

 
 
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Quiz da edição

Segundo a edição, por que o dó grave segura o som muito mais que o dó agudo?

APorque a tecla do grave afunda mais fundo que a do agudo
BPorque a corda aguda é longa e pesada, e guarda mais energia que a grave
CPorque o teclado copia um piano acústico, cuja corda grave é longa e pesada e guarda mais energia
DPorque a tecla do grave é apertada com mais força, e a força prolonga o som

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