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Mestre do Teclado   Mestre do Teclado
ED 055
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O dó grave que some debaixo do acorde

O mindinho esquerdo para a tecla no meio do curso, o grave falha, e a lição toca a mesma nota 4 vezes ouvindo se saíram iguais.

Diagrama do teclado com o dó maior invertido na mão direita, polegar no sol, dedo 3 no dó e mindinho no mi, e o mindinho esquerdo no dó grave

O mindinho esquerdo no dó grave

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Um estalo seco de plástico, tec, e depois quase nada. O mindinho esquerdo desceu no dó grave, a tecla parou no meio do caminho e o som saiu magro, um sopro curto que se apagou antes de o acorde da mão direita terminar de soar.

Em cima, a direita fez tudo certo. Sol, dó e mi soaram cheios e firmes, com o volume que o ouvido esperava. Mas o acorde ficou flutuando, leve demais, como uma mesa com três pernas boas e a quarta mais curta.

Quem começa no teclado costuma culpar a direita, porque é ela que a partitura destaca e é nela que os olhos ficam presos. O defeito mora do outro lado, no dedo mais fraco da mão mais distraída.

O mindinho esquerdo, chamado de dedo 5 na numeração que o teclado usa (do polegar, o 1, até o mindinho, o 5), é o menor da mão e o que menos trabalha no dia a dia. Ele cai de lado, com a ponta torta, e para no meio do curso da tecla, a distância que ela percorre do repouso até o fundo.

Nos teclados sensíveis ao toque, aqueles que medem a velocidade da tecla para decidir o volume, meio curso vira nota fraca. Em alguns modelos, vira nota nenhuma. No piano acústico acontece parecido: a tecla afundada devagar demais nem chega a lançar o martelo contra a corda.

O grave carrega o acorde inteiro. É a nota que o ouvido usa para entender onde a harmonia está pisando, e uma falha lá embaixo pesa mais que um erro na melodia. Quando ela some, a direita soa sozinha e a música perde o chão.

A lição abaixo isola o mindinho num exercício de quatro toques na mesma tecla, com um critério só: as quatro notas precisam sair iguais, no volume e na duração. Depois o acorde volta por cima, e o ouvido compara.

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I  A Lição de Hoje

Quatro dós do mesmo tamanho

A lição usa uma tecla só na mão esquerda: o dó grave, uma oitava abaixo do dó central (a branca logo à esquerda do par de pretas mais perto do meio do teclado). Conte sete brancas para a esquerda a partir do dó central e a oitava fecha no dó de baixo.

Antes de tocar, arrume o mindinho. A ponta do dedo desce de pé, curvada, com a unha quase apontando para a tecla. O mindinho deitado toca com a lateral da pele, e a lateral escorrega antes de a tecla chegar ao fundo.

A tecla só termina de soar quando bate no fundo. Todo o resto da lição serve para o dedo chegar lá quatro vezes seguidas.

O peso vem do braço, e o dedo apenas o entrega. Deixe o cotovelo solto e o punho na altura das teclas. O movimento se parece com o de largar uma moeda numa mesa: o dedo firme, o braço caindo alguns milímetros, e a tecla afundando inteira.

Ligue o metrônomo a 60, uma batida por segundo. Toque o dó grave com o mindinho em cada batida, quatro vezes, e pare. Não emende a quinta. A pausa entre as séries faz parte do exercício, porque é nela que o ouvido guarda o som das quatro notas para comparar.

“Toca sempre como se um mestre te ouvisse.”

Robert Schumann, Regras de vida e de música para jovens músicos, 1850

O compositor alemão Robert Schumann escreveu essa regra para alunos de piano, e ela cabe inteira neste exercício. O mestre, aqui, é o seu próprio ouvido, atento a cada uma das quatro notas como se fossem notas de palco.

Passo 1: metrônomo a 60, mão esquerda sozinha. Toque quatro dós graves com o mindinho, um por batida, e escute se algum saiu mais baixo ou mais curto.

Passo 2: repita a série cinco vezes, com uma pausa de quatro batidas entre elas. Nas pausas, solte a mão no colo e volte a colocá-la no teclado.

Passo 3: junte a direita. Polegar direito no sol logo abaixo do dó central, dedo 3 no dó central, mindinho no mi. Esse desenho é o dó maior em segunda inversão (as mesmas três notas do acorde, com o sol embaixo). Toque o acorde junto com cada um dos quatro dós graves.

 
 

II  O Erro que Trava

A tecla que parou no meio

O erro que trava tem nome simples: meio toque. O mindinho esquerdo afunda a tecla até a metade e sobe, com a sensação de ter tocado. O dedo sentiu o contato; o som mal saiu.

O motivo mora na forma da mão. O mindinho é curto e fica na ponta, longe do eixo do braço. Quando o iniciante toca com o dedo esticado e o punho caído, ele chega à tecla de lado, e a força escapa para fora antes de descer.

Existe ainda um segundo motivo, de atenção. A mão direita recebe os olhos, a partitura e a melodia. A esquerda trabalha no escuro, e o dedo que ninguém observa aprende a economizar esforço.

O resultado aparece no acorde. Com o grave fraco, o dó maior da direita soa como se estivesse suspenso, sem base. Muita gente atribui a sensação ao timbre do teclado ou ao volume do alto-falante e sobe o volume geral, o que só deixa a direita mais alta ainda.

Nos teclados sensíveis ao toque, o defeito fica exposto. O sensor lê a velocidade da descida, e uma tecla parada no meio do curso vira nota quase muda. Em modelos sem sensibilidade, o volume sai igual, mas a nota fica curta, porque o dedo sobe cedo e o som acaba junto.

O ouvido não confia no dedo, e faz bem. Por essa razão a correção passa por comparar sons, e não sensações.

Correção 1: a prova do fundo. Com o teclado desligado, aperte o dó grave devagar com o mindinho e sinta o ponto em que a tecla para. Repita o gesto três vezes antes de ligar o instrumento, para o dedo conhecer o fim do curso.

Correção 2: a prova do polegar. Toque o mesmo dó grave quatro vezes com o polegar esquerdo, o dedo mais forte da mão, e depois quatro vezes com o mindinho. O som do polegar vira a medida: o mindinho precisa soar igual a ele.

Correção 3: a prova da gravação. Grave no celular uma série de quatro toques do mindinho e ouça de olhos fechados. Nota mais baixa ou mais curta que as outras aponta a batida em que o dedo parou no meio.

 

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III  A Mão Esquerda

O mindinho que segura o chão

Na mão esquerda, o mindinho tem um trabalho que nenhum outro dedo faz: ele toca a nota mais grave do acompanhamento. Nas cifras de iniciante, quase todo acorde da direita apoia a base numa nota tocada por ele.

Por esse papel, o mindinho esquerdo merece o mesmo cuidado que a melodia recebe. Uma nota grave firme sustenta o acorde durante os quatro tempos, porque o som grave demora mais para se apagar que o agudo. Uma nota grave fraca some no segundo tempo e deixa a harmonia sem apoio no terceiro e no quarto.

A posição da mão ajuda. Apoie o polegar esquerdo no sol grave, cinco brancas acima do dó, contando as duas pontas. Com o polegar ancorado, a mão ganha um eixo, e o mindinho desce com o peso do braço sem precisar se esticar para alcançar a tecla.

Um detalhe muda o som: o tempo que o dedo fica na tecla. O grave precisa durar a batida inteira. Mantenha o mindinho afundado até o clique seguinte do metrônomo e só então solte, subindo no mesmo gesto em que desce para a próxima nota.

O ouvido treinado nessa lição passa a notar o grave em toda música. Numa gravação de piano, preste atenção só à nota de baixo de cada acorde: ela entra junto com a direita, dura até a troca e não some no meio.

O mesmo cuidado vale para os outros dedos da esquerda quando a cifra pede duas notas graves, como o dó e o sol alternados. O polegar costuma afundar a tecla inteira sem esforço; o mindinho, não. Por essa diferença de força, o treino começa pelo dedo mais fraco: quando o mindinho soa igual ao polegar, a alternância entre os dois sai equilibrada sem exercício extra, e o baixo anda com o mesmo peso de uma nota para a outra.

Tempo 1: mão esquerda sozinha, metrônomo a 60. Quatro dós graves com o mindinho, segurando cada um até a batida seguinte.

Tempo 2: mãos juntas, o dó maior invertido na direita e o dó grave na esquerda, quatro vezes. Ouça se o acorde soa com base nas quatro.

Tempo 3: mãos juntas, duas séries de quatro, agora com o volume do teclado um degrau abaixo. Com o som mais baixo, qualquer grave fraco aparece na hora.

O tempo 3 serve de prova final: se o grave some com o volume baixo, o mindinho ainda está parando no meio do curso, e a volta é ao tempo 1.

"Das quatro notas graves da última série, quantas saíram com o mesmo tamanho?"

Teste hoje: grave no celular três séries de quatro dós graves com o mindinho, no metrônomo a 60, e ouça contando quantas das 12 notas saíram mais baixas ou mais curtas que as vizinhas. O alvo é zero; se passar de 2, repita as correções do fundo e do polegar e grave de novo.

 
 
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