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O lá menor nas 7 teclas do dó maior

A escala de lá menor parte duas brancas abaixo do dó central, e a lição toca as duas escalas de ponta a ponta.

Teclado com a escala de lá menor acesa do lá ao lá, e o si e o dó agudos em sombra

Lá menor aceso; si e dó agudos completam o dó maior

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A tecla do dó central desce até bater no feltro, um toque abafado de plástico contra pano, e o som sai antes de o dedo seguinte deixar a borda. Dali a mão direita sobe oito brancas e toca a escala de dó maior. Duas teclas brancas abaixo do dó central começa a escala de lá menor, feita com as mesmas brancas.

O polegar recua até o lá e a mão sobe de novo: lá, si, dó, ré, mi, fá, sol e lá. Nenhuma preta entra no caminho. São oito teclas e sete nomes, porque a última repete a primeira uma oitava acima (o mesmo nome, oito brancas adiante), igual ao dó maior.

O som, porém, mudou de cor. A subida de lá soa mais escura e mais séria, enquanto a de dó soa clara e arrumada, com cara de primeira página de método.

O ouvido de quem começa costuma desconfiar. Se as teclas não mudaram, alguma nota deve ter escapado, uma preta tocada sem querer, um dedo que caiu na vizinha. Nenhuma nota escapou: os dedos tocaram as mesmas sete notas, na mesma ordem de vizinhança, e a única troca foi o ponto de partida.

A lição de hoje toca as duas escalas de ponta a ponta, uma atrás da outra, com a mesma dedilhação (a escolha de qual dedo toca cada tecla) na mão direita. O exercício serve ao braço e ao ouvido. A mão aprende onde o polegar passa por baixo em cada escala, e o ouvido aprende a reconhecer, logo na terceira nota, qual das duas está soando.

Para o ouvido reconhecer, ajuda saber o que ele escuta. A explicação mora numa conta curta, a dos meios tons (a distância de uma tecla até a vizinha colada nela, preta ou branca). Em 1547, o humanista suíço Heinrich Glarean já tratava as duas escalas como separadas por essa conta e deu à de lá um nome grego.

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I  A Lição de Hoje

Os dois meios tons trocam de lugar

Dois pares de brancas vizinhas não têm preta entre si: mi e fá, si e dó. As pretas vêm em grupos de duas e de três, e os vãos sem preta ficam justamente nesses pares, com distância de um semitom, o nome técnico do meio tom.

Entre as outras brancas vizinhas sempre existe uma preta, e a distância sobe para um tom, a soma de dois semitons. Uma escala de sete brancas junta cinco tons e dois semitons, e a ordem deles depende da tecla de partida.

A escala de dó maior anda assim: tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom. Os dois meios tons caem entre a terceira e a quarta nota (mi e fá) e entre a sétima e a oitava (si e dó).

A escala de lá menor usa os mesmos pares, começando em outro ponto da fileira. A sequência vira tom, semitom, tom, tom, semitom, tom, tom, e os meios tons passam para o espaço entre a segunda e a terceira nota (si e dó) e entre a quinta e a sexta (mi e fá).

O ouvido mede cada nota pela distância até a primeira, e por esse motivo a mesma fileira de brancas soa como duas escalas diferentes. A diferença mais audível chega na terceira nota. Em dó maior, do dó ao mi há quatro semitons: é a terça maior (terça é a distância da primeira à terceira nota da escala). Em lá menor, do lá ao dó há três semitons, a terça menor, e um semitom a menos nesse ponto escurece a escala inteira.

Lá menor é a relativa menor de dó maior (a escala menor que usa as notas de uma maior, partindo da sexta nota dela). Por esse parentesco, nenhuma das duas leva sustenido ou bemol (os sinais que sobem ou descem a nota meio tom).

Heinrich Glarean, nascido Heinrich Loriti em 1488, publicou em Basileia, em 1547, o Dodecachordon (do grego, “doze cordas”), tratado que ampliou de oito para doze os modos (as escalas da época, que se distinguem pela posição dos meios tons). Glarean chamou de eólio o modo que parte do lá, nome tirado dos eólios, povo grego antigo, e de jônio o modo que parte do dó.

As duas escalas usam as sete brancas, e a nota de partida decide o som, porque ela muda o lugar dos dois meios tons.

1. Polegar no dó central, metrônomo em 60, uma nota por clique. Os dedos se numeram do polegar (1) ao mínimo (5).

2. Subir dó, ré e mi com 1, 2 e 3, passar o polegar por baixo até o fá e seguir com 1, 2, 3, 4 e 5 até o dó de cima.

3. Descer pelo mesmo caminho e recuar a mão até o polegar pousar no lá, duas brancas abaixo do dó central.

4. Subir lá, si e dó com 1, 2 e 3, passar o polegar por baixo até o ré e seguir com 1, 2, 3, 4 e 5 até o lá de cima.

5. Descer, voltar ao dó central e repetir o par quatro vezes, ouvindo a terceira nota de cada subida.

 
 

II  O Erro que Trava

O polegar espera o fá

O erro mais comum desta lição aparece na primeira subida de lá menor. A mão acabou de tocar dó maior, e os dedos guardaram uma regra presa à tecla: o polegar passa por baixo no fá.

Em dó maior, a regra funciona. Começando no lá, ela trava a escala. A mão sobe lá, si, dó e ré com 1, 2, 3 e 4, esperando o fá para passar o polegar. O mi sobra para o mínimo, e o fá chega sem dedo livre. A escala para na sexta nota, com a mão esticada e o polegar preso atrás.

A causa está no jeito de decorar. Quem decora a escala pela tecla grava “polegar no fá”. Quem decora pelo desenho dos dedos grava “polegar depois do terceiro dedo”, e esse desenho serve para dó maior e para lá menor sem mudar uma vírgula.

Nas duas escalas, a mão direita divide a subida em dois grupos, um de três notas e outro de cinco. Em dó maior, o grupo de cinco começa no fá. Em lá menor, começa no ré, a quarta nota.

Há um segundo tropeço, mais discreto. A mão acerta o ré, mas o polegar só começa a viagem depois de o terceiro dedo tocar o dó. O ré sai atrasado e mais forte, um solavanco contra o clique do metrônomo, e a escala ganha um degrau torto bem na passagem.

O polegar passa por baixo logo depois do terceiro dedo: no dó maior ele cai no fá, no lá menor cai no ré.

A correção treina a passagem isolada, antes da escala inteira.

1. Terceiro dedo no dó, polegar solto embaixo da palma.

2. Tocar o dó e, enquanto ele soa, levar o polegar por baixo até encostar no ré, sem afundar.

3. No clique seguinte, afundar o ré com o polegar e soltar o dó.

4. Trazer o terceiro dedo de volta ao dó por cima do polegar e repetir a dobradiça (o vaivém do polegar entre o dó e o ré) oito vezes.

5. Juntar lá e si na frente, depois mi, fá, sol e lá, até a escala subir sem solavanco.

Na descida, o caminho se inverte. Do ré, o terceiro dedo cruza por cima do polegar até o dó, e a conta lida de trás para frente fica cinco notas do lá de cima até o ré e três do dó até o lá.

Se a escala travar de novo no mi, diga baixinho o número de cada dedo antes da nota: 1, 2, 3, 1, 2, 3, 4, 5. Falar o número devolve a atenção ao desenho dos dedos.

 

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III  A Mão Esquerda

O lá grave segura a escala

A mão esquerda toca as duas escalas uma oitava abaixo da direita, com a dedilhação espelhada. Em lá menor, ela parte do lá grave com os dedos 5, 4, 3, 2 e 1: mínimo no lá, anelar no si, médio no dó, indicador no ré e polegar no mi.

Depois o médio cruza por cima do polegar até o fá, e indicador e polegar completam sol e lá.

Em dó maior, o desenho se repete duas brancas acima, com o cruzamento depois do sol. A passagem da esquerda chega depois de cinco notas e a da direita depois de três, e as duas mãos tropeçam em lugares diferentes quando tocam juntas.

A esquerda tem outro trabalho, este para o ouvido. A nota mais grave que soa indica ao ouvido a tônica (a nota de repouso, onde a escala parece chegar).

O efeito aparece num exercício curto: a esquerda toca o lá grave junto com a primeira e com a última nota da direita, e a direita sobe de lá a lá, com chegada firme no lá de cima. Depois a esquerda troca o lá grave pelo dó grave, e a direita repete a subida nota por nota. Agora o lá de cima tende a soar suspenso, como se pedisse para andar até o dó.

Na mão esquerda, o lá grave embaixo da escala mostra ao ouvido onde fica o repouso, e as mesmas brancas passam a soar como lá menor.

O acorde de lá menor repete o raciocínio. Ele junta a primeira, a terceira e a quinta nota da escala: lá, dó e mi, tocados pela esquerda com 5, 3 e 1. O acorde de dó maior junta dó, mi e sol. Os dois dividem dó e mi; o lá menor acrescenta o lá embaixo, e o dó maior acrescenta o sol em cima.

Uma das peças mais conhecidas em lá menor começa com esse chão. Na Für Elise (Para Elisa), que Ludwig van Beethoven escreveu em 1810, a mão esquerda entra com lá grave, mi e lá logo depois de a melodia pousar no lá. A melodia usa uma preta como enfeite, o ré sustenido colado no mi, e a primeira figura da mão esquerda fica toda nas brancas da lição de hoje.

Teste hoje: metrônomo em 60, uma nota por clique. Toque dez subidas de lá menor na mão direita, com o lá grave da esquerda na largada e na chegada. Conte em quantas das dez o polegar entrou no ré sem atrasar o clique. Depois toque uma subida com o dó grave embaixo e ouça se o lá de cima ficou suspenso. O esperado no primeiro dia fica entre seis e dez subidas limpas; abaixo de seis, volte à dobradiça do dó com o ré por três minutos e conte de novo.

 
 
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AJônio
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CEólio
DLídio

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