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Dois pares de brancas vizinhas não têm preta entre si: mi e fá, si e dó. As pretas vêm em grupos de duas e de três, e os vãos sem preta ficam justamente nesses pares, com distância de um semitom, o nome técnico do meio tom.
Entre as outras brancas vizinhas sempre existe uma preta, e a distância sobe para um tom, a soma de dois semitons. Uma escala de sete brancas junta cinco tons e dois semitons, e a ordem deles depende da tecla de partida.
A escala de dó maior anda assim: tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom. Os dois meios tons caem entre a terceira e a quarta nota (mi e fá) e entre a sétima e a oitava (si e dó).
A escala de lá menor usa os mesmos pares, começando em outro ponto da fileira. A sequência vira tom, semitom, tom, tom, semitom, tom, tom, e os meios tons passam para o espaço entre a segunda e a terceira nota (si e dó) e entre a quinta e a sexta (mi e fá).
O ouvido mede cada nota pela distância até a primeira, e por esse motivo a mesma fileira de brancas soa como duas escalas diferentes. A diferença mais audível chega na terceira nota. Em dó maior, do dó ao mi há quatro semitons: é a terça maior (terça é a distância da primeira à terceira nota da escala). Em lá menor, do lá ao dó há três semitons, a terça menor, e um semitom a menos nesse ponto escurece a escala inteira.
Lá menor é a relativa menor de dó maior (a escala menor que usa as notas de uma maior, partindo da sexta nota dela). Por esse parentesco, nenhuma das duas leva sustenido ou bemol (os sinais que sobem ou descem a nota meio tom).
Heinrich Glarean, nascido Heinrich Loriti em 1488, publicou em Basileia, em 1547, o Dodecachordon (do grego, “doze cordas”), tratado que ampliou de oito para doze os modos (as escalas da época, que se distinguem pela posição dos meios tons). Glarean chamou de eólio o modo que parte do lá, nome tirado dos eólios, povo grego antigo, e de jônio o modo que parte do dó.
As duas escalas usam as sete brancas, e a nota de partida decide o som, porque ela muda o lugar dos dois meios tons. |
1. Polegar no dó central, metrônomo em 60, uma nota por clique. Os dedos se numeram do polegar (1) ao mínimo (5).
2. Subir dó, ré e mi com 1, 2 e 3, passar o polegar por baixo até o fá e seguir com 1, 2, 3, 4 e 5 até o dó de cima.
3. Descer pelo mesmo caminho e recuar a mão até o polegar pousar no lá, duas brancas abaixo do dó central.
4. Subir lá, si e dó com 1, 2 e 3, passar o polegar por baixo até o ré e seguir com 1, 2, 3, 4 e 5 até o lá de cima.
5. Descer, voltar ao dó central e repetir o par quatro vezes, ouvindo a terceira nota de cada subida.
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