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ED 028
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O médio cruza o polegar no lá

A esquerda sobe a escala de dó com os dedos 5, 4, 3, 2 e 1, e o médio passa por cima do polegar na sexta nota para terminar a subida.

Diagrama das teclas com a escala de dó maior da mão esquerda de dó a dó, os dedos 5, 4, 3, 2, 1, 3, 2 e 1 numerados sobre as notas e o cruzamento do dedo médio por cima do polegar marcado no lá

Escala de dó na esquerda, o médio cruza no lá

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A tecla do dó grave afunda com um baque mais surdo que a do dó central, e a ponta do dedo mínimo esquerdo sente o feltro parar bem mais fundo do que esperava. O som demora um instante a mais para encher a sala, e a mão fica parada ali, com o polegar apontado para a direita, sem saber o que fazer com os outros quatro dedos.

A mão esquerda passa os primeiros meses do estudo tocando uma nota por compasso, presa embaixo da melodia, quase sem andar pelo teclado. Quando ela finalmente sobe uma escala inteira, o estranhamento não vem das notas, que são as mesmas sete brancas de sempre.

Vem da numeração, que corre ao contrário. Na esquerda, o mínimo ocupa a nota mais grave e o polegar ocupa a mais aguda, então subir a escala significa começar pelo dedo 5 e ir descendo a contagem, 5, 4, 3, 2, 1, enquanto o som sobe. Número e altura andam em sentidos opostos, e a cabeça leva alguns dias para parar de traduzir cada passo.

Cinco dedos, oito notas. A conta não fecha por três notas, e é por essa razão que existe um cruzamento no meio do caminho: em algum ponto a mão precisa recomeçar a contagem sem interromper o som, com um dedo passando por cima do outro enquanto a nota anterior ainda soa.

O lugar desse recomeço na escala de dó da mão esquerda é a sexta nota. O polegar toca o sol, o dedo médio sobe por cima dele e cai no lá, e a mão inteira se reorganiza a alguns centímetros de onde estava, com três dedos ainda livres para fechar a subida em si e dó.

Quem já tocou essa escala com a mão direita reconhece o desenho de longe, porque o problema se repete espelhado no lado oposto do teclado, com o braço andando para o outro sentido e o cruzamento caindo num degrau diferente da subida.

A lição de hoje monta a subida da esquerda dedo por dedo e trata o cruzamento como movimento de braço, não como acrobacia de dedo solto.

Continue lendo ↓

 
 

As teclas de hoje: a escala de dó maior na mão esquerda, do dó ao dó.

I  A Lição de Hoje

Cinco dedos e um cruzamento

Comece a subida com o dedo mínimo esquerdo no dó grave, uma oitava abaixo do dó central. A sequência de notas é dó, ré, mi, fá, sol, lá, si e dó, com os dedos 5, 4, 3, 2, 1, 3, 2 e 1 nessa ordem exata.

Toque só as cinco primeiras notas e pare. Dó com o mínimo, ré com o anular, mi com o médio, fá com o indicador e sol com o polegar, cada dedo entrando uma vez, sem repetir nenhum, com a mão inteira parada no lugar e só os dedos trabalhando.

Repare no que sobrou depois do sol. Nada. Os cinco dedos já foram usados, a escala está na metade, e o polegar está apoiado na nota mais aguda que a mão alcança nesta posição, com os outros quatro dedos empilhados à esquerda dele.

A saída é passar o dedo médio por cima do polegar. Com o sol ainda soando, levante o médio, leve ele por cima do dorso do polegar e afunde o lá, a branca seguinte, deixando a mão inteira acompanhar o gesto para a direita.

A subida da esquerda gasta os cinco dedos antes da metade da escala. O médio passa por cima do polegar no lá e devolve à mão três dedos livres para terminar em si e dó.

O cruzamento sai bem quando o cotovelo participa. Solte o braço do ombro e deixe o cotovelo se afastar um pouco do corpo no momento do lá, porque uma mão que gira só no pulso obriga o médio a se esticar e a nota sai fraca e atrasada.

Treine as duas notas do cruzamento isoladas, quinze vezes seguidas, devagar. Toque o sol com o polegar, cruze o médio por cima e toque o lá, volte o polegar ao sol, e faça o caminho de ida e volta como um balanço regular, sem parar entre uma repetição e outra.

Agora toque a subida completa três vezes, com dois segundos entre as notas, contando em voz alta os dedos 5, 4, 3, 2, 1, 3, 2, 1. Falar o número enquanto o dedo desce resolve metade da confusão da numeração invertida em poucos minutos.

Faça a descida em seguida, que é onde o movimento se inverte. Volte de dó a dó com os dedos 1, 2, 3, 1, 2, 3, 4 e 5, e repare que agora o polegar passa por baixo do médio no fá para liberar espaço à mão que desce.

Termine tocando subida e descida seis vezes seguidas, sem pausa entre uma e outra, tratando as dezesseis notas como uma frase só. Cada volta completa grava a posição do cruzamento nos dois sentidos e vale mais que dez subidas isoladas.

 
 

II  O Erro que Trava

O buraco de tempo no lá

O erro que trava a subida da esquerda é o buraco de silêncio que aparece exatamente no lá. A mão chega no polegar, para para se organizar, o médio procura a tecla com calma, e a escala perde o passo bem no meio do caminho.

Esse buraco quase nunca é percebido por quem toca. O ouvido de dentro preenche a falta sozinho, porque a cabeça sabe qual nota vem em seguida, e a escala parece regular mesmo quando tem um vão de meio segundo dentro dela.

Existe um jeito simples de flagrar o defeito. Toque a subida contando um número por nota em voz alta e em velocidade constante, sem acelerar nem desacelerar a contagem: se a sexta nota chegar depois do seu próprio número, o vão está lá.

O segundo sintoma aparece na quina da tecla. Quem cruza o médio tarde demais bate com a lateral do dedo na borda da branca antes de afundar, e sai aquele ruidinho seco de unha em madeira meio segundo antes da nota.

Carl Philipp Emanuel Bach já tratava o polegar como a peça que organiza a mão inteira, e não como um dedo qualquer da fila.

“O polegar, antes tido por inútil, é o dedo principal, pois sem ele nenhuma mudança de posição da mão seria possível.”

> Carl Philipp Emanuel Bach, Ensaio sobre a Verdadeira Arte de Tocar Instrumentos de Teclado, 1753

A correção começa cedo, três notas antes do problema. Enquanto o indicador afunda o fá, o médio já deve estar dobrando para cima e se aproximando da posição do lá, de modo que ele chegue à tecla no instante em que o polegar terminar de tocar.

Treine o exercício do dedo preparado, com os olhos no médio. Toque fá e sol devagar, dedos 2 e 1, e observe o dedo médio subindo e ficando parado no ar por cima do polegar enquanto o sol ainda soa, apontado para o lá como quem já sabe onde vai pisar.

Depois faça o teste da nota sustentada. Toque o sol e segure a tecla afundada com o polegar, cruze o médio e toque o lá sem levantar o polegar, e escute as duas notas soando juntas por um instante: quem consegue essa sobreposição não tem mais buraco nenhum na subida.

Repare que o teste responde na hora e sem equipamento. Se o polegar precisar sair do sol para o médio alcançar o lá, o braço não acompanhou o movimento e o cotovelo continua colado ao corpo.

Guarde a consequência que vale para as escalas seguintes. Toda escala maior da mão esquerda usa um cruzamento parecido em algum ponto da subida, e a mão que resolve o gesto na escala de dó chega nas outras tonalidades com o movimento já pronto.

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III  A Mão Esquerda

Dez minutos com a esquerda sozinha

A esquerda não fica pronta tocando junto com a direita. A direita carrega a melodia, o ouvido segue a melodia, e qualquer tropeço da mão de baixo passa despercebido embaixo do som que interessa.

Toque a escala de dó da esquerda quatro vezes seguidas com a direita no colo. Conte um tempo por nota, mantenha o pulso na altura das teclas e a palma curva, como se houvesse uma laranja pequena embaixo dela.

Ouça o volume nota por nota nessa subida. Duas notas costumam destoar: o dó grave do mínimo, que sai forte demais porque o braço inteiro pesa em cima dele, e o lá do cruzamento, que sai fraco porque o médio chega sem apoio.

Corrija o mínimo antes de corrigir o resto. Toque só as três primeiras notas, dó, ré e mi, dez vezes, procurando o mesmo volume nas três, com o peso saindo do braço e não da força do dedo apertando a tecla.

Só depois junte as duas mãos, em oitavas paralelas, na velocidade mais lenta em que der para não errar nenhuma nota. As duas mãos vão cruzar em pontos diferentes da subida, cada uma com o próprio dedo passando na hora certa, e a atenção precisa ficar na de baixo.

Minuto 1 a 2: as cinco primeiras notas da esquerda, dedos 5, 4, 3, 2 e 1, dez vezes, com a mão parada e só os dedos trabalhando.

Minuto 3 a 5: o cruzamento isolado, sol e lá com o polegar e o médio, quinze idas e voltas, com o cotovelo se afastando do corpo no lá.

Minuto 6 a 8: a subida e a descida completas da esquerda, seis vezes seguidas, contando os dedos em voz alta.

Minuto 9 a 10: as duas mãos em oitavas paralelas, duas subidas e duas descidas, com a atenção presa na mão de baixo.

Feche a sessão com uma subida só, tocada bem devagar, e faça a conta do resultado. Grave a escala da esquerda no celular, ouça de olhos fechados e conte quantas das oito notas soaram com o mesmo volume: cinco ou mais amanhã, sete ou mais no fim da semana, e a mão de baixo para de ser passageira.

"Você cruza o médio por decisão ou espera o polegar acabar a nota?"

 
 
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A Mão Esquerda Acorda

O Trilho de Baixo que tira a mão parada do lugar e junta as duas mãos na mesma música.

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Dez minutos hoje. Domingo a casa reconhece.

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