|
O pé entra depois da mão e o som deixa de depender dos dedos. Veja a ordem exata dos dois movimentos e o que a mão ganha quando o pedal assume o trabalho.
O pé desce depois que o acorde soa, nunca no mesmo instante. Os dedos chegam ao fundo primeiro, o som nasce, e só então o pedal afunda e recolhe o que já está no ar.
Antes de tocar qualquer nota, resolva o pé. Calcanhar apoiado no chão, a parte da frente do pé sobre a superfície do pedal, e o contato entre os dois não se desfaz em nenhum momento da lição.
O pedal trabalha por giro de tornozelo, não por passada de perna. A perna fica parada, o peso vai e volta na frente do pé, e o pedal desce e sobe sem que o pé perca o apoio.
Monte o acorde com a mão direita. Polegar no dó do meio, dedo do meio no mi, mínimo no sol, os três afundando juntos até o fundo da tecla.
Conte em voz alta e divida o tempo em dois. No "um" os três dedos chegam ao fundo; no "e" logo em seguida, o pé desce. A distância entre as duas ordens é curta, e é ela que faz o pedal pegar só as notas certas.
Agora tire a mão do teclado inteira. Os cinco dedos vão para o colo, e o acorde continua soando sozinho, preso pelo pé.
Esse é o teste da lição e não precisa de professor por perto. Com a mão longe das teclas, o dó, o mi e o sol atravessam uma contagem de quatro sem enfraquecer.
|
O pedal não toca nota nenhuma. Ele só decide o que continua soando depois que o dedo sai da tecla, e por causa dessa função ele chega sempre atrás da mão.
|
Com o som seguro, a mão ganha o tempo que faltava. Ela levanta, anda um pouco para a direita e monta a forma seguinte: polegar no ré, dedo do meio no sol, mínimo no si.
O bloco de ré, sol e si é um sol maior, e ele mora a uma tecla de distância do bloco de dó. Os mesmos três dedos, a mesma mão, uma posição adiante.
No instante em que as três teclas novas chegam ao fundo, o pé sobe e desce de novo. A subida corta o acorde velho, a descida logo atrás guarda o novo, e o movimento inteiro cabe num piscar de olhos.
O ouvido confere o resultado sem esforço. Entre um acorde e o outro não sobra buraco nem sobreposição, e a mudança soa como uma virada só.
Comece a prática com o volume baixo e sem pressa. Toque o bloco de dó, entre com o pé, levante a mão, conte até quatro e só então monte o sol.
Depois junte as duas trocas numa sequência contínua. Dó em quatro tempos, sol em quatro tempos, ida e volta oito vezes, com o pé fazendo a subida e a descida exatamente onde o acorde muda.
|