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O polegar na tecla preta do si bemol maior

Si bemol, ré e fá na mão direita: a mão entra no teclado, e o acorde alterna com dó maior oito vezes.

Teclado com si bemol, ré e fá e o dó maior em sombra

Si bemol, ré e fá, com dó maior em sombra

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A tecla preta é mais estreita e fica mais alta que a branca, e a quina dela encosta na polpa do polegar antes de o som sair. O dedo acostumado a pousar em superfície larga e lisa agora encontra um degrau de plástico.

Em dó maior, a mão direita mora na beirada do teclado. Dó, mi e sol são brancas, o polegar pousa na ponta da tecla, perto do corpo, e os outros dedos seguem a mesma linha, rentes à borda.

Si bemol maior desmonta esse arranjo. O acorde tem três notas: si bemol, ré e fá. O si bemol, a tecla preta logo à esquerda do si, cai no polegar, e o polegar é justamente o dedo mais curto da mão.

Com o polegar numa preta e o médio e o mínimo nas brancas, a mão parada na beirada fica torta. O polegar alcança a preta esticando para trás, o pulso gira para fora, e o mínimo escorrega na ponta do fá.

A solução dos pianistas é mover a mão inteira, e não só o dedo. A mão avança alguns centímetros na direção da tampa, até o polegar pousar em cima da preta sem esticar. O médio e o mínimo descem nas brancas mais perto das pretas, numa região onde a tecla branca fica mais estreita.

Esse deslocamento parece pequeno e decide boa parte do conforto nas tonalidades com teclas pretas. Uma mão parada na beirada serve para dó maior e atrapalha quase todo o resto: ré maior, mi maior, fá sustenido maior, si bemol maior.

A lição de hoje treina o deslocamento em ciclo. A mão direita toca dó maior na beirada, entra no teclado, toca si bemol maior, sai, e repete o par oito vezes. O ouvido ganha um acorde novo, e o braço aprende a viagem curta entre as duas posições.

O par também tem uso imediato, porque dó maior e si bemol maior aparecem juntos em muita música popular. Antes do exercício, vale entender de onde vem cada nota do acorde novo e por qual razão o bemol entra no nome dele.

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I  A Lição de Hoje

Três notas e um bemol

Um acorde maior se monta com três notas: a fundamental (a nota que dá nome ao acorde), a terça maior, quatro semitons acima, e a quinta justa, sete semitons acima. Semitom, ou meio tom, é a distância entre uma tecla e a vizinha mais próxima, preta ou branca.

Em dó maior, a conta cai toda em brancas. Do dó, quatro semitons sobem até o mi, e sete chegam ao sol. Nenhuma preta entra no caminho, e por esse motivo dó maior é o primeiro acorde de quase todo método.

Em si bemol maior, a fundamental já é preta. O bemol (o sinal ♭, que baixa a nota meio tom) põe o si um semitom abaixo, na tecla preta encostada nele pela esquerda. Dali, quatro semitons sobem até o ré, e sete até o fá. Ré e fá são brancas.

A mesma tecla preta tem dois nomes. Ela se chama lá sustenido quando a música sobe a partir do lá, e si bemol quando desce a partir do si. Na tonalidade de si bemol maior, a escala usa duas notas alteradas para baixo, si bemol e mi bemol, e por esse motivo a tecla leva o nome com bemol.

O acorde é comum em música para banda por uma razão prática. Clarinete, trompete e saxofone tenor são instrumentos em si bemol: o dó escrito na partitura deles soa como si bemol. Quem acompanha uma banda de sopro no teclado encontra o acorde logo nas primeiras músicas.

O polegar em tecla preta já foi assunto de tratado. Carl Philipp Emanuel Bach, filho de Johann Sebastian Bach, publicou em Berlim, em 1753, o Versuch über die wahre Art das Clavier zu spielen (Ensaio sobre a maneira correta de tocar teclado), com uma defesa do polegar como dedo de trabalho pleno, numa época em que muitos tecladistas quase o deixavam parado.

A dedilhação de hoje segue a regra padrão da mão direita para acorde na posição fundamental: polegar na nota de baixo, médio na do meio, mínimo na de cima. Em si bemol maior, o polegar fica no si bemol logo abaixo do dó central, o médio no ré e o mínimo no fá.

Em si bemol maior, o polegar toca a tecla preta, e a mão inteira entra no teclado para ele chegar sem esticar.

1. Mão direita em dó maior: polegar no dó central, médio no mi, mínimo no sol, os três dedos na ponta das brancas.

2. Tocar o acorde, segurar dois tempos e soltar.

3. Deslizar a mão para a esquerda e para dentro, até o polegar ficar em cima do si bemol, logo abaixo do dó central.

4. Pousar o médio no ré e o mínimo no fá, os dois na parte da branca mais perto das pretas.

5. Tocar si bemol maior, segurar dois tempos e voltar a dó maior. Repetir o par oito vezes.

Os dois tempos de espera dão ao braço o intervalo para viajar antes do acorde seguinte. Com o metrônomo em 60, cada acorde dura dois segundos, e os oito pares cabem em pouco mais de meio minuto.

 
 

II  O Erro que Trava

O polegar escorrega na quina

O erro mais comum no começo é mover só o polegar. A mão fica na beirada, o polegar estica para trás até a preta, e o pulso gira para fora para compensar a distância.

Com o pulso torto, o polegar bate na quina da tecla preta. A quina é estreita e arredondada, e o dedo, inclinado, desliza para um dos lados antes de afundar a tecla.

O escorregão tem som conhecido. Se o polegar cai para a esquerda, toca o lá, e o acorde vira lá, ré e fá, um ré menor fora de ordem, com som triste onde deveria soar aberto. Se cai para a direita, toca o si natural, e si, ré e fá formam um acorde diminuto, tenso, de trilha de suspense.

O ouvido percebe o acorde errado antes de entender a causa. Muita gente culpa o dedo e repete o movimento com mais força, quando o problema está no lugar da mão.

O segundo sintoma aparece no mínimo. Com a mão na beirada e o pulso girado, o mínimo toca o fá na ponta extrema da tecla, quase fora dela. O som sai fraco, mais baixo que o das outras duas notas, e às vezes nem sai.

O terceiro sintoma demora a aparecer. Depois de alguns minutos com o pulso girado, o antebraço cansa na parte de fora, perto do cotovelo. A mão compensa apertando mais, e o acorde fica duro e alto.

Quem leva o polegar até a preta é o braço, e não o dedo: o pulso fica reto e a mão inteira avança.

A correção começa com a mão no ar. Antes de tocar si bemol maior, apoie os três dedos nas teclas sem afundar, confira o pulso reto, em linha com o antebraço, e só então desça o acorde.

Depois vem a medida do avanço. A mão entra até o polegar ficar no centro da tecla preta, no plano de cima, longe da quina. O médio e o mínimo avançam junto, mais perto da tampa, e os três dedos formam uma linha diagonal.

Por último, o polegar toca com a lateral da ponta, a parte virada para fora, e não com a polpa achatada. A lateral cabe na largura estreita da preta e não escorrega.

Se o escorregão continuar, tire o dó maior do ciclo por um dia e toque só si bemol maior, soltando a mão no colo entre um acorde e outro. Cada pouso começa do zero, e o braço aprende o lugar sem a muleta da posição anterior.

 

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III  A Mão Esquerda

O si bemol cai no mínimo

Na mão esquerda o desenho se inverte. O dedo da tecla preta passa a ser o mínimo, o mais fraco da mão, e o polegar fica no fá, a nota mais aguda do acorde.

A dedilhação da esquerda fica 5, 3 e 1: mínimo no si bemol grave, médio no ré e polegar no fá. É o mesmo acorde da direita, uma oitava abaixo, com os dedos numerados na ordem contrária.

O mínimo é curto como o polegar e mais fraco que ele. Para alcançar a preta sem esticar, a mão esquerda faz o mesmo avanço da direita: entra no teclado até o mínimo pousar sobre a preta, firme, com a ponta curvada.

O cotovelo esquerdo ajuda. Afastado do corpo alguns centímetros, ele deixa o antebraço chegar em linha reta até a tecla, e o mínimo desce com o peso do braço, e não com a força do dedo sozinho.

Com as duas mãos prontas, o par vira acompanhamento. A esquerda toca só a fundamental, uma nota por acorde: dó grave embaixo do dó maior, si bemol grave embaixo do si bemol maior. A direita segue com os acordes completos.

Uma nota só na esquerda soa mais limpa que o acorde inteiro no grave. Três notas juntas na região baixa do teclado embolam, porque as frequências graves ficam próximas demais e o ouvido não separa as notas. A fundamental sozinha dá o chão sem embolar.

A esquerda desce só a nota que dá nome ao acorde, e as duas mãos entram no teclado juntas no si bemol.

Na troca, a mão esquerda viaja um tom inteiro, do dó grave ao si bemol grave, e entra no teclado no mesmo instante da direita. As duas mãos avançam e recuam juntas, e o movimento espelhado ajuda a lembrar o lugar de cada uma.

O par tem família. Na tonalidade de fá maior, dó maior é o acorde do quinto grau e si bemol maior o do quarto. Um terceiro acorde, o próprio fá maior, completa o trio, e as três posições já cabem na mão de quem treinou o avanço de hoje.

Teste hoje: metrônomo em 60, mão direita sozinha, oito pares de dó maior e si bemol maior, dois tempos por acorde. Grave e ouça só os acordes de si bemol. Conte em quantos dos oito o polegar soou limpo, sem lá nem si natural misturados. O esperado no primeiro dia fica entre cinco e oito; abaixo de cinco, toque só o si bemol maior com pouso do colo por cinco minutos e grave de novo.

 
 
 

Quiz da edição

Segundo o texto, quando o polegar escorrega para a direita na quina da tecla preta do si bemol maior, as notas si, ré e fá formam que tipo de acorde?

AUm acorde maior, mais brilhante
BUm ré menor, fora de ordem
CUm acorde diminuto, de som tenso
DO mesmo si bemol maior, só com dedilhado diferente

Veja o ranking de quem mais acerta →

 

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