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ED 010

O polegar passa por baixo e chega no fá

A escala de dó sobe com 1, 2 e 3 até o mi, o polegar cruza por baixo do médio para cair no fá, e a mão alcança o dó de cima sem sair do lugar.

Diagrama das teclas com mi e fá pressionadas pelos dedos 3 e 1, e dó marcado em sombra.

O polegar sai do dó e cruza por baixo até o fá

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A escala de dó tem oito notas em fila, do dó até o dó seguinte, e a mão que vai tocá-la tem cinco dedos. A conta sobra por três notas, e a lição de hoje existe inteira por causa desse buraco.

Quem aprende sozinho resolve a sobra do jeito mais óbvio de todos. Levanta a mão inteira no meio do caminho, larga ela um pouco mais adiante e continua a subida a partir dali.

O ouvido acusa o pulo antes de qualquer professor. Entre a última nota antes do salto e a primeira depois dele sobra um vão, e a escala chega em cima em dois pedaços colados.

A segunda saída improvisada custa ainda mais caro. O indicador sai passeando de tecla em tecla, uma nota por vez, e o que devia ser uma linha contínua vira uma fila de dedadas separadas.

O instrumento resolveu esse problema há mais de dois séculos, e a solução continua sendo a mesma peça de anatomia. O polegar é o dedo mais curto da mão e nasce embaixo da palma, fora da linha dos outros quatro.

Por causa dessa posição, ele consegue passar por baixo dos companheiros sem esbarrar em nenhum. A mão não sai do lugar, o punho não gira, e o dedo aparece do outro lado já em cima da tecla seguinte.

O cruzamento tem hora marcada, e ela não muda de uma noite para a outra. Cada escala tem um ponto de troca fixo, decidido pelo número de teclas que os dedos disponíveis dão conta de cobrir antes de acabarem.

Depois da troca a mão tem cinco dedos novos e nenhum obstáculo pela frente. O resto da subida sai em sequência, sem salto e sem procura, até a ponta do mínimo encostar no dó de cima.

A lição de hoje leva dez minutos e cabe numa oitava só. Começa pelo instante exato do cruzamento na mão direita, passa pelo salto que costuma tomar o lugar dele, e termina com a mão esquerda fazendo o mesmo serviço ao contrário.

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I  A Lição de Hoje

Três dedos até o mi, o polegar no fá

O dedo curto resolve a sobra de teclas sem que a mão saia do lugar. Veja a ordem exata do cruzamento e o que o punho faz enquanto o polegar viaja.

O polegar viaja por baixo da palma enquanto o médio ainda segura o mi. Os dois movimentos correm ao mesmo tempo, e é essa sobreposição que apaga o vão no meio da escala.

Antes de subir, resolva a posição de partida. Polegar no dó do meio, indicador no ré, médio no mi, e os outros dois dedos curvados no ar, sem encostar em tecla nenhuma.

Toque as três primeiras notas devagar, uma de cada vez. Dó com o 1, ré com o 2, mi com o 3, cada dedo afundando a tecla até o fundo antes do próximo entrar.

No instante em que o médio chega ao mi, o polegar começa a andar. Ele desliza por baixo da palma, encolhido, e se aproxima do fá enquanto o dedo do meio continua com a tecla afundada.

O movimento é do polegar sozinho, nunca da mão. O punho permanece na mesma altura, o antebraço não avança, e o dorso da mão não gira para lado nenhum.

O anular e o mínimo têm um papel discreto e decisivo nessa hora. Eles ficam arredondados, com as pontas apoiadas em cima das teclas, e é essa curvatura que abre o túnel por onde o polegar passa.

O ponto de chegada é uma tecla só, e ela fica colada no mi. O fá é a tecla branca imediatamente à direita do mi, sem preta no meio, e o polegar não precisa procurar longe.

O polegar não pula para o fá. Ele já está debaixo da mão quando o mi soa, e a única coisa que falta é a ponta encostar na tecla que estava esperando por ele.

Com o polegar no fá, a mão inteira se reorganiza sozinha. Os quatro dedos restantes caem em cima das quatro teclas seguintes, e não sobra dedo nem falta tecla.

A conta da segunda metade é fixa e não muda. Sol com o 2, lá com o 3, si com o 4 e o dó de cima com o mínimo, sem nenhum outro deslocamento no meio.

O teste da lição dispensa professor. Suba as oito notas com os olhos no teclado e repare no punho: se ele ficou parado do começo ao fim, o cruzamento aconteceu direito.

Faça o trecho do cruzamento isolado, sem escala nenhuma em volta. Toque só mi e fá, com o 3 e o 1, vinte vezes seguidas, até o polegar chegar sozinho sem que você precise pensar nele.

Comece devagar, com uma nota por segundo. A velocidade não ensina o cruzamento, e o dedo que aprende o caminho no passo lento repete o mesmo caminho quando a escala acelerar.

Depois suba e desça a oitava inteira, quatro vezes seguidas. Na descida o médio faz o contrário do polegar: ele passa por cima dele para alcançar o mi, e a mão continua parada no mesmo ponto.

 
 

II  O Erro que Trava

A mão salta em vez de cruzar

A mão inteira levanta do teclado depois do mi e desce de novo com o polegar já em cima do fá. O caminho fica curto para o olho e comprido para o ouvido, e a escala chega em cima com um degrau no meio.

A causa é uma economia de esforço que o corpo faz sem pedir licença. Levantar a mão é mais fácil do que mandar um dedo sozinho viajar debaixo dela, e o braço se oferece para resolver o problema.

O defeito aparece primeiro no tempo. O salto gasta uma fração de segundo a mais que o cruzamento, e a nota que vem depois dele chega sempre atrasada em relação às outras sete.

A conferência é simples e não depende de gravação. Apoie a mão esquerda de leve em cima do punho direito e suba a escala: se o punho empurrar a palma da esquerda para cima, houve salto.

O segundo desvio é o punho que gira para fora. A mão torce o pulso para jogar o polegar na direção do fá, o dedo chega mesmo assim, e o antebraço fica torto pelo resto da subida.

O terceiro desvio mora no médio. Ele solta o mi cedo demais, antes de o polegar alcançar o fá, e a escala ganha um buraco bem no ponto da emenda.

Existe ainda o desvio dos dedos deitados. O anular e o mínimo esticam e encostam na madeira, a palma baixa, e o túnel por onde o polegar passaria simplesmente fecha.

O erro tem uma versão disfarçada, mais difícil de pegar. A mão não levanta, mas escorrega inteira para a direita no instante do fá, e a posição de partida se perde antes do dó de cima chegar.

A correção começa pela mão parada, sem escala nenhuma. Segure o mi com o médio afundado e leve o polegar até o fá vinte vezes, sem tocar a tecla, só encostando a ponta e voltando.

Depois entre com o som, ainda em duas notas. Mi com o 3, fá com o 1, alternando devagar, com o médio segurando o mi até o polegar chegar ao fundo do fá.

A escala inteira volta por último. Oito notas subindo, oito descendo, no passo mais lento que você aguentar, com atenção no ponto da troca e em nenhum outro lugar do caminho.

O ganho aparece em três ou quatro noites e dá para medir sozinho. A escala passa a subir com as oito notas do mesmo tamanho, e o degrau do meio some sem que você precise pensar nele.

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III  A Mão Esquerda

O médio cruza por cima do polegar

A mão esquerda sobe a mesma escala e resolve a sobra de três notas ao contrário. Nela o polegar não passa por baixo de ninguém na subida: quem viaja é o dedo do meio, e ele viaja por cima.

A posição de partida espelha a da direita. Mínimo no dó grave, anular no ré, médio no mi, indicador no fá e o polegar no sol, com os cinco dedos cobrindo cinco teclas brancas seguidas.

As cinco primeiras notas saem sem novidade nenhuma. Dó com o 5, ré com o 4, mi com o 3, fá com o 2 e sol com o polegar, uma tecla para cada dedo, na ordem em que eles estão.

O ponto de troca chega no sol. Com o polegar afundado nessa tecla, o médio levanta, passa por cima dele e desce no lá, que é a tecla branca vizinha à direita do sol.

Daí em diante sobram exatamente as notas certas. Lá com o 3, si com o 2 e o dó de cima com o polegar, e a oitava fecha sem que a mão tenha andado do lugar.

As duas mãos ensinam a mesma regra por caminhos opostos. Na direita o dedo curto passa por baixo dos compridos; na esquerda os compridos passam por cima do curto, e nos dois casos o punho fica quieto.

Minuto 1 a 3: só a mão direita, e só o cruzamento. Mi com o médio, fá com o polegar, vinte vezes lentas, com o médio segurando o mi até o polegar chegar ao fundo.

Minuto 4 a 7: a escala inteira da direita, do dó do meio ao dó de cima. Quatro subidas e quatro descidas, uma nota por segundo, com a mão esquerda apoiada no punho direito para flagrar qualquer salto.

Minuto 8 a 10: a mão esquerda sozinha, na região grave. Cinco dedos até o sol, o médio por cima do polegar no lá, e a oitava fechando no dó, quatro vezes de ida e volta.

Uma observação sobre o polegar esquerdo. Ele costuma soltar o sol no instante em que o médio começa a viajar, e a nota encurta antes da hora; mantenha a tecla afundada até o lá soar.

Existe um motivo para a escala de dó ser a primeira de todas. Ela não tem nenhuma tecla preta, e o cruzamento acontece entre duas brancas vizinhas, o que faz do caminho do polegar o mais curto de todo o teclado.

Termine a noite com as duas mãos, uma de cada vez, em andamento de caminhada. No último dó de cima, deixe o dedo afundado e confira a altura do punho: parada, na mesma linha em que a escala começou.

"Seu punho ficou na mesma altura do dó do meio até o dó de cima?"

 
 
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Capa do guia A Mão Esquerda Acorda

A Mão Esquerda Acorda

O Trilho de Baixo que tira a mão parada do lugar e junta as duas mãos na mesma música.

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Segundo a edição, em que ponto da escala de dó o polegar da mão direita passa por baixo?

ADepois do mi, para cair no fá
BDepois do ré, para cair no mi
CDepois do sol, para cair no lá
DSó no fim, para alcançar o dó de cima
Veja o ranking de quem mais acerta →
 
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