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O si que decide se o acorde descansa ou segue em frente
C7M e C7 dividem dó, mi e sol; a quarta nota, si ou si bemol, é quem manda o acorde parar ou pedir continuação.
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C7M e C7: o si desce meio tom
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A tecla do si esfria embaixo do dedo parado e encosta na quina da preta vizinha, que fica um degrau acima do tampo branco. O dedo escorrega de uma para a outra sem levantar, um percurso de poucos milímetros, e o acorde inteiro troca de temperatura com essa viagem curta.
Na cifra brasileira, os dois acordes de hoje começam com a mesma letra e quase o mesmo desenho. C7M pede dó, mi, sol e si. C7 pede dó, mi, sol e si bemol. Três notas coincidem nos dois, e a quarta faz todo o trabalho.
O 7M da cifra quer dizer sétima maior, a nota que fica meio tom abaixo do dó seguinte, colada nele. O 7 sozinho quer dizer sétima menor, um tom inteiro abaixo desse mesmo dó, com mais folga. Meio tom é o passo de uma tecla para a vizinha imediata, contando pretas e brancas juntas; um tom são dois desses passos.
O ouvido percebe o efeito antes de qualquer explicação. Com o si natural no topo, o acorde soa aberto e macio, e fica de pé sozinho no fim de um trecho. Com o si bemol no lugar dele, o mesmo acorde ganha um atrito interno, inclina para frente e pede a música continuar, quase sempre desembocando num acorde de fá.
O assunto não é decorativo. Cifra de música popular brasileira coloca C7M e C7 na mesma página o tempo todo, às vezes em compassos seguidos, e quem lê os dois como "dó com sétima" toca um só acorde a edição inteira. O trecho que deveria empurrar a música fica parado, e o trecho que deveria descansar fica inquieto.
A lição de hoje monta os dois acordes com a mesma mão, na mesma posição, mostra qual dedo se mexe e qual fica, e usa o ouvido como prova de qual dos dois está soando.
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I A Lição de Hoje
Um dedo se mexe, três ficam parados
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As teclas de hoje: dó, mi, sol e si de C7M, com o dedo 5 descendo para a preta do si bemol quando a cifra pede C7.
Monte C7M com a mão direita: polegar no dó, dedo 2 no mi, dedo 3 no sol e dedo 5 no si. Agora desça só o dedo 5 meio tom, para a tecla preta imediatamente à esquerda, e o acorde vira C7 sem que nenhum outro dedo saia do lugar. O acorde inteiro muda com um dedo. |
Ache o dó primeiro. O dó é a tecla branca imediatamente à esquerda do grupo de duas pretas, e serve de âncora para todas as outras notas de hoje. Conte quatro brancas subindo a partir dele e chegue no sol; a branca do meio desse caminho é o mi.
O si é a branca logo abaixo do dó seguinte, a última antes de a contagem recomeçar. Ela fica colada no dó de cima, e é justamente essa proximidade que dá o sabor macio da sétima maior: duas notas quase vizinhas soando juntas nas pontas do acorde.
O si bemol é a preta logo à esquerda do si, a última do grupo de três pretas. O bemol é o sinal que desce a nota meio tom, e ele mora embaixo da branca que dá nome a ele. Nenhuma outra tecla do acorde se mexe nessa troca.
Toque C7M segurando quatro batidas e escute o topo do acorde. Troque para C7 na batida seguinte, mexendo apenas o dedo 5, e repare que o brilho calmo do primeiro vira uma tensão que empurra a mão para frente. |
A digitação 1-2-3-5 tem motivo prático. O dedo 4 fica fora porque ele é o mais preso da mão e atrapalharia o dedo 5 na descida para a preta; deixando o mínimo livre no topo, a troca sai limpa e o acorde não desmonta.
“Toque sempre como se um mestre estivesse ouvindo.” > > > Robert Schumann, Regras Domésticas e Musicais para Jovens Músicos, 1850 |
Schumann escreveu a frase para alunos que treinavam sozinhos e deixavam passar detalhe pequeno por ninguém estar olhando. A troca de hoje é exatamente desse tamanho: passa despercebida quem toca correndo, e é audível para qualquer ouvido que pare um segundo.
Passo 1: monte C7M oito vezes, soltando a mão entre uma repetição e outra, e confira o dedo 5 sempre na branca do si.
Passo 2: monte C7 oito vezes, com o dedo 5 entrando reto na preta do si bemol, sem raspar a branca ao lado.
Passo 3: alterne os dois acordes seis vezes, quatro batidas cada, deixando polegar, dedo 2 e dedo 3 grudados nas teclas durante a troca.
Passo 4: toque C7 uma vez e, logo depois, um acorde de fá maior com fá, lá e dó, para ouvir para onde a tensão estava apontando.
O passo 4 entrega a lição sem teoria nenhuma. O si bemol fica a meio tom do lá do acorde de fá, escorrega para ele naturalmente, e o ouvido reconhece a chegada como um alívio que o si natural não produziria.
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II O Erro que Trava
Ler as duas cifras como se fossem uma só
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O erro mais comum nem parece erro: o iniciante bate o olho em C7M, lê "dó com sétima", monta o acorde com si bemol e segue a música inteira sem desconfiar, porque o acorde que ele tocou existe e soa bem sozinho. O engano só aparece no trecho ao redor. |
O desenho da confusão vem da leitura apressada da cifra. A letra C diz a nota de base, o número 7 diz que existe uma quarta nota no topo, e o M coladinho ao 7 é a única marca que distingue as duas. Quem ignora essa letra perde a informação principal.
O som denuncia na hora certa. Num fim de trecho que pedia repouso, o si bemol deixa o acorde suspenso, como quem interrompe uma frase no meio, e o trecho seguinte começa por cima de uma tensão que ninguém resolveu.
A falha simétrica também acontece, e cansa mais. Quem toca si natural onde a cifra pede C7 tira toda a inclinação do acorde, e a passagem para o fá deixa de fazer sentido, porque o topo do acorde não tem mais para onde escorregar. A música fica plana e o aluno costuma culpar o andamento.
Existe um terceiro engano, mais silencioso, de tratar o M como indicação de acorde maior. Todos os acordes de hoje já são maiores na base, com dó, mi e sol nas três primeiras notas. Esse M fala apenas do tamanho da sétima lá em cima e não muda nada abaixo dela.
Repare no que acontece com a mão depois de alguns tropeços desses. O dedo 5 começa a hesitar no ar antes de escolher branca ou preta, o pulso levanta junto e o acorde sai quebrado, com a nota do topo chegando atrasada e mais fraca que as outras três.
O teste de identificação leva cinco segundos e dispensa partitura. Toque a nota do topo sozinha, depois o dó de cima logo em seguida. Se as duas estiverem coladas, sem nenhuma tecla entre elas, o acorde é C7M; se sobrar uma tecla no meio do caminho, é C7.
Unha comprida no dedo 5 atrapalha justamente aqui. A preta do si bemol é estreita e alta, a polpa precisa descer reta sobre uma faixa fina, e a unha que toca antes escorrega de volta para o si branco e devolve o acorde errado em pleno trecho de tensão.
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