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A mão esquerda recebe os mesmos cinco números, e é aí que a conta parece virar do avesso. O polegar continua sendo o 1 e o mínimo continua sendo o 5 nas duas mãos, só que na esquerda o 5 aponta pro grave e o 1 fica virado pro meio do teclado.
O espelho muda a ordem do exercício, e não a numeração. Subindo pro agudo, a direita começa no 1 e termina no 5; a esquerda faz o contrário, começa no 5 e termina no 1. Quem decora a sequência da direita e repete igual na esquerda toca a fila de trás pra frente.
A esquerda também chega com menos horas de teclado. Ela segura o baixo, repete o mesmo acorde e raramente é obrigada a nomear dedo, então os números dela ficam sem uso. Quando o trecho pede o baixo em movimento, a mão trava e o dedo errado chega primeiro.
Minuto 1 a 3: deixe a direita fora do teclado. Pouse os cinco dedos da esquerda em cinco brancas vizinhas na região grave, com o mínimo na tecla mais grave das cinco. Toque 5, 4, 3, 2, 1 subindo e 1, 2, 3, 4, 5 descendo, dizendo o número em voz alta.
Minuto 4 a 7: número solto, com o olho fora da mão. Sorteie os algarismos e deixe a esquerda responder. O 4 vai chegar atrasado, e quando ele errar, pare o sorteio e alterne 4 e 5 oito vezes, devagar, antes de voltar.
Minuto 8 a 10: as duas mãos ao mesmo tempo, sempre no mesmo número. 1 com 1, 2 com 2, até o 5. Como as mãos estão espelhadas, elas andam em direções opostas no teclado, e o número é a única coisa que mantém as duas no mesmo passo.
Uma observação sobre o mínimo da esquerda. Ele é o dedo mais fino e sustenta o baixo sozinho, então o pulso tende a ceder pra dentro e a nota sai fraca. Mantenha a curva dos dedos e deixe o peso do braço descer na tecla, sem apertar.
O ouvido fecha a lição sem ajuda. Com as duas mãos no mesmo número e em movimento contrário, saem notas diferentes que combinam, e a diferença fica evidente no segundo em que um dedo troca de número no meio do caminho.
Vale terminar a noite com o teste do silêncio. Pouse as duas mãos sem afundar nenhuma tecla, fale um número em voz alta e levante os dois dedos daquele número, um em cada mão. A mão que responde sem olhar já não depende de sorteio nem de sorte.
Cinco dedos, cinco números, e nenhum dedo herói carregando a música sozinho.
"Qual dos seus cinco dedos ainda não sabe o próprio número?"
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