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ED 034
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Os dois dedos que abrem Für Elise

Für Elise começa alternando mi e ré sustenido cinco vezes, e a tecla preta só soa limpa quando o pulso fica parado no lugar.

Diagrama das teclas com o mi e o ré sustenido lado a lado na região aguda, os dedos 5 e 4 numerados sobre eles, e a descida si, ré, dó, lá marcada com os dedos 1, 3, 2 e 1 até a tecla do lá

Mi e ré sustenido antes da descida ao lá

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A tecla do ré sustenido fica quase um centímetro acima da branca vizinha, e a ponta do dedo 4 encosta na superfície fosca dela enquanto o dedo 5 ainda segura o mi afundado. As duas teclas estão a menos de dois centímetros uma da outra, e a mão não anda um milímetro para alcançar as duas.

Für Elise foi escrita por Beethoven em 1810 e catalogada como Bagatela em lá menor, WoO 59. O manuscrito ficou guardado por décadas e só apareceu impresso em 1867, quarenta anos depois da morte do compositor, num volume organizado por Ludwig Nohl.

As nove primeiras notas da peça são provavelmente as mais tocadas do repertório de piano por quem começou a estudar há pouco tempo, e elas cabem numa frase curta: mi, ré sustenido, mi, ré sustenido, mi, si, ré, dó, lá. A abertura alterna duas teclas cinco vezes, uma branca e a preta encostada nela, e só na sexta nota a mão começa a descer.

A alternância não troca de posição, troca de dedo. O dedo 5 fica pousado no mi, o dedo 4 fica pousado no ré sustenido, e o único movimento do trecho inteiro é a passagem do peso de um dedo para o outro, com a palma parada no ar e o antebraço em repouso.

O detalhe que muda o som está na altura das duas teclas. A preta é mais estreita, mais alta e mais para dentro do teclado, então o dedo 4 precisa trabalhar num plano diferente do dedo 5, sem que o pulso suba junto a cada vez que a nota preta chega.

Quem começa a peça sem resolver essa diferença de altura escuta a alternância sair irregular: o mi soa forte, o ré sustenido soa abafado, e a frase que deveria ser lisa vira uma sequência de solavancos antes mesmo da descida.

A lição de hoje prende os dois dedos em cima das duas teclas, trabalha a troca de peso entre eles com a mão imóvel e só depois solta a mão para os quatro últimos sons do trecho, si, ré, dó e lá.

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I  A Lição de Hoje

Duas teclas, dois dedos, nenhum passo

As teclas de hoje: mi e ré sustenido alternando na região aguda, e si, ré, dó e lá na descida até o lá.

Encoste o dedo 5 no mi agudo e o dedo 4 no ré sustenido logo à esquerda dele, com as duas pontas apoiadas ao mesmo tempo, e fique dez segundos assim sem produzir som nenhum. A mão precisa aprender a forma antes de aprender o movimento, e essa forma tem a ponta do 4 mais adiantada dentro do teclado do que a ponta do 5.

Repare na diferença de plano entre os dois dedos. O mi está na borda de fora do teclado, o ré sustenido está uns três centímetros mais para dentro, então o dedo 4 fica esticado e o dedo 5 fica levemente curvado. A distância entre as duas pontas quase não existe no sentido horizontal.

Agora afunde só o mi, com o dedo 5, e deixe a tecla no fundo enquanto conta até três. Solte, e afunde só o ré sustenido, com o dedo 4, contando outra vez até três. Repita esse par lento seis vezes, olhando para o pulso e conferindo que ele fica na mesma altura nas duas notas.

O pulso é o juiz do trecho: se ele sobe quando o dedo 4 desce, a nota preta perde volume e a alternância fica manca. Filme quinze segundos de frente e olhe o pulso, não os dedos.

Com a diferença de altura resolvida, junte as cinco notas da abertura. Mi, ré sustenido, mi, ré sustenido, mi, num andamento em que cada nota dura um tempo inteiro do metrônomo a 60 batidas por minuto. Cinco batidas, cinco notas, sem nenhuma pressa.

Ligue as notas pelo som, não pelo dedo. Cada tecla sobe no instante exato em que a seguinte desce, de forma que nunca haja silêncio entre as duas nem as duas soando juntas. Esse encaixe é o que faz a alternância soar como uma linha contínua.

Passo 1: cinco notas alternadas em 60 batidas por minuto, uma nota por batida, com o dedo 5 e o dedo 4 mantendo contato com as teclas o tempo inteiro.

Passo 2: as mesmas cinco notas em duas batidas por nota, mais lento ainda, com atenção só no volume igual entre a branca e a preta.

Passo 3: acrescente as quatro notas da descida, si, ré, dó e lá, com o polegar no si, o dedo 3 no ré, o dedo 2 no dó e o polegar no lá.

Passo 4: o trecho completo de nove notas, quatro vezes seguidas sem parar o metrônomo entre as repetições.

A descida pede uma decisão de braço, não de dedo. Depois do quinto mi, a mão inteira desloca para a esquerda e o polegar assume o si, e é esse deslocamento que precisa acontecer durante o valor da quinta nota, para o polegar chegar pousado antes de tocar.

 
 

II  O Erro que Trava

O pulso que sobe junto com a nota preta

A mão levanta um pouco a cada ré sustenido, como se a tecla preta ficasse longe demais para alcançar parada. O dedo 4 é o mais fraco e o menos independente da mão, e o corpo compensa a fraqueza dele com um empurrão do pulso, que sobe e desce a cada nota.

O sintoma aparece no volume. As notas do dedo 5 saem cheias e as notas do dedo 4 saem apagadas, com uma diferença que qualquer ouvinte percebe, mesmo sem saber que existem dois dedos alternando ali.

Existe uma checagem que expõe a falha em dez segundos. Apoie uma moeda em pé sobre o dorso da mão, perto do nó do dedo médio, e toque a alternância cinco vezes. Moeda caindo significa pulso balançando; moeda de pé significa o movimento acontecendo só nos dedos.

A causa profunda está no tendão que liga o dedo 4 ao dedo 3 e ao dedo 5. Ele não sobe sozinho na mesma altura dos outros, e a mão inteira tenta ajudar. A saída não é forçar altura no dedo 4, é reduzir a altura de todos: dedo nenhum precisa subir mais que meio centímetro para tocar uma nota.

“O trabalho sobre a técnica é trabalho sobre o som.”

> > > Heinrich Neuhaus, A Arte do Piano, 1958

A frase de Neuhaus resolve a dúvida de onde colocar a atenção. Não adianta olhar para o dedo 4 e mandá-lo se comportar; ouça o volume do ré sustenido e ajuste o gesto até os dois sons ficarem do mesmo tamanho, e o dedo se organiza atrás do resultado sonoro.

A correção mais rápida usa contato permanente. Toque a alternância inteira sem tirar nenhum dos dois dedos da superfície das teclas: o 5 escorrega para cima enquanto o 4 desce, e vice-versa, sempre encostados. Sem espaço para levantar, o pulso não tem como participar.

Um segundo caminho ataca a força do dedo 4 direto. Segure o mi afundado com o dedo 5 e toque o ré sustenido cinco vezes seguidas só com o dedo 4, com o restante da mão travado no lugar. Vinte repetições por sessão, nunca mais que isso, porque o dedo cansa rápido e cansaço vira tensão.

Cuidado com a velocidade nesta etapa. A alternância acelerada esconde a irregularidade, porque as notas ficam curtas demais para o ouvido comparar volumes. Estude devagar, prove o resultado devagar, e só depois de a diferença sumir suba o metrônomo de cinco em cinco batidas por minuto.

Guarde a solução para o repertório inteiro. Qualquer alternância entre branca e preta com dedos vizinhos pede a mesma economia de altura, e a mão que aprende esse controle aqui chega pronta em dezenas de outras peças.

 

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III  A Mão Esquerda

Três graves que abrem o lá menor

A mão esquerda entra no compasso seguinte à abertura, e ela toca as três notas do acorde de lá menor uma depois da outra, de baixo para cima: lá, mi, lá. Use o dedo 5 no lá grave, o dedo 2 no mi e o polegar no lá de cima, sem tirar a mão do lugar entre as três.

Escolha a região com cuidado. O lá grave fica duas oitavas abaixo do dó central, o mi fica logo acima dele e o lá seguinte fecha a oitava, então a mão abre num vão de oito teclas brancas e permanece aberta durante todo o trecho.

O desenho tem uma função clara: espalhar o acorde no tempo em vez de tocar as três notas juntas. O som do baixo continua vibrando enquanto as outras duas chegam, e o ouvido monta o acorde inteiro sozinho, com uma sonoridade mais leve que a do bloco.

Faça a conferência com o ouvido, uma vez por ciclo. As três notas precisam sair com o mesmo volume e o mesmo espaçamento entre elas, e um lá grave mais forte que as duas seguintes denuncia braço caindo em cima da primeira nota em vez de dedo trabalhando sozinho.

Tempo 1: a esquerda sozinha, lá, mi, lá, uma nota por batida do metrônomo a 60, quatro repetições com o pedal levantado.

Tempo 2: a esquerda sozinha outra vez, agora segurando cada tecla afundada até a nota seguinte chegar, para escutar as três somando som.

Tempo 3: a direita sozinha, as nove notas da abertura, quatro repetições com contagem em voz alta.

Tempo 4: as duas mãos, com a direita fazendo a abertura e a esquerda entrando com o lá grave no instante em que o lá da direita termina.

O encaixe entre as mãos é o ponto delicado desta etapa. A direita fecha a frase no lá e a esquerda começa a subida do acorde logo depois, sem sobreposição e sem buraco, como se as duas mãos fossem uma linha só passando de um lado para o outro do teclado.

Quando o encaixe estiver limpo, junte o pedal. Afunde o pedal direito no momento em que o lá grave soa e levante quando a mão direita voltar ao mi, uma pedalada por acorde, nunca duas harmonias diferentes dentro da mesma pedalada.

Teste hoje: toque o trecho de nove notas com uma moeda em pé sobre o dorso da mão direita, cinco vezes seguidas, e conte quantas dessas cinco terminaram com a moeda ainda de pé. Duas em cinco na primeira tentativa, cinco em cinco no fim da semana, e o ré sustenido já sai com o mesmo volume do mi.

"Seu ré sustenido soa mais fraco que o mi ao lado dele?"

 
 

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