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Ré menor, a primeira tríade menor da posição de dó
Polegar no ré, médio no fá, mínimo no lá: três teclas brancas, e o dedo do meio que não pode escorregar para a preta ao lado.
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Ré menor: 1-3-5 em três teclas brancas
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Um acorde maior e um acorde menor podem ter duas das três notas idênticas. A diferença mora numa tecla só, a do meio, e ela se desloca menos de dois centímetros para trocar o clima inteiro do som.
Essa nota do meio tem nome: terça. Ela é a segunda das três teclas do acorde, a que fica entre a mais grave e a mais aguda, e é a única responsável por o acorde soar aberto ou soar fechado.
Terça mais larga, com quatro teclas de distância contando pretas e brancas, devolve o acorde maior. Terça mais estreita, com três teclas de distância, devolve o acorde menor. É toda a diferença, e ela cabe num movimento de meio dedo.
O acorde do dia é o ré menor em posição fundamental: ré, fá e lá. Três teclas brancas, com uma vaga entre cada uma, exatamente o mesmo formato aberto que a mão já usa no dó maior, deslocado uma tecla para a direita.
A digitação é a mesma de qualquer tríade em posição fundamental na mão direita: polegar, médio e mínimo, os números 1, 3 e 5. Indicador e anular ficam pousados no ar, sem tocar em nada, exatamente como no acorde de dó.
O detalhe que faz esse ser o primeiro acorde menor da vida de quem começa é a ausência de tecla preta. Ré, fá e lá são brancas, são as mesmas teclas do dó maior deslocadas de lugar, e a mão não precisa avançar nem recuar no teclado para alcançar nenhuma delas.
Existe um preço nessa facilidade. A tecla preta que transformaria o acorde em ré maior fica encostada no dedo médio, um passo acima do fá, e o dedo escorrega para ela com uma frequência que assusta quem grava a própria prática pela primeira vez.
Quando isso acontece o acorde não sai errado, sai outro. Ré maior é um acorde legítimo, soa bem, e por soar bem ele passa despercebido no meio do exercício, gravando na mão a posição que ninguém pediu.
A lição de hoje leva dez minutos e tem três partes. Monta o ré menor tecla por tecla, expõe o escorregão do médio e o jeito de flagrá-lo sozinho, e termina com o baixo da mão esquerda entrando embaixo do acorde.
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I A Lição de Hoje
As três brancas a um passo do dó
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Veja as três teclas brancas do ré menor montadas na mão direita, dedo por dedo.
Ache o dó central e ponha o polegar na tecla branca imediatamente à direita dele. Essa tecla é o ré, e ela fica exatamente no meio do grupo de duas teclas pretas, encaixada entre as duas.
Esse encaixe é a marca visual mais confiável do teclado inteiro. O ré é a única tecla branca que tem uma preta de cada lado dentro do grupo de duas, e você pode achá-la sem contar nada, só olhando o desenho.
Ponha o dedo médio no fá. São duas teclas brancas acima do ré, com o mi vago no meio, e o fá é a primeira branca à esquerda do grupo de três pretas.
Ponha o mínimo no lá. São mais duas teclas brancas acima do fá, com o sol vago, e o lá é a branca encaixada entre a primeira e a segunda preta do grupo de três.
A digitação é 1, 3 e 5. Polegar no ré, médio no fá, mínimo no lá, com indicador e anular pousados no ar sobre o mi e o sol, sem afundar nenhuma tecla.
Repare que a mão manteve o formato do acorde anterior que ela já sabe. Cinco teclas brancas de ponta a ponta, uma vaga entre cada dedo que trabalha, e o pulso paralelo ao chão, sem torção.
Afunde os três dedos ao mesmo tempo e segure o som por quatro tempos. Esse é o ré menor em posição fundamental, com o ré embaixo sustentando as outras duas notas.
Agora faça a comparação que ensina o dia. Monte o dó maior, ouça, tire a mão, desloque tudo uma tecla branca para a direita, monte o ré menor e ouça de novo.
Os dois acordes usam os mesmos três dedos e o mesmo formato de mão. O que muda é onde as vagas caem dentro da mão, e o ouvido percebe a diferença antes de a cabeça conseguir explicar de onde ela vem.
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A mão não aprendeu um formato novo hoje, ela aprendeu que o mesmo formato devolve dois climas diferentes dependendo de onde começa.
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Toque o ré menor dez vezes, tirando a mão do teclado entre uma repetição e outra. Montar do zero grava a posição muito mais rápido do que manter os dedos apoiados e repetir apertando.
Depois toque as três notas soltas, de baixo para cima, cada uma com quatro tempos. Ré com o polegar, fá com o médio, lá com o mínimo, cada nota soando sozinha antes de a próxima entrar.
Esse exercício de notas soltas não é enfeite. Ele obriga o ouvido a reconhecer cada tecla separadamente, e é o que permite perceber, mais tarde, quando uma delas sair do lugar dentro do acorde.
Feche a primeira parte com o acorde inteiro soando até o fim. Não levante os dedos, espere o som desaparecer sozinho, e repare que o ré grave embaixo é o último a sumir.
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II O Erro que Trava
O médio sobe pra tecla preta
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O acorde continua soando bem e mesmo assim não é o do exercício. O médio escorregou do fá para a tecla preta ao lado, e o que a mão está tocando agora é ré maior, com a cor aberta que a lição de hoje justamente não pediu.
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A tecla preta em questão fica encostada no fá, imediatamente acima dele, e é a primeira do grupo de três. O dedo médio, que é o mais comprido da mão, alcança essa preta com quase nenhum esforço.
Esse é o motivo mecânico do erro. Dedo comprido em tecla branca fica com a ponta muito perto da fronteira das pretas, e basta a mão adiantar um centímetro para o médio subir sozinho.
Existe uma segunda causa, e ela é de ouvido. A cor do acorde maior é a que qualquer pessoa já escutou milhares de vezes, então quando a mão erra para o lado maior, nada dentro da cabeça acende um alerta.
Grave dez segundos antes de tentar corrigir. Celular apoiado perto das teclas, acorde tocado devagar, oito repetições, e depois ouça de volta com volume alto prestando atenção só na nota do meio.
A conferência visual é ainda mais rápida que a gravação. Com o acorde afundado, olhe a mão de cima e confira que nenhuma das três teclas pretas do grupo está pressionada, porque o ré menor é feito só de brancas.
A correção começa na altura do pulso, não no dedo. Pulso caído demais empurra a mão para dentro do teclado, o médio avança na direção das pretas, e a correção do dedo sozinho não segura.
Deixe o pulso paralelo ao chão e a mão recuada, com as pontas dos dedos na metade de fora das teclas brancas. Nessa posição o médio simplesmente não alcança a preta sem que a mão inteira se mexa junto.
Depois trabalhe com um exercício de contraste deliberado. Toque ré menor, ouça, suba o médio de propósito para a preta, ouça o ré maior, e volte, três vezes seguidas, prestando atenção na diferença de cor.
Errar de propósito ensina mais rápido do que evitar o erro. O ouvido passa a ter as duas versões guardadas lado a lado, e o desvio acidental deixa de passar despercebido no meio da prática.
Volte para o acorde com uma regra de conferência. Toque, segure o som por quatro tempos, e enquanto ele soa pergunte se a cor que está no ar é a fechada do exercício ou a aberta que entrou sem convite.
Se a resposta for a aberta, tire a mão inteira e monte de novo do zero. Corrigir só o médio dentro de um acorde já montado deixa a mão na mesma posição adiantada que causou o problema.
Um último detalhe fecha o assunto. Estude os primeiros dias com a unha do médio dentro do campo de visão, porque a fronteira das teclas pretas é o único lugar do teclado em que o olho vale mais que o tato nessa fase.
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