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ED 023

Um dedo sobe, o acorde muda de cor

O fá sustenido é a preta entre o fá e o sol, e ele vira o ré menor em ré maior sem tirar as outras duas notas do lugar.

Diagrama das teclas com o acorde de ré maior segurado pela mão direita, polegar no ré, médio na tecla preta do fá sustenido e mínimo no lá, dedos 1, 3 e 5

Ré maior: ré, fá sustenido e lá com 1, 3 e 5

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Eárias prelúdios em tom menor do Cravo Bem Temperado, de Johann Sebastian Bach, terminam num acorde maior. O ouvinte atravessa a peça inteira num clima fechado e o último acorde chega claro, como se alguém abrisse uma janela na última linha.

O recurso é bem mais velho que Bach e tem nome próprio desde o século XVI: terça de Picardia. Compositores do Renascimento e do Barroco fechavam peças sombrias com um acorde final maior, e a mudança que produz esse efeito é a menor possível dentro de um acorde.

A mecânica cabe num dedo só. Um acorde de três notas tem a nota de baixo, a do meio e a de cima, e quem decide se ele soa fechado ou aberto é exclusivamente a do meio. As outras duas ficam onde estão, sem participar da decisão.

A distância dessa mudança é meio tom, o menor intervalo que existe no teclado. Subir a nota do meio em meio tom converte um acorde menor no acorde maior de mesmo nome, e descer meio tom faz o caminho de volta.

O acorde de hoje é o ré. Ré menor tem ré embaixo, fá no meio e lá em cima. Sobe o fá meio tom, ele vira fá sustenido, e o que sai é ré maior, com o ré e o lá parados exatamente onde estavam antes.

Meio tom acima do fá não é o sol. É a tecla que fica entre os dois, e essa tecla é preta. As pretas existem justamente para preencher os vãos que as brancas deixam, e nenhum vão entre uma branca e sua vizinha imediata é maior que meio tom quando existe uma preta no meio.

O corpo aprende a diferença antes da cabeça. A tecla preta é mais estreita, mais alta e fica mais para trás no teclado, e o dedo que a toca precisa de uma posição diferente da que usa numa branca larga e rasa.

É aí que a lição de hoje mora. Os dez minutos de agora começam pela montagem das duas versões do acorde de ré com a mão direita, uma tocando o fá branco e a outra o fá sustenido preto, e pela troca entre elas com um único dedo se mexendo.

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I  A Lição de Hoje

O médio sobe pra preta

As teclas de hoje: ré maior com o médio na preta.

Antes do metrônomo, monte as duas posições.Comece pelo acorde menor, que só tem tecla branca. Ache o ré logo acima do dó central, ponha o polegar direito nele, o médio no fá e o mínimo no lá: são os dedos 1, 3 e 5 na tríade fundamental de ré menor.

Toque as três notas juntas e segure por uns três segundos. Escute o acorde inteiro parado, sem pressa de trocar nada, porque a próxima etapa depende de você reconhecer esse som de saída.

Agora localize a preta que interessa, sem tocar em nada. Entre o fá e o sol existe uma tecla preta, e ela é o fá sustenido. Deslize o médio devagar do fá até encostar nela, só para o dedo medir a distância.

O passo seguinte é o coração da lição. Mantenha o polegar no ré e o mínimo no lá exatamente onde estão, com os dois dedos apoiados sem sair do lugar, e suba apenas o médio para a preta do fá sustenido.

Toque as três notas juntas de novo. Ré, fá sustenido, lá: o acorde de ré maior, montado com o mesmo polegar, o mesmo mínimo e um único dedo trocado de tecla.

Duas notas ficam paradas e uma sobe meio tom: o acorde muda de cor inteiro sem que a mão mude de posição.

Faça a troca dez vezes, alternando. Ré menor, ré maior, ré menor, ré maior, com uma pausa de dois segundos entre um acorde e o outro, e o polegar e o mínimo colados nas teclas durante a série toda.

Preste atenção no que a orelha faz na troca. O ré menor soa mais recolhido e o ré maior soa mais aberto, e a única diferença entre os dois está na nota do meio, na altura do seu dedo médio.

Agora observe a mão de cima enquanto toca. Se o polegar ou o mínimo escorregarem junto com o médio, o exercício perde a graça: eles são a referência fixa que faz a mudança do meio ficar audível.

Repita a série mais dez vezes, agora sem pausa entre os acordes. Ré menor e ré maior colados, um atrás do outro, e o médio subindo e descendo como se fosse um interruptor entre as duas versões.

Feche a primeira parte com uma troca lenta e um teste de memória. Toque o ré maior, tire a mão inteira do teclado, conte até cinco e volte a montar o acorde sem olhar para a preta antes de pousar o dedo.

 
 

II  O Erro que Trava

O dedo escorrega pra ponta da tecla

Na quinta ou sexta troca o médio começa a escapar da preta. Ele toca a preta e a branca ao mesmo tempo, ou desliza pela beirada e cai no fá, e o acorde sai sujo sem que a mão perceba o que aconteceu.

A causa é geométrica e não tem nada de misterioso. A tecla preta é mais estreita e mais alta que a branca, e o ponto em que ela é firme fica no fundo do teclado, longe da borda onde a mão descansa naturalmente.

O dedo que ataca a preta perto da ponta apoia numa superfície inclinada. A preta tem um chanfro na extremidade da frente, e o dedo que encosta ali escorrega para baixo, na direção das brancas vizinhas, em vez de afundar reto.

Existe um teste de vinte segundos que revela o tamanho do desvio. Toque o ré maior oito vezes olhando só para o médio e observe onde a ponta dele pousa: se o dedo encosta na metade da frente da preta, o escorregão já está contratado.

A primeira correção é de profundidade. O médio recua até o fundo da tecla preta, quase encostando na madeira do teclado atrás dela, e ataca a preta na parte mais larga e mais estável do caminho.

A segunda correção é de mão inteira. Quando o médio recua, a mão inteira avança um pouco para dentro do teclado, e o polegar e o mínimo passam a tocar as brancas mais para trás também, sem beliscar a borda.

A terceira correção é de curvatura. O dedo médio fica mais arqueado que os outros dois, porque a preta é mais alta e ele precisa descer sobre ela, e um dedo esticado bate de lado na preta em vez de bater por cima.

Carl Philipp Emanuel Bach deixou escrito, num tratado que virou manual de teclado por gerações, o peso que a posição do dedo tem no resultado.

“Sem a dedilhação correta, nada de bom se pode tocar.”

Carl Philipp Emanuel Bach, Ensaio sobre a Verdadeira Arte de Tocar Instrumentos de Teclado, 1753

Treine a posição nova com um exercício de dedo isolado. Sem tocar o acorde inteiro, ponha só o médio no fundo do fá sustenido e afunde a tecla vinte vezes seguidas, devagar, olhando para o ponto de contato.

O isolamento resolve o que a repetição do acorde não resolve. Com as três notas soando juntas, o ouvido perdoa o dedo torto porque o acorde ainda sai; com a preta sozinha, qualquer escorregão vira um som errado, e o erro fica impossível de ignorar.

Um detalhe fecha o assunto. A troca entre o fá e o fá sustenido é para frente e para trás, nunca para o lado: o médio sobe pela diagonal, do fundo do fá para o fundo da preta, e volta pelo mesmo caminho, sem passeio pela borda das teclas.

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III  A Mão Esquerda

O ré grave que sustenta a troca

A mão esquerda entra hoje para dar chão à mudança, e o trabalho dela é ficar parada. Ela toca uma nota só, do começo ao fim do exercício, e é a imobilidade dela que faz a troca da direita aparecer.

Ache o ré grave. Desça uma oitava a partir do ré que o polegar direito está segurando, ache o ré de baixo e ponha o dedo mínimo esquerdo, o dedo 5, em cima dele.

Toque o ré grave sozinho quatro vezes, com o peso vindo do antebraço caindo e o pulso solto. Deixe o som durar até quase apagar antes de tocar de novo, para a orelha se acostumar com a nota que vai ficar embaixo de tudo.

Agora junte as mãos. O ré grave e o ré menor soam juntos, você segura os dois por três segundos, e sem soltar nada muda apenas o médio direito para a preta: o baixo continua o mesmo e o acorde de cima vira ré maior.

Repare no que essa combinação ensina. Como a nota de baixo não muda, a orelha atribui a mudança inteira ao dedo do meio, e a lição do dia fica isolada sem nenhuma explicação teórica.

Se o baixo estiver abafando o acorde, corrija o volume. O ré grave entra uma vez e sustenta, os acordes de cima entram por cima dele com o dedo mais leve, e uma boa referência é conseguir escutar as três notas de cima separadamente.

Minuto 1 a 3:Minuto 1 a 3: só a mão direita, vinte trocas alternadas entre ré menor e ré maior, com o polegar e o mínimo colados nas teclas e apenas o médio subindo e descendo.

Minuto 4 a 5:Minuto 4 a 5: só o dedo médio direito, vinte afundadas na preta do fá sustenido, atacando o fundo da tecla com o dedo arqueado e a mão avançada para dentro do teclado.

Minuto 6 a 8:Minuto 6 a 8: as duas mãos, doze vezes, o ré grave com o mínimo esquerdo sustentando embaixo enquanto o acorde de cima troca de menor para maior e volta.

Minuto 9 a 10:Minuto 9 a 10: as duas mãos com os olhos fechados. Oito trocas sem olhar para o teclado, com a mão achando a preta pela altura dela, e a conferência visual só no fim de cada troca.

Guarde uma observação sobre o que foi treinado aqui. A habilidade do dia não é decorar duas formas de acorde diferentes, é mover um dedo entre dois níveis do teclado mantendo os outros dois parados, e essa é a base de toda troca de acorde que vem depois.

Termine com uma última troca lenta e fique parado depois dela. Segure o ré maior até o som sumir sozinho, com o médio ainda no fundo da preta, e só então levante os dedos do teclado.

"O seu polegar e o seu mínimo continuam parados quando o médio sobe pra preta?"

 
 
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O Trilho de Baixo que tira a mão parada do lugar e junta as duas mãos na mesma música.

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Segundo a edição, o que acontece com o acorde de ré menor quando o dedo médio sobe para o fá sustenido?

AEle vira ré maior, com o ré e o lá parados no lugar
BEle vira ré menor com sétima, porque uma nota foi acrescentada
CEle deixa de ser acorde, porque tecla preta não entra em tríade
DEle vira sol maior, já que o fá sustenido pertence ao sol
Veja o ranking de quem mais acerta →
 
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Dia 7 de 7 · a temporada de agosto fecha 31/08

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