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Uma tecla separa sol de dó
A escala de sol repete a digitação da escala de dó e troca só o sétimo grau, o fá que vira fá sustenido no fim da subida.
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Escala de sol maior, fá sustenido no 7º grau
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Conte as teclas pretas de uma oitava do piano: cinco. Conte as brancas: sete. Agora conte quantas dessas cinco pretas a escala de dó maior usa em toda a subida, do dó de baixo ao dó de cima: nenhuma.
A escala de dó é a única escala maior do teclado inteiro que cabe só nas teclas brancas. Foi por essa razão, e não por ser mais confortável para a mão, que ela virou a primeira escala de praticamente todo estudante de teclado no mundo. As outras onze escalas maiores pegam pelo menos uma tecla preta pelo caminho.
A escala de sol maior pega exatamente uma. É o menor salto possível a partir do terreno que você já conhece: um degrau de largura de uma tecla entre a escala que a mão já toca e a próxima da lista.
A tecla em questão é o fá sustenido, a preta encostada à direita do fá, a primeira do grupo de três pretas. Ela entra no sétimo grau da escala, na penúltima nota da subida, num momento em que a mão já atravessou o teclado quase inteiro e o dedo anular está chegando.
Existe uma razão sonora para essa nota específica ter mudado de lugar. O sétimo grau de uma escala maior é a nota que puxa para a tônica, a que deixa o ouvido pendurado esperando o desfecho. Em sol maior essa nota precisa ficar a meio tom do sol de cima, e o fá natural fica a um tom inteiro: distante demais, frouxo demais, e a subida termina sem chegar em lugar nenhum.
Uma tecla. É toda a diferença entre as duas escalas do ponto de vista da mão, e a comparação vale a pena guardar: os cinco dedos entram na mesma ordem, nos mesmos pontos, na mesma sequência de sempre. O que muda é a cor de uma única tecla no fim do caminho, e o quanto o dedo anular precisa avançar para alcançá-la.
A lição de hoje monta a escala de sol maior na mão direita usando a escala de dó como molde pronto e trocando só o que precisa ser trocado.
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I A Lição de Hoje
Sete iguais, uma diferente
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As teclas de hoje: a escala de sol maior, do sol ao sol.
Comece a escala de sol maior com o polegar direito no sol, e não no dó. A sequência de notas é sol, lá, si, dó, ré, mi, fá sustenido e sol, oito notas de ponta a ponta, com os dedos 1, 2, 3, 1, 2, 3, 4 e 5 nessa ordem exata. |
Compare a numeração dos dedos com a da escala de dó antes de tocar qualquer nota. Ela é idêntica, dedo por dedo, do primeiro ao último, e o ponto onde o polegar reaparece na sequência é o mesmo ponto de sempre: na quarta nota da subida, nem antes nem depois.
Toque só as sete primeiras notas, parando antes do fá. Sol, lá, si com os dedos 1, 2 e 3, depois dó, ré, mi com 1, 2 e 3 outra vez, tudo em teclas brancas, tudo em terreno conhecido, sem nenhuma novidade até aqui.
A novidade mora na nota seguinte. Em vez de deixar o anular cair na branca ao lado do mi, leve ele um pouco mais para dentro do teclado e afunde a tecla preta que está encostada à direita do fá: aquele é o fá sustenido, e é a única tecla desta escala que não é branca.
Sete das oito notas da escala de sol maior são teclas brancas. A oitava, o fá sustenido, é a única preta, e ela chega no sétimo grau, quando a mão já está inteira do outro lado do teclado. |
Repare no que o dedo anular precisa fazer de diferente. As pretas ficam mais atrás, na parte de cima do teclado, então o anular avança alguns centímetros para dentro em vez de ficar na mesma linha dos outros dedos, e a mão inteira acompanha esse avanço com uma leve inclinação para a frente.
Toque a escala completa de subida três vezes, devagar, com dois segundos entre as notas. O alvo é chegar no fá sustenido com o anular já apontado para dentro, sem o susto de última hora que faz o dedo raspar na quina da preta.
Agora faça a descida, que é onde o fá sustenido costuma desaparecer. Volte de sol a sol usando os dedos 5, 4, 3, 2, 1, 3, 2 e 1, e confira se o anular ainda está entrando na preta na segunda nota da descida, logo depois do mínimo.
Repita subida e descida seis vezes seguidas, sem parar entre uma e outra, tratando as dezesseis notas como uma frase só. Cada volta que passa pelo fá sustenido nos dois sentidos vale mais que dez subidas isoladas para gravar a posição do anular.
Termine a faixa tocando a escala de dó e a de sol uma em seguida da outra, na mesma velocidade, sem pausa no meio. As duas devem sair com o mesmo desenho de dedos e o mesmo peso de braço, e a única diferença audível deve ser aquela nota mais aguda no fim da subida de sol.
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II O Erro que Trava
O fá natural volta sozinho
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O erro que trava a escala de sol maior é o fá natural voltando por conta própria depois de alguns minutos. O dedo anular tem anos de escala de dó gravados nele e, no primeiro momento de distração, ele cai na branca que sempre foi a nota certa até ontem. |
O engano quase nunca aparece na primeira subida. Ele aparece na quinta, na décima, quando a atenção já saiu da escala, e o corpo executa o movimento antigo sem consultar ninguém.
Existe um sintoma sonoro fácil de reconhecer, e ele fica no fim da subida. Com o fá sustenido no lugar, a última nota chega como se a escala tivesse encaixado; com o fá natural no lugar dele, a subida termina murcha, com um vão sobrando entre as duas últimas notas.
O segundo sintoma está no antebraço, não no ouvido. Quem toca o fá natural mantém a mão inteira na mesma linha do começo ao fim, e quem toca o sustenido tem um pequeno avanço para dentro do teclado na penúltima nota, visível de fora e sentido de dentro.
Carl Philipp Emanuel Bach já tratava a escolha e a colocação dos dedos como assunto de primeira ordem, e não de acabamento.
“Perde-se mais por uma digitação ruim do que se pode repor com toda a arte e todo o bom gosto concebíveis.” > Carl Philipp Emanuel Bach, Ensaio sobre a Verdadeira Arte de Tocar Instrumentos de Teclado, 1753 |
A correção não é reforçar a atenção, que cansa em dois minutos. A correção é dar ao anular um alvo físico diferente, avançando a mão para dentro do teclado já na quinta nota da subida, antes de o dedo chegar na hora de decidir.
Treine com o exercício das duas notas, que isola o problema. Toque só o mi e o fá sustenido, dedos 3 e 4, vinte vezes seguidas, alternando devagar, com o anular entrando e saindo da tecla preta enquanto o médio fica parado na branca.
Depois faça o teste do avulso, com os olhos fora do teclado. Toque a escala de sol de subida e, no instante em que chegar na penúltima nota, pare com a tecla afundada e confirme pelo tato se o dedo está numa tecla estreita e mais alta, que é preta, ou numa larga e baixa, que é branca.
Repare que o teste é tátil e responde na hora. A tecla preta é mais estreita sob a ponta do dedo e fica num nível acima do resto do teclado, informação que chega antes de a nota terminar de soar.
Guarde a consequência que vale para as escalas que vêm depois. Cada nova tonalidade acrescenta um sustenido ou um bemol ao que você já toca, sempre uma tecla de cada vez, e quem aprende a segurar um dedo fora do automatismo aprende as próximas em dias em vez de meses.
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